sábado, 11 de maio de 2013

HOMENAGEM A MAINHA



Prefere ser chamada de Nide. Mulher rara de se encontrar. Mulher de Deus. Cresceu sem conhecer o pai e só resolveu seus conflitos com a mãe meses antes desta perder a memória, dois anos antes de morrer. Mas, conseguiu sobreviver até diante desse duro golpe. Seu corpo traz as marcas, sua alma também. Mas ela continua encantando quem não a conhece e emocionando quem com ela caminha pelas veredas da vida.

Nesta véspera de mais um dia das mães, não pude deixar de pensar um só segundo na pessoa extraordinária que Deus, pela arte de ser gracioso, me presenteou como mãe. E pensei numa forma de sintetizar o que ela significa para minha vida. Pensei ainda no legado que percebo naturalmente se transportar para o ministério pastoral. Esses valores aprendidos de forma líquida, como o leite, são um desafio para a lide de um Cura D’almas:

Mainha, com você aprendi, e tento praticar, a generosidade.

Cresci numa casa de portas abertas e fui percebendo que era resultado de um coração sempre aberto para amar. Muita gente entrando e saindo, principalmente aos sábados, dia de feira, e na época de eleições. Portas abertas também para permitir que saísse a qualquer hora para cuidar de um vizinho doente, uma família enlutada, alguém precisando de apoio numa viagem, em fim, as portas abertas da generosidade.

Mainha, com você aprendi, e tento imitar, a coragem.

Ainda não conheci de perto alguém tão disposta a enfrentar dificuldades, tragédias e até injúrias. Incêndio na infância, enchentes ao longo da vida, perdas e traições. Coragem para se refazer e se reinventar, sobreviver, olhar para frente e para cima. Coragem para mudar, recomeçar, reconhecer os erros. Coragem de uma mulher que ao longo da vida sempre deu mais do que recebeu.

Mainha, com você aprendi, e tento perpetuar, a.

Quantas vezes o dia seguinte não inspirava nenhuma esperança, mas sempre se ouvia sua voz repetir alguma oração, mesmo que em forma de gemidos. Uma mulher de fé que sabe chorar diante do seu Deus, sabe reconhecer que Ele é bom mesmo diante da dor, que vive ancorada na certeza de que o seu Redentor Vive. Fé que muitas vezes me libertou da paralisia ou da confusão.

Esta é minha homenagem no diminutivo mainha porque o texto não cabia tanto superlativo. Minha homenagem em forma de compromisso de viver de modo digno do amor que recebi. Jamais poderei dizer que não sou uma pessoa amada, que não confia na vida ou não se vê positivamente. Basta lembrar de todo carinho que recebo até hoje e sei que enquanto Deus me conceder o privilégio de sua existência sempre terei. Muito obrigado pelo exemplo de generosidade, coragem e fé. Muito obrigado por existir.

Júnior

quinta-feira, 9 de maio de 2013

UM PASTOR NO TERCEIRO SETOR


Assumi o pastorado da PIBCATU em janeiro de 2011. O chamado para este ministério trouxe consigo o desafio de iniciar uma jornada, ao mesmo tempo inédita e desafiadora, no campo da gestão social.

Há mais de 40 anos a PIBCATU está envolvida no Terceiro Setor, como é designado o campo de atuação das organizações da sociedade civil, as iniciativas privadas de interesse público. Depois de começar com um simples clube de mães a Igreja fundou a Sociedade Cristã de Educação – SOCE, mantenedora da Escola Educacional Batista – EEB. 


No inicio da gestão escrevi uma carta de apresentação para os associados cadastrados depois da reforma do estatuto social. 

Esta Escola se notabilizou na cidade e tornou-se uma referência, principalmente na educação infantil. Recebeu o título de utilidade pública municipal e hoje, a presença da igreja na cidade é fortalecida pela Escola na vida dos alunos e suas família, passando a ter influência na vida do município na medida em que essas crianças cresceram e começaram a participar da vida pública. 

Encontrei essa realidade ao chegar e me vi diante do desafio de conjugar, com a função pastoral, atribuições de gerenciamento de entidades beneficentes. Como pastor, sentia-me preparado para liderar uma igreja, mas o que se exigia ia além. 

Entendi que ninguém sozinho é dotado de todas as 
competências e habilidades e precisava conhecer potenciais a serem explorados e limitações a serem enfrentadas na minha formação. Por isso, tem sido um exercício de muita dependência de Deus, de estudo e reflexão contínua assim também de humildade para aprender o novo a todo o momento. 

Com esta disposição tenho enfrentado a realidade difícil a que se submetem as organizações da sociedade civil no Brasil. A relação entre o Estado, os contribuintes-beneficiários e as entidades beneficentes impõe severas exigências a qualquer organismo que pretende atuar na área. Queremos oferecer gratuitamente a mão a quem está vulnerável. Mas o Estado é que determina quem são os beneficiários e para conceder o desconto em impostos escorchantes faz exigências que nem mesmo os governos cumprem. 

Por isso, a permanência da PIBCATU na atuação social depende de uma reformulação completa do seu projeto, uma adequação às exigências legais para o terceiro setor e o cumprimento de obrigações rígidas e pesadas. Diante desse quadro, venho refletindo sobre a posição de um pastor à frente de uma organização do Terceiro Setor ou na liderança de projetos sociais e identifico três posturas que tem servido de balizamento para decisões nesta área: 


1 – AGIR DE ACORDO COM A VISÃO BÍBLICA PARA A RELAÇÃO IGREJA-ESTADO. 

A causa para os principais problemas de igrejas que atuam no Terceiro Setor com a Receita Federal e os órgãos de controle e regulamentação está nas distorções teológicas, na interpretação bíblica equivocada.