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Mostrando postagens com o rótulo Teologia

NEM PAPA, NEM APÓSTOLO

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Aproveitando a vinda do Papa ao Brasil: A instituição do papado foi confrontada na Reforma Protestante pelo princípio da autoridade e suficiência das Escrituras. Através da Bíblia a Igreja libertou-se do controle da fé pelo sacerdócio e sacramentos. A liberdade na relação com Deus era a maior demanda. Contraditoriamente, os herdeiros da Reforma temos abandonado esse referencial. O que o Papa representa para os católicos romanos, os "Apóstolos" o são para os neo-pentecostais. E isso tem influenciado até mesmo igrejas históricas. Líderes procuram o controle sobre a vida espiritual das pessoas, querem ser o seu "Pai". Apresentam-se como portadores de uma "unção" especial capaz de curar ou enriquecer. Tornam-se ídolos. Lamentavelmente, a Igreja Católica Apostólica Romana não mudará, mas os evangélicos, incluindo os batistas, tem mudado, abandonando a democratização da presença e ação do Espírito Santo para uma crescente centralização e autoritaris...

CRISTO É O CENTRO

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Afirmar a centralidade de Cristo para evitar que a cultura comercial que envolve o Natal nos desvie do seu centro único; a Pessoa de Cristo e Sua Encarnação. Essa compreensão deve nortear a programação das famílias e da igreja nesse período do ano. O verdadeiro sentido desta celebração está na revelação da fé cristã sobre a essência da vida escondida em Deus.  Atingir a profundidade do nosso ser, mergulhar abaixo da superficialidade de uma vida escravizada pelo dinheiro, poder ou ideologias depende da experiência pessoal com o Deus-Homem que quis mostrar-se explicitamente na pessoa histórica de Jesus de Nazaré, o Cristo Vivo que move a história. Para usar a linguagem da Física, Cristo é a força centrípeta, ou seja, exerce o poder de atração. Paulo, apóstolo, usou a expressão “fazer convergir”. Cristo gera, atrai e move desde histórias pessoais anônimas até a conjuntura política das grandes nações. Em torno de si e por sua causa existe o universo e existimos todos nós.  ...

REFORMA PROTESTANTE: A LEMBRANÇA DA HERANÇA

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O ciclo natural de permanência numa igreja dita “evangélica” hoje não dura mais de sete anos. Abertas por atacado em cada esquina, essas igrejas não fazem questão de identificação histórica com qualquer herança cristã. Estamos vivendo uma geração cada vez mais entorpecida de novidades que não quer aprender com a memória de fé dos antigos.  Receio perguntar a alguém que se identifica como evangélico quem foi Martinho Lutero! Ou ainda “o que é ser “protestante”! Mas o pior é constatar que a raiz do catolicismo medieval ressurgiu de forma disseminada nas igrejas independentes que se multiplicam a cada semana. Em 31 de outubro de 1517, o monge agostiniano Martinho Lutero publicou na porta da Igreja do Castelo de Wittemberg, na Alemanha, 95 teses contrarias às doutrinas Católica das indulgências e da infalibilidade do Papa. Essa data é adotada pelo mundo protestante como o marco da renovação espiritual da Igreja na chamada Idade Média. O início do que hoje se convencionou chamar ...

FALAR DE DEUS USANDO VERBOS

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A visão de mundo cristã leva em conta a existência de um Deus pessoal e sua ação na História. Agostinho, filósofo e teólogo cristão do século IV, em sua declaração “credo ut intelligam” (“creio para entender”) ensinou que o cristão vê o mundo através da fé. A fé cristã, por sua vez, encontra seu fundamento na percepção de Deus. Ed René Kivitz, em Vivendo com Propósitos, escreveu sobre o melhor que conseguia perceber de Deus. Para Ele Deus é “o fundamento pessoal de toda a realidade existente”. Paulo apóstolo citou o poeta Epimênides (600 a.C) em seu discurso no areópago ateniense para referir-se ao “Deus desconhecido”: “Pois nele vivemos, nos movemos e existimos” (Atos 17,28). A existência humana está fundamentada nEle. O povo hebreu influenciou decisivamente o cristianismo com sua experiência histórica de fé. A formação e o desenvolvimento de Israel como nação tem como centro gravitacional a confissão de fé registrada no Deuteronômio: “Ouve, ó Israel: o Senhor nosso Deus é...

TEOLOGIA E TEOLOGIAS - ENTENDENDO A DIFERENÇA

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Muito embora exista uma conceituação teologia aceita na tradição cristã, conforme procuramos resumir em outra postagem ( Conceito de Teologia ), é inevitável ao conhecimento teológico uma multiplicidade dos vários sistemas.  Essa variedade desafia do teólogo em sua tarefa de encarnação num determinado contexto. Ao encarnar a mensagem cristã na cultura do povo que o recebe, fatalmente o teólogo ampliará essa diversidade no próprio exercício do pensamento teológico.  Em sua Antropologia Teológica, Batista Mondim identifica que a disparidade dos paradigmas teológicos emana da própria natureza da teologia. Ele destaca dois princípios supremos nos quais se estrutura o trabalho do teólogo: o arquitetônico e o hermenêutico. O princípio arquitetônico é o mistério da revelação, registrado nas Escrituras e fundamento para outros mistérios e eventos da história da salvação. O princípio hermenêutico está baseado na razão, e parte da filosofia para a compreensão e interpre...

PASTOR DEVE ESTUDAR TEOLOGIA

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O estudo teológico é indispensável para a prática pastoral. Nada obstante ser esta uma constatação de fácil aceitação, o quadro geral do ministério da palavra, sobretudo entre os neo-pentecostais, parece negar a sua necessidade.  Conforme estudo inédito feito pela Fundação Getúlio Vargas, publicado na revista Veja em junho de 2006 na matéria “O Pastor é Show” o crescimento numérico dos evangélicos deve-se sobretudo a uma nova geração de pastores. A revista apresenta-os como pregadores que usam a psicologia e a autoajuda aliadas a uma indústria do espetáculo.  O “show” desses “sacerdotes midiáticos” usa como suporte desde as regras de etiqueta até os mais sofisticados recursos da telecomunicação. A formação teológica exigida para esses líderes constitui-se de cursos práticos ministrados na própria igreja, tendo como temas: oratória, etiqueta e gerência financeira de templos. É o que diz a revista. Na prática esse quadro estatístico se reflete em espetáculo, entretenim...

DESCOBRINDO UMA NOVA EVANGELIZAÇÃO (2)

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A educação também estava a serviço da missão. Muito cedo surgiram as primeiras escolas e institutos evangélicos, como consequência da perseguição dos filhos de protestantes nas escolas públicas e católicas. As escolas eram verdadeiros centros de pregação da moral evangélica. E era exatamente o caráter moral do ensino evangélico que levava as pessoas a busca-las para seus filhos. Estes espaços “catequizadores” serviam também para recrutar e selecionar jovens brasileiros para o ministério pastoral.  Nisto residiu um dos grandes segredos do sucesso destas missões: arregimentação de brasileiros, que eram consagrados para a missão. Esta constatação é apresentada José Nemésio Machado em seu livro Educação Batista no Brasil: uma análise complexa, publicado pela editora do Colégio Batista Brasileiro de São Paulo. A ênfase denominacional constitui-se numa característica da missão protestante. Cada iniciativa missionária se entendia como pioneira. Steuernagel, no estudo ci...

IGREJA E CULTURA - CONTEXTUALZAÇÃO

O missionário é quem melhor encarna o estilo de vida de Jesus que o cristianismo exige, segundo o teólogo e missionário católico belga José Comblim, em seu Comentário da Carta de Paulo aos Filipenses. Mas, precisamos de “mensageiros humildes do Evangelho” como procurou a Comissão de Lausanne no Relatório de Willowbank.  Paulo convida-nos pelo seu exemplo. Consciente da presença demoníaca na idolatria (para ele ídolos eram demônios), como escreveu na primeira carta aos coríntios, em Atenas sua aproximação nos ensina como devemos agir na evangelização. Diante do panteão de deuses da cidade, em vez de começar pela crítica, o apóstolo prefere valorizar o fato de serem os atenienses muito religiosos. Lourenço Stelio Rega, em abordagem sobre a contextualização na igreja local, vê nessa atitude um modelo de aproximação saudável para igreja e cultura. Encorajado por reflexões como essas, busquei na memória muitos significados dos festejos juninos para a formação do nordestino....

IGREJA E CULTURA - MERGULHO

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Existe muita confusão na cosmovisão evangélica predominante em minha formação desde a adolescência, marcadamente asceta, exclusivista e arrogante, mas travestida de uma capa espiritual. Com muito esforço tenho aprendido a refletir como Nelson Bomilcar, músico que participou na década de 70 do movimento de abertura da igreja evangélica para a música brasileira, participando das primeiras equipes do Vencedores Por Cristo. Escrevendo sobre Música e Adoração na Igreja Brasileira ele destacou:  “É importante lembrar e considerar que elementos divinos estão presentes em todas as culturas, inclusive a indígena e africana, que tanto influenciam a nossa cultura. O que o Diabo sempre tentará é distorcer a criação de Deus, confundindo nossa compreensão do que é lícito usarmos na evangelização e adoração”  Parte da distorção citada por Bomilcar pode ser notada na expressão “igreja mundana” ou “mundanismo na igreja”. Sem pretender aprofundar o estudo exegético da palavra “m...

EVANGELIZAÇÃO NA BÍBLIA: PECADO, QUEDA E JUÍZO

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Os primeiros conceitos a serem investigados na fundamentação bíblica da evangelização dizem respeito à quebra na relação entre Deus e o homem e na harmonia entre o homem e a criação: pecado e queda. Devemos pensar estes termos na perspectiva dessa relação. Pecado e queda não são o fim, mas o começo. Depois deles, Deus não inicia uma nova relação com o homem e o mundo. Ele inicia a execução do seu verdadeiro plano para a vida.  Tomar a criação como ato da vontade salvífica de Deus leva-nos a calcular o impacto desta verdade sobre nossa compreensão do homem e do universo. O homem e a natureza foram perfeitamente criados. Mas, sofreram juntamente a queda. A comissão de Lausanne, no livro A Missão da Igreja no Mundo (ABU/Visão Mundial), concorda que, no Éden, imediatamente após a queda do homem, o próprio Deus anuncia a restauração por meio da vinda de Jesus. A Boa Nova, o Evangelho irrompe logo no início da história bíblica. A providência da redenção do homem já havia si...

EVANGELIZAÇÃO NA BÍBLIA: CRIAÇÃO E SALVAÇÃO

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A Evangelização na Bíblia encontra assento inicial na relação entre as doutrinas da criação e salvação. Antigo e Novo Testamento são unânimes em vincular uma à outra. Deus cria para salvar e salva re-criando, creatio ex nihilo. Transforma o caos em cosmos. Além da relação fundamental salvação-criação, o texto sagrado foi estruturado de tal forma que os conceitos necessários para compreender a relação Deus-homem são tecidos pelas narrativas da criação, queda e promessa de redenção do homem.  Cristo é o agente e o propósito da criação de Deus, o princípio ativo na estruturação do cosmos, e na revelação do plano divino para a salvação do homem. Por isso, René Padilla, em seus ensaios sobre o Reino e a Igreja, fala de ênfase cristológica do universo. “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1.3).  A Bíblia começa com uma cosmogonia, uma descrição da criação do mundo a partir da palavra criadora de Deus, ...

IGREJA E CULTURA - ENTRANHAMENTO

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A experiência de pastorear a Primeira Igreja Batista em Catu-BA tem-me permitido (ou exigido) um mergulho em aspectos da cultura nordestina ou um retorno a eles, uma vez que minha origem é a zona rural de Itamari-BA.  Catu nasceu agrícola, há 144 anos, e tornou-se petrolífera a menos de meio século. Mesmo com o êxodo rural, impulsionado por essa nova atividade, a cidade preserva forte influência do campo. Posso sentir na cosmovisão dos membros da igreja.  O processo de favelização da cidade em decorrência dos problemas de planejamento foi bem retratado em matéria do site Retratos de Catu (aqui). Contudo, a cidade ainda mantém um perfil mais identificado com a cultura do interior do Nordeste do que outras cidades da Região Metropolitana de Salvador, a exemplo de Camaçari-BA, onde pastoreei até dezembro de 2010 a Igreja Batista Sião.  Nas últimas semanas tenho direcionado algumas leituras sobre a relação entre Evangelho e Cultura e aproveito a época...

GRAÇA QUE SALVA E SANTIFICA

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Qual deve ser a impressão que uma pessoa de fora do convívio da igreja tem da graça de Deus? O que deve imaginar quando ouve a palavra "santificação". Certamente você já ouviu a expressão “lei dos crentes”. O pensamento por trás destas palavras deve ser: uma lei que passamos a cumprir para alcançarmos a salvação.  A experiência com a graça transmitida pela igreja através de ensinos e práticas parece limitar-se mais a uma separação entre a igreja e o “mundo” (como se a igreja não estivesse no mundo). A preocupação com usos e costumes, moda, cinema, música secular, esporte e lazer na tentativa de deixar clara a diferença entre os "salvos" e os "perdidos".  A leitura do livro É proibido – o que a Bíblia permite e a igreja proíbe, de Ricardo Gondim, publicado pela Mundo Cristão em 1998, permitiu-me consolidar, ainda no período de formação no Seminário algumas convicções sobre o processo que chamamos santificação. Convido-o a revisar comigo alguns ...

DESCOBRINDO UMA NOVA EVANGELIZAÇÃO DO BRASIL

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A evangelização no Brasil sempre esteve vinculada à educação religiosa e à expansão institucional cristã bem como do poder político, primeiro com os católicos, depois com os protestantes.  Enquanto que para Jesus salvação significava entrar no Reino de Deus pela porta do arrependimento e da fé, no cristianismo católico ou protestante, evangelizar significou e significa, predominantemente, mais uma adesão a dogmas ou confissões de fé. E expandir o Reino confunde-se com aumentar o número de fiéis, perpetuar o poder hierárquico e centralizador das estruturas, manter um patrimônio e multiplicar os resultados financeiros. Entre os batistas, onde me situo, isso é uma consequência da desvalorização do princípio de autonomia da igreja local. Aproveito a proximidade com o dia 22 de abril, data em que se comemora (ou protesta) o “descobrimento do Brasil”, para refletir sobre evangelização. Encontro-me pessoalmente envolvido numa grande mobilização dos batistas em torno do desafio ...