quinta-feira, 9 de maio de 2013

UM PASTOR NO TERCEIRO SETOR


Assumi o pastorado da PIBCATU em janeiro de 2011. O chamado para este ministério trouxe consigo o desafio de iniciar uma jornada, ao mesmo tempo inédita e desafiadora, no campo da gestão social.

Há mais de 40 anos a PIBCATU está envolvida no Terceiro Setor, como é designado o campo de atuação das organizações da sociedade civil, as iniciativas privadas de interesse público. Depois de começar com um simples clube de mães a Igreja fundou a Sociedade Cristã de Educação – SOCE, mantenedora da Escola Educacional Batista – EEB. 


No inicio da gestão escrevi uma carta de apresentação para os associados cadastrados depois da reforma do estatuto social. 

Esta Escola se notabilizou na cidade e tornou-se uma referência, principalmente na educação infantil. Recebeu o título de utilidade pública municipal e hoje, a presença da igreja na cidade é fortalecida pela Escola na vida dos alunos e suas família, passando a ter influência na vida do município na medida em que essas crianças cresceram e começaram a participar da vida pública. 

Encontrei essa realidade ao chegar e me vi diante do desafio de conjugar, com a função pastoral, atribuições de gerenciamento de entidades beneficentes. Como pastor, sentia-me preparado para liderar uma igreja, mas o que se exigia ia além. 

Entendi que ninguém sozinho é dotado de todas as 
competências e habilidades e precisava conhecer potenciais a serem explorados e limitações a serem enfrentadas na minha formação. Por isso, tem sido um exercício de muita dependência de Deus, de estudo e reflexão contínua assim também de humildade para aprender o novo a todo o momento. 

Com esta disposição tenho enfrentado a realidade difícil a que se submetem as organizações da sociedade civil no Brasil. A relação entre o Estado, os contribuintes-beneficiários e as entidades beneficentes impõe severas exigências a qualquer organismo que pretende atuar na área. Queremos oferecer gratuitamente a mão a quem está vulnerável. Mas o Estado é que determina quem são os beneficiários e para conceder o desconto em impostos escorchantes faz exigências que nem mesmo os governos cumprem. 

Por isso, a permanência da PIBCATU na atuação social depende de uma reformulação completa do seu projeto, uma adequação às exigências legais para o terceiro setor e o cumprimento de obrigações rígidas e pesadas. Diante desse quadro, venho refletindo sobre a posição de um pastor à frente de uma organização do Terceiro Setor ou na liderança de projetos sociais e identifico três posturas que tem servido de balizamento para decisões nesta área: 


1 – AGIR DE ACORDO COM A VISÃO BÍBLICA PARA A RELAÇÃO IGREJA-ESTADO. 

A causa para os principais problemas de igrejas que atuam no Terceiro Setor com a Receita Federal e os órgãos de controle e regulamentação está nas distorções teológicas, na interpretação bíblica equivocada.