sexta-feira, 30 de outubro de 2015

IGREJA E DIVERSIDADE NO DEBATE POLÍTICO

O exemplo da Igreja Católica, sua aparente unidade na esfera política e diante de temas polêmicos tem sido usado para reforçar a crítica aos protestantes por sua suposta omissão ou contradição em posicionamentos políticos. A dificuldade de diálogo entre os evangélicos é apontada como barreira para uma almejada representatividade. A autonomia das igrejas locais e denominações impediria essa unidade de representação. Mas essa diversidade não enfraquece a voz e a postura evangélica. Quando a sociedade pergunta sobre o pensamento protestante diante dos temas emergentes, deve esperar como resposta uma posição complexa e até mesmo contraditória. Se não souber analisar essa complexidade, incorrerá em generalizações de alguma posição mais evidenciada pela mídia. Desde a Reforma tem sido assim. Aliás, o Cristianismo é assim. Nunca houve uniformidade naquilo que não é essencial. Por isso mesmo, em vez impor uma postura única, mantendo todos em um mesmo curral, ou ainda artificializar a unidade espiritual em forma de declarações e documentos, igrejas protestantes tem preferido assumir sua heterogeneidade. Essa é nossa catolicidade essencial: diversos, porém unidos pelo Evangelho.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

MINISTÉRIO PASTORAL COLEGIADO

Exercer o ministério pastoral de forma colegiada ou associada é mais saudável tanto para os próprios pastores quanto para a igreja local e a comunidade. Esse modelo de atuação oportuniza o exercício do dom e da liderança no ambiente da amizade, enriquece o púlpito e o ensino, potencializa a abrangência e o impacto. Apascentar, aconselhar e supervisionar são funções bíblicas que devem ser exercidas através de uma equipe pastoral. Um único obreiro, mesmo que seja eventualmente o presidente, não será capaz de responder pelo pastoreio, ensino e direção do rebanho confiado por Deus de forma plena. Por uma questão de funcionalidade será necessário que um dos membros assuma a presidência da igreja. Mas isso não extingue ou impede a associação de competências e habilidades para um aperfeiçoamento contínuo do serviço. A metodologia da igreja deverá ser definida pelo colegiado. Muito embora cada pastor associado possua o seu perfil, com limitações e potencialidades, cada um contribuirá para definir como o colegiado irá cuidar, alimentar e guiar a igreja.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

CONTAS NO TRIBUNAL

O debate em torno das famigeradas “pedaladas fiscais” tem servido para esclarecer sobre a responsabilidade fiscal dos administradores públicos. A recente decisão do TCU – Tribunal de Contas da União, que pela primeira vez na história da República, rejeitou as contas da presidente pode levar a um processo de impeachment. Elementos técnicos e políticos estão emaranhados. Por um lado, fica a impressão de uma tentativa de prolongamento do pleito eleitoral. De outro, o alarme diante da afronta à independência das instituições quando o governo levanta suspeição do processo de fiscalização e insiste na anulação sem admitir os fatos que o geraram, desconsiderando o trabalho da base técnica produzido por auditores concursados e com critérios fundamentados na legislação fiscal e no direito financeiro. O governo petista agora terá de defender-se no Congresso Nacional da acusação de “desgovernança fiscal”. Independente dos desdobramentos políticos da decisão histórica do TCU, o que não se pode mais admitir é a prevalência do vício do “sempre se fez assim”. No mínimo, o que se espera é que as instituições de fiscalização, como o TCU, sejam fortalecidas e que práticas como planejamento, transparência e responsabilidade fiscal sejam definitivamente afirmadas.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

ENSINO RELIGIOSO NO ESTADO LAICO

A formação básica do cidadão deve incluir o conhecimento religioso. A religião é um patrimônio cultural. A maioria da humanidade é religiosa. Entender o sentimento e as práticas religiosas é uma condição para se compreender como o ser humano se tornou o que é em suas dimensões pessoal, social e espiritual. O Brasil, a despeito de ser um Estado laico, não é ateu. A maioria da população é cristã, dentro diversas outras religiões. A relação entre ensino religioso e escola pública é mesmo delicada, mas é possível cumprir o que obriga a LDB: matrícula facultativa, respeito à diversidade e proibição do proselitismo, ensinar com o objetivo de catequizar ou converter. Já nas escolas confessionais deve ser garantida a liberdade tanto da instituição de escolher a religião a ser ensinada quanto das famílias de matricular ou não os filhos. Contudo, ainda persiste um dilema: discutir respeito à diversidade religiosa em um contexto de preconceito à religião e às religiões. Por isso cabe perguntar: qual o controle estatal proposto para o ensino de ideologias totalitárias de direita ou de esquerda? Como a sociedade brasileira regulará juridicamente o proselitismo ideológico no ensino público?