terça-feira, 11 de setembro de 2018

SALVADOR DA PÁTRIA

Todo candidato a “Salvador da Pátria” é um embuste, independente do viés ideológico que represente. Esta verdade precisa ser repetida durante campanhas eleitorais. O Brasil vive um clamor popular por uma liderança forte, capaz de resolver a grave crise gerada sobretudo por corrupção e violência. Mas esta comoção associada à polarização partidária pode levar o povo a ser engodado pela velha mentira dos salvadores da pátria. O pano de fundo histórico e cultural da esperança no messianismo político é o sebastianismo português do século XVI. Com o desaparecimento do rei D. Sebastião após a derrota contra os mouros no norte da África, surgiu em Portugal uma forma peculiar de messianismo. A identidade brasileira estava em formação e esta crença na salvação nacional perpassa toda sua história. O inconformismo com a situação política vigente leva a população ao anseio por uma ruptura milagrosa da estrutura de poder através de uma liderança carismática. A paixão ideológica impõe uma viseira e alimenta a expectativa de que uma pessoa seja capaz de mudar o destino da nação. Sabendo disso, o eleitor precisa considerar os limites institucionais de um mandato presidencial bem como a relação entre os três poderes constitucionais no presidencialismo. Obviamente que cada mandato concedido legitimamente pelo povo pode contribuir para o desenvolvimento do país, mas o foco deve estar no projeto de nação e não em "salvador político".

sábado, 8 de setembro de 2018

ESCOLHENDO QUEM DEUS ESCOLHEU

O pastor exerce o ministério que atualiza a prática dos profetas e apóstolos sendo responsável pelo Ministério da Palavra, de importância vital para a igreja e a expansão do Reino de Deus. Por isso, os critérios para a sua escolha devem ser bíblicos e aplicados de forma séria e eficaz.

Paulo escreve sua primeira carta pastoral a Timóteo destacando que o perfil do líder pastoral deveria apresentar aptidão pessoal: disposição voluntária (desejo), sobriedade, prudência, hospitalidade, amabilidade e mansidão. Também era exigida uma qualificação intelectual: apto para ensinar. Além de demonstrar envergadura moral: irrepreensível, respeitável, não apegado ao vinho ou ao dinheiro, de família ajustada. Acrescenta-se ainda que o aspirante ao pastorado não deveria ser recém-convertido e precisava apresentar boa reputação perante a comunidade na qual a igreja estava inserida.

Estes três aspectos do candidato a ministério pastoral, o pessoal, o intelectual e o moral, devem ser avaliados de forma conjunta e equilibrada. Há os carismáticos sem caráter. Há também os eruditos sem competência interpessoal. Busca-se, no entanto, um pastor que seja referencial de ética, possua tato nos relacionamentos e capacidade de guiar e alimentar o rebanho através do ensino.

Mas, antes que se diga apressadamente que tal perfil é inatingível será necessário lembrar que Deus mesmo concede pastores ao seu povo. “e vos darei pastores segundo o meu coração, os quais vos apascentarão com ciência e com inteligência (Jeremias 3:15)”. O Deus que sonda os corações vendo além da aparência responderá à oração do seu povo quando este clamar por um pastor. A oração, então, é um critério anterior e concomitante aos demais e preparará a igreja para receber o pastor escolhido por Deus.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

COMO EVANGELIZAR A JUVENTUDE NA ERA DIGITAL?

Quando um pastor guarda o certificado do curso de datilografia em uma pasta sanfonada com o elástico já desgastado e orgulha-se de ter estudado MS-DOS no PC Intel 486 do curso de informática, saiba que você está diante de um cristão que viveu o suficiente para ensinar algumas lições sobre evangelização. Ele será capaz de explicar para você, com os olhos brilhando, como os jovens da sua classe na EBD usavam a sessão "amigos fazem amigos" da  que vinha no final da revista Juventude da JUERP na sessão "amigos fazem amigos". para trocarem correspondências.

Poderá também mostrar que apesar desses limites tecnológicos, a dinâmica da juventude era intensa tanto na igreja local quando nos eventos da associação regional. Um jovem cristão da sua época sempre mantinha uma lista de amigos a serem convidados para as reuniões da UniJovem.

A amizade era a chave para a evangelização. Eles queriam estar perto. Ficavam depois do culto tocando Rebanhão. O discipulado acontecia. Com o tempo novas famílias e novos profissionais surgiam na igreja. E os adolescentes contavam as horas para serem recebidos nas turmas seguintes.

Hoje, a memória do seu aparelho celular tem o dobro da capacidade do primeiro computador do pastor. Você domina as várias funções dos muitos dispositivos que possui. As possibilidades de evangelização se multiplicaram. São legiões de seguidores nas diversas redes socias. Mas, estranhamente, os líderes do Ministério de Jovens e Adolescentes da sua igreja estão angustiados porque não contam com sua presença e atenção. Os relacionamentos são virtuais. A motivação esfriou.

O avanço da tecnologia permitiu a propagação global do Evangelho aproximando a igreja dos confins da terra. Mas, contraditoriamente, os jovens estão a uma distância colossal do desafio de conquistar colegas e vizinhos para Cristo. Perdeu-se a chave, a amizade, que continuará sendo a ponte mais segura para atrair o coração incrédulo.

Desde o tempo das máquinas Olivetti e das coleções de selos até a era do iPhone 8 não se descobriu ferramenta mais poderosa. A rede de amizade do pastor não corre o risco de ser desfeita na próxima atualização do seu smartphone. Os dispositivos mais modernos com a tecnologia mais avançada hoje será obsoleto amanhã. Já o relacionamentos no qual o outro conhece você a ponto de ter certeza da presença de Cristo continuará sendo a resposta para a evangelização mesmo na era digital.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

A IMPORTÂNCIA DO CULTO DOMÉSTICO

*Publicado originalmente no Boletim Dominical da Primeira Igreja Batista em Divinópolis-MG (02/08/2018).

O pai arranha alguns acordes no violão antigo. Todos na sala cantam o hino. A mãe segura a melodia. Com as Bíblias abertas ouvem os comentários feitos pela voz grave do pai. No momento de oração, motivos de gratidão são lembrados e pedidos, apresentados. No final, o filho mais novo observa que o pijama já está ficando curto.

Cenas como esta não podem faltar no enredo da família cristã. O culto doméstico, ao lado da devoção particular e da participação na igreja local, compõe a base de sustentação da espiritualidade cristã. Se considerarmos a coerência como o maior legado da família para a formação espiritual das novas gerações, a prática da adoração no lar será indispensável para registrar na memória dos filhos a consistência do testemunho dos pais.

Mas o culto doméstico não será uma prioridade enquanto não houver a devida compreensão bíblica da centralidade da adoração em família no plano de Deus para a humanidade. O cristão vive subordinado à certeza de que Deus governa a história. E é na vivência da fé em família que o cristianismo se fortalece. Herdada do povo judeu, a prática do culto no lar confere à igreja cristã sua autenticidade. A igreja, povo de Deus, nasce do Seu chamado a famílias. Se cremos que Deus age sempre através da família, é no ambiente familiar que devemos desfrutar da fé genuína que nos conduz na vida pública.

Na criação, a humanidade nasce como família, Adão e Eva. Antes do dilúvio, Deus levantou a família de Noé. Em Abraão, uma família abençoa todas as famílias da Terra. Para Moisés, a família foi canal de libertação do povo. Com a família de Davi é confirmada a esperança messiânica para todas as famílias. Jesus é Deus nascido em família. No Apocalipse, o céu é uma grande festa em família. Deus age através de famílias e espera que as famílias realizem Sua vontade no mundo.

O livro de Êxodo (1-2) narra como a família de Moisés tornou-se um canal para livrar o povo hebreu da opressão egípcia e realizar a promessa feita aos patriarcas. Ele concedeu saúde aos pais do menino tornando-os fecundos (1:9). Protegeu a criança no Rio (2:3) e agiu através do relacionamento com as parteiras (1:17). Aquela família levita sonhou ser usada por Deus (2:1), por isso o casamento como compromisso de amor e serviço.

A fé cristã deve ser nutrida no lar. Quando nossa família enfrentar um tempo de mudanças boas e ruins, como foi com Moisés, deve priorizar a adoração em família. Se somos cristãos, cremos que Deus governa a história da nossa família. Se cremos assim, cultuamos a Deus no lar. O culto doméstico não é um mero ritual, é expressão de uma fé genuína, eficaz, viva. Martinho Lutero disse: “Ter um Deus é cultuá-lo”. Podemos acrescentar: “Ter um Deus é cultuá-lo em família”.

Estamos, portanto, diante de um grande desafio. Do tempo dos patriarcas até agora a família vem sofrendo ataques e pressões. A maior ameaça é a perda do ambiente doméstico como espaço prioritário de vivência da fé. Independente da constituição e da fase pela qual passa sua família, será necessário priorizar um tempo de devoção no qual as ansiedades sejam lançadas ao pé da cruz. O foco não deve ser reproduzir ou repetir um padrão. Com paciência e flexibilidade, e sobretudo com firmeza e determinação, será possível cultivar a unidade da família em torno da adoração ao Deus que a criou e sustenta.

terça-feira, 24 de julho de 2018

CRER É TAMBÉM PENSAR - JOHN STOTT

RESUMO

STOTT, John. Crer é também pensar. São Paulo,SP: ABU Editora, 1997. 60p.

A ameaça do cristianismo de mente vazia encontra-se no espectro de anti-intelectualismo com três ênfases: a) católicos no ritual, radicais na ação social e pentecostais na experiência. O extremo oposto do superintelectualismo também deve ser evitado reconhecendo-se a importância da mente na vida cristã. O pensamento humano exerce poder na concretização das ações individuais e na história. Além de razões seculares, há razões cristãs baseadas nas doutrinas básicas da fé: criação, revelação, redenção e juízo. A vida cristã seria impossível sem o uso da mente em seis esferas principais: culto, fé, santidade, direção, evangelização e ministério. O conhecimento adquirido com o uso da mente deve conduzir à adoração, à fé, à santidade e ao amor. 

“Não estou em defesa de uma vida cristã seca, sem humor, teórica, mas sim de uma viva devoção inflamada pelo fogo da verdade. Anseio por este equilíbrio bíblico, evitando-se os extremos do fanatismo. Apressar-me-ei em dizer que o remédio para uma visão exagerada do intelecto não é nem depreciá-lo nem negligenciá-lo, mas mantê-lo no lugar indicado por Deus, cumprindo o papel que ele lhe deu” (p. 10).

“O conhecimento é indispensável à vida e ao serviço cristãos. Se não usamos a mente que Deus nos deu, condenamo-nos à superficialidade espiritual, impedindo-nos de alcançar muitas riquezas da graça de Deus. Ao mesmo tempo, o conhecimento nos é dado para ser usado, para nos levar a cultuar melhor a Deus, nos conduzir a uma fé maior, a uma santidade mais profunda, a um melhor serviço. Não é de menos conhecimento que precisamos, mas sim de mais conhecimento, desde que o apliquemos em nossa vida” (p. 58).