segunda-feira, 23 de julho de 2012

EM NOME DA JUSTIÇA COM JOÃO ALEXANDRE


Em nome da Justiça
João Alexandre

Enquanto a violência acabar com o povão da baixada
E quem sabe tudo disser que não sabe de nada
Enquanto os salários morrerem de velho nas filas
E os homens banirem as leis ao invés de cumpri-las
Enquanto a doença tomar o lugar da saúde
E quem prometeu ser do povo mudar de atitude
Enquanto os bilhetes correrem debaixo da mesa
E a honra dos nobres ceder seu lugar à esperteza.

Não tem jeito não.

Só com muito amor a gente muda esse país
Só o amor de Deus pra nossa gente ser feliz
Nós os filhos Seus temos que unir as nossas mãos
Em nome da justiça, por obras de justiça
Quem conhece a Deus não pode ouvir e se calar
Tem que ser profeta e sua bandeira levantar
Transformar o mundo é uma questão de compromisso
É muito mais e tudo isso.

Enquanto o domingo ainda for nosso dia sagrado
E em Nome de Deus se deixar os feridos de lado
Enquanto o pecado ainda for tão somente um pecado
Vivido, sentido, embutido, espremido e pensado
Enquanto se canta e se dança de olhos fechados
Tem gente morrendo de fome por todos os lados
O Deus que se canta nem sempre é o Deus que se vive, não
Pois Deus se revela, se envolve, resolve e revive
Não tem jeito não, não tem jeito não.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

EVANGELIZAÇÃO NA BÍBLIA: PECADO, QUEDA E JUÍZO


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Os primeiros conceitos a serem investigados na fundamentação bíblica da evangelização dizem respeito à quebra na relação entre Deus e o homem e na harmonia entre o homem e a criação: pecado e queda. Devemos pensar estes termos na perspectiva dessa relação. Pecado e queda não são o fim, mas o começo. Depois deles, Deus não inicia uma nova relação com o homem e o mundo. Ele inicia a execução do seu verdadeiro plano para a vida. 
Tomar a criação como ato da vontade salvífica de Deus leva-nos a calcular o impacto desta verdade sobre nossa compreensão do homem e do universo. O homem e a natureza foram perfeitamente criados. Mas, sofreram juntamente a queda. A comissão de Lausanne, no livro A Missão da Igreja no Mundo (ABU/Visão Mundial), concorda que, no Éden, imediatamente após a queda do homem, o próprio Deus anuncia a restauração por meio da vinda de Jesus. A Boa Nova, o Evangelho irrompe logo no início da história bíblica. A providência da redenção do homem já havia sido planejada antes da sua criação. 
Entendemos o pecado como um ato voluntário da parte do homem. Louis Berkhof, em sua Teologia Sistemática, comenta que a narrativa bíblica inclui na queda a ação e a influência do tentador, que sugeriu ao homem colocar-se em oposição a Deus para tornar-se semelhante a Deus em sabedoria e poder”. Merval Rosa, em sua Antropologia Filosófica, lembra que, segundo a fé bíblica, a queda de Satanás antecedeu a queda do homem. Reinhold Niebuhr, citado por Rosa, acrescenta: “O pecado é um mal radical que tem um elemento de perversidade, pois é fruto de um ato de rebeldia contra Deus”. 
Agir assim contra a soberania de um Deus santo trouxe para a humanidade um julgamento. O pecado, com suas terríveis consequências, entrara na raça humana e no mundo em geral. O Antigo Testamento faz questão de deixar claro que o pecado trouxe consigo consequências devastadoras para a vida do homem. Conhecendo tradição bíblia, Paulo vai sintetizar esta verdade: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3.23). 
Em seu estado original, a criação era ‘muito boa’. Esta é a declaração de Deus. Por que, então, encontramos sofrimento e morte, injustiça e opressão, guerra e miséria? É impossível compreender o mundo em que vivemos sem levar em consideração o juízo de Deus. O juízo de Deus foi manifestado logo após o pecado. Primeiro sobre a serpente, uma figura para Satanás: a que era antes a criatura mais formosa e honrosa, tornara-se maldita e degradada na escala da criação animal. Em seguida, sobre o casal. Para a mulher: o parto tornou-se um momento crítico e penoso. Para o homem: o trabalho agora é acrescentado de afã, as decepções e aflições. A terra tem participado dessas consequências sofre desde então. 
Qual a ação esperada de Deus diante da aparente ruína da sua obra? Somos seduzidos a pensar num Deus que age surpreendido pela inconsequência de suas criaturas. Mas, o juízo divino, como apresentado na Bíblia, serve ao propósito da salvação. Um Deus santo, que não poderia conviver com o mal, providencia o caminho para a única alternativa de restauração da sua obra: Jesus Cristo. Quanto mais aterrorizante o juízo, maior a esperança de salvação.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

EVANGELIZAÇÃO NA BÍBLIA: CRIAÇÃO E SALVAÇÃO




A Evangelização na Bíblia encontra assento inicial na relação entre as doutrinas da criação e salvação. Antigo e Novo Testamento são unânimes em vincular uma à outra. Deus cria para salvar e salva re-criando, creatio ex nihilo. Transforma o caos em cosmos. Além da relação fundamental salvação-criação, o texto sagrado foi estruturado de tal forma que os conceitos necessários para compreender a relação Deus-homem são tecidos pelas narrativas da criação, queda e promessa de redenção do homem. 
Cristo é o agente e o propósito da criação de Deus, o princípio ativo na estruturação do cosmos, e na revelação do plano divino para a salvação do homem. Por isso, René Padilla, em seus ensaios sobre o Reino e a Igreja, fala de ênfase cristológica do universo. “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1.3). 
A Bíblia começa com uma cosmogonia, uma descrição da criação do mundo a partir da palavra criadora de Deus, o fiat divino. “No princípio criou Deus os céus e a terra... Disse Deus” (Gênesis 1.1 e 3). Esta descrição não pode ser compreendida, mas somente percebida. É instintiva, e não, racional. Segundo a Teologia Sistemática de Louis Berkhof, “a criação é descrita como um fato que somente aprendemos pela fé... Pela fé nós percebemos (não compreendemos) que o mundo foi... formado pela palavra de Deus, a palavra de poder de Deus”. 
Mas os escritos joaninos esclarecem que essa Palavra encarnou para recriar a vida e manifestar a glória divina. “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade (João 1,14). Por ser Cristo o agente da criação, nela está a primeira manifestação da vontade salvífica de Deus. O pensamento da salvação está implícito no ato criador. 
Por meio das coisas que foram criadas o homem pode perceber a divindade, o poder e os atributos de Deus. O apóstolo Paulo, quando se refere a isso, diz categoricamente que não existem desculpas para a humanidade em não glorificar a Deus. “Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lhe manifestou. Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis” (Romanos 1.19-20). 
Hans Walter Wolf em Bíblia Antigo Testamento confirma esta relação entre Criação e Salvação e lembra que. “toda criação serve de testemunho de que não há limites para as ações de Deus. A nova intervenção de Deus é mostrada como uma revelação de sua imensa glória e de seu poder salvífico comprovado”. 
O profeta Isaías já anunciava: “Assim diz o Senhor, teu redentor, e que te formou desde o ventre: Eu sou o Senhor que faço tudo, que sozinho estendo os céus, e espraio a terra por mim mesmo” (44,24). Na literatura isaiana a criação vincula-se com a eleição de Israel: “Mas agora, assim diz o Senhor que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu” (43,1). A salvação futura está atrelada à nova criação: “Eis que faço uma coisa nova, agora sairá à luz; porventura não a percebeis? Eis que porei um caminho no deserto, e rios no ermo” (43,19; 65,17). 
Escrevendo sobre a Proclamação do Evangelho, Karl Barth, o maior teólogo protestante do século XX encerra: “na Palavra da reconciliação há também a mensagem da criação”. Evangelizar a partir da Bíblia permite anunciar a esperança da salvação com segurança, pois a criação revela a vontade salvadora de Deus em Cristo e a história é o palco da graça. Espera da evangelização a criação de uma nova realidade pessoal e histórica. O poder criador e criativo de Deus continua operando no mundo. A igreja, corpo de Cristo, amplia sua obra no universo e representa a esperança da nova vida. 
Espera-se da evangelização o que a história já testemunhou ser possível, objetivamente mensurável, tangível. Esperamos o confronto com uma sociedade que avalia as pessoas pela profissão, o jeitinho brasileiro e a corrupção generalizada. Esperamos a restauração da juventude vencida pelo crack. Esperamos que o desenvolvimento sustentável seja mais que discurso. Agora clamamos “venha o teu reino, seja feita a tua vontade”, aguardando o dia em que diremos “bendito o que vem em nome do Senhor”.