domingo, 12 de agosto de 2012

VOU PESCAR COM JOÃO ALEXANDRE


Vou pescar
João Alexandre


Vou pescar!
Parece que acordei de um longo sonho,
Parece até que eu parei no tempo,
Parece até que nada aconteceu!

Vou pescar!
Quem sabe Ele apareça novamente,
Quem sabe volte a me chamar de amigo,
Quem sabe chegue andando sobre as águas,
Quem sabe?

O Homem junto à fogueira convida pra ceia,
para uma conversa sincera!
Brasas queimando na areia
E dentro de mim a lembrança de tê-lo negado,
Por nada!

É a hora da verdade aqui em volta da fogueira
Melhor lançar tudo que é palha no fogo!
Olhe bem dentro dos olhos do Homem que reparte o pão
E me diga se alguém é capaz de enganá-lo?

Tu sabes todas as coisas,
Tu sabes do meu amor por Ti!
Tu sabes todas as coisas,
Tu sabes do meu amor por Ti!

Vou pescar...

domingo, 5 de agosto de 2012

QUEM PODE SER BATIZADO


Os “batistas” somos chamados assim em parte pela fidelidade ao ensino Bíblico acerca do batismo. Compreendemos o batismo bíblico como ordenança constitutiva da igreja, de natureza simbólica, reservado a pessoas adultas que confessam Jesus Cristo como Senhor e Salvador pessoal e demonstram testemunho de conversão. É um ritual visível e representativo da experiência interior de salvação espiritual. 
Esta doutrina nos acompanha historicamente. Contudo, apesar desta tradição ainda é possível encontrar no seio de igrejas batistas pessoas confusas sobre quem pode ser batizado. Sobre isso apresentamos algumas considerações no intuito de orientar e fortalecer a igreja: 

1 – DEVE SER BATIZADO quem evidencia consciência plena do seu pecado. O apóstolo Paulo considerava-se o principal dos pecadores (1 TIMÓTEO 1,15); 

2 – DEVE SER BATIZADO quem reconhece pela fé Jesus Cristo com único capaz de salvar os pecadores. Paulo ensinou aos crentes romanos que o Evangelho é poder transformador (ROMANOS 1,16); 

3 – DEVE SER BATIZADO quem apresenta testemunho de conversão pessoal diante da igreja e do mundo. Preparando o caminho de Jesus, João, o Batista, conclamava o povo a produzir “frutos digno de arrependimento” (MATEUS 3,8); 

4 – DEVE SER BATIZADO que demonstra desejo sincero de integrar-se à igreja local para servir a Deus fervorosamente. O Apóstolo dos Gentios esperava dos cristãos de Corinto fossem sempre “abundantes na obra do Senhor” (1 CORINTIOS 15,58). 

Quando o diácono Filipe foi interrogado pelo Eunuco sobre possíveis impedimentos ao seu batismo: “E disse Felipe: é lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus” (ATOS 8,37). Devemos envidar todos os esforços para impedir a institucionalização da igreja local de criar empecilhos para que crentes sinceros sejam integrados em nossa comunhão pelo batismo. 
Exigências extra-bíblicas impostas a candidatos ao batismo pode levar uma igreja que busca ser bíblica para distante da simplicidade das igrejas neotestamentárias. Longe de nós esteja, por outro lado, o abandono de ideais como o casamento ou ensino da sã doutrina. Mas o fato é que impor tais requisitos tem deixado de reconhecer a incondicionalidade da fé diante de contingências tais como o estado civil. 
QUEM PODE SER BATIZADO? Devem ser batizadas todas as pessoas que evidenciam consciência do seu pecado, reconhecem, pela fé, Jesus Cristo como único capaz de salvar pecadores, apresentam testemunho pessoal de conversão e desejo de integrar-se à igreja local com servo do Deus vivo.

DESCOBRINDO UMA NOVA EVANGELIZAÇÃO (2)




A educação também estava a serviço da missão. Muito cedo surgiram as primeiras escolas e institutos evangélicos, como consequência da perseguição dos filhos de protestantes nas escolas públicas e católicas. As escolas eram verdadeiros centros de pregação da moral evangélica. E era exatamente o caráter moral do ensino evangélico que levava as pessoas a busca-las para seus filhos. Estes espaços “catequizadores” serviam também para recrutar e selecionar jovens brasileiros para o ministério pastoral. 
Nisto residiu um dos grandes segredos do sucesso destas missões: arregimentação de brasileiros, que eram consagrados para a missão. Esta constatação é apresentada José Nemésio Machado em seu livro Educação Batista no Brasil: uma análise complexa, publicado pela editora do Colégio Batista Brasileiro de São Paulo.
A ênfase denominacional constitui-se numa característica da missão protestante. Cada iniciativa missionária se entendia como pioneira. Steuernagel, no estudo citado, vê aí uma das causas para o divisionismo protestante: “Este denominacionalismo em concorrência criou uma população evangélica flutuante. O rápido avanço evangelístico não conseguia levar o novo crente a uma suficiente consolidação da fé. Assim surgiu uma migração de uma denominação para a outra, de acordo com as ofertas e necessidades dos fiéis”. Sua conclusão neste ponto é que como consequência deste progresso inicial sem um cuidado efetivo, tem-se um conhecimento bíblico superficial e uma ética limitada e importada.
As congregações protestantes se multiplicavam na corrida das muitas denominações em busca de um povo. Cada organização eclesiástica estava desafiada a levar sua missão a cada cidade brasileira. O importante era o crescimento numérico, os resultados estatísticos. O Brasil do ponto de vista protestante era uma terra de “promoção missionária”. Criticamos a cruz e a espada das caravelas católicas, mas reinventamos as cruzadas, passando de perseguidos a caçadores de bruxas. Quem chegou empoeirando os pés no sertão do país acomodou-se na gestão de empresas e dividendos.
Israel Belo de Azevedo em seu livro A Celebração do Indivíduo – a formação do pensamento batista brasileiro afirma que desde sua formação, os batistas desenvolveram um espírito de expansão missionária aliado a uma exacerbação da doutrina da natureza espiritual da missão da Igreja. 
A denominação batista sucumbiu à tentação de reduzir o Evangelho de Jesus meramente ao nível “espiritual” e limitou sua ação eclesiástica no Brasil às bandeiras do conversionismo e do salvacionismo, seguindo o mesmo caminho de outras expressões do protestantismo. Assim, deu-se lugar ao atrofiamento do senso de missão, relegando o engajamento na luta pela justiça social ao mero assistencialismo.
Em consequência, a igreja evangélica, de raiz peregrina, institucionalizou-se. Das congregações às convenções ou sínodos, dos leigos aos oficiais da igreja. Passaram de uma organização simples e funcional a uma estruturação mais adequada ao crescimento rápido e abundante. 
A presença e os investimentos protestantes visavam em primeiro lugar o bem-estar da própria denominação, sua sobrevivência e expansão geográfica. Em contrapartida, a missão protestante relegou a um segundo plano o transpor as barreiras sócio-econômica-culturais que dividem o povo em estratificações e mundos distintos.
Quando a evangelização torna-se refém do poder político, seja estatal ou denominacional, deixa de ser anuncio da liberdade e passa a ser instrumento de escravidão.
O Brasil necessita da obra evangelizadora da igreja de Cristo, do anúncio da esperança, da comunicação e vivência da alegria para quem permanece Nele. Mas para isso, a unidade deve ser a expressão da centralidade de Cristo na vida da igreja. Ademais, é nossa missão, além de anunciar a libertação, praticar e lutar pela justiça.
Com as palavras do Dr. Ágabo Borges, em discurso por ocasião da posse do novo Reitor do Seminário Teológico Batista do Nordeste (Feira de Santana-BA), Pr. Geremias Bento, poderíamos dizer que a unidade é um método evangelístico não em estruturas hierárquicas, mas em organismos de serviço. 
Em tempos de comemoração ou protesto pelos 512 do Brasil urge descobrirmos uma nova evangelização que terá como distintivos a imitação da vida de Jesus, a proclamação do Seu Reino, que já foi inaugurado e a vivência da fé que nos leva a permanecer nEle em unidade com Seu Corpo cuja missão é transformar o Brasil.



FONTES:
ANDRADEE, Caludionor de. Teologia da Educação Cristã, CPAD.
STEUERNAGEL, Valdir. Igreja – Comunidade missionária, ABU.
AZEVEDO, Israel Belo de. A Celebração do Indivíduo.
SOUZA, Ágabo Borges de. Cooperação como proposta de unidade no sistema convencional. O Batista Baiano, Ano LXXXI, nº 98.
MACHADO, José Nemésio. Educação Batista no Brasil.

IGREJA E CULTURA - CONTEXTUALZAÇÃO

O missionário é quem melhor encarna o estilo de vida de Jesus que o cristianismo exige, segundo o teólogo e missionário belga José Comblim em seu comentário da carta de Paulo aos Filipenses. Mas precisamos “mensageiros humildes do Evangelho” com procurou a Comissão de Lausanne no Relatório de Willowbank. 
Paulo convida-nos pelo seu exemplo. Consciente da presença demoníaca na idolatria, para ele ídolos eram demônios, como escreveu na primeira carta aos coríntios, em Atenas sua aproximação nos ensina como devemos agir na evangelização. Diante do panteão de deuses da cidade, em vez de começar pela crítica, o apóstolo prefere valorizar o fato de serem os atenienses muito religiosos.
Lourenço Stelio Rega, em abordagem sobre a contextualização na igreja local, vê nessa atitude um modelo de aproximação saudável para igreja e cultura. Encorajado por reflexões como essas busquei na memória muitos significados dos festejos juninos para a formação do nordestino. 
Antes de criticar a idolatria ou tantos outros traços "demoníacos" desta festa procuro sondar por trás dos símbolos, os sentimentos, antes de ver a cultura, sentir com as pessoas. Sendo mais direto, este dia, 23 de junho, véspera de "São João" é um passaporte para o baú de recordações da minha infância. 
Minha avó materna, por causa das complicações de parto fez uma promessa ao santo. Em cumprimento, meu tio, nascido no dia 24, chama-se João. Casa enfeitada, fogueira, dedos queimados com fogos de artifício e ela sentada à tardinha na varanda esperando alguma notícia dos filhos, principalmente dos migrantes, também com nome de santo, José e Antônio. Este último conseguiu com um padrinho a viagem para São Paulo. Ainda era criança quando já contávamos vinte anos sem o reencontro. 
Por isso festa junina e joanina pra mim é tempo de matar a saudade, tempo de celebrar os vínculos familiares que adoçam a canjica, a alegria de assar o milho ou tomar o mingau de tapioca. Tempo de esperança e reconciliação. 
Luiz Gonzaga, cujo centenário é comemorado esse ano, traduziu na música o sentimento de ser nordestino. Na música "Riacho do Navio" ele cristalizou o complexo de emoções que minha família viveu durante décadas por conta da migração provocada pelas desigualdades regionais e do desprezo político intencional amargado. 
O “peixe” quer voltar. Por que o brejinho é ambiente utópico, lugar e não-lugar da realização integral, da identidade que dá significado à vida, lá não se sente frio. Mas o rádio com as notícias das terras civilizadas são um desafio constante a esse encontro com as raízes.

IGREJA E CULTURA - MERGULHO

Existe muita confusão na cosmovisão evangélica predominante em minha formação desde a adolescência, marcadamente asceta, exclusivista e arrogante, mas travestida de uma capa espiritual. Com muito esforço tenho aprendido a refletir como Nelson Bomilcar, músico que participou na década de 70 do movimento de abertura da igreja evangélica para a música brasileira, participando das primeiras equipes do Vencedores Por Cristo. Escrevendo sobre Música e Adoração na Igreja Brasileira ele destacou: 
“É importante lembrar e considerar que elementos divinos estão presentes em todas as culturas, inclusive a indígena e africana, que tanto influenciam a nossa cultura. O que o Diabo sempre tentará é distorcer a criação de Deus, confundindo nossa compreensão do que é lícito usarmos na evangelização e adoração” 
Parte da distorção citada por Bomilcar pode ser notada na expressão “igreja mundana” ou “mundanismo na igreja”. Sem pretender aprofundar o estudo exegético da palavra “mundo” na Bíblia, basta lembrar que ela pode significar: (1) a natureza, a criação, ou universo; 2) a humanidade, as pessoas; ou 3) o sistema de valores satânico. 
A igreja pode viver neste mundo físico onde vivem as pessoas a serem amadas sem ser contaminada com o mal. E mais, deve transformá-lo. Fomos enviados ao mundo em missão para servir. A interação com a cultura será necessária. A igreja é sal da terra e luz do mundo. Na oração sacerdotal Jesus não pediu que fossemos tirados do mundo, mas livres do Maligno e santificados pela Palavra. 
"Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus". (Mt 5,13-16) 
"Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Não são do mundo, como eu do mundo não sou. Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade. Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. (João 17,15-18) 
Essa parece ser a base bíblica do pensamento que subjaz o Pacto de Lausanne, documento elaborado no Congresso Mundial de Evangelização na cidade suíça em 1974, presidido por John Sttot, e que norteia a identidade evangelical desde então: 
“Uma vez que o homem é criatura de Deus, parte da sua cultura é rica em beleza e bondade; pelo fato de ter o homem caído, toda sua cultura (usos e costumes) está manchada pelo pecado e parte é de inspiração demoníaca”. 
A igreja é desafiada a encarnar a mensagem do Evangelho para comunicá-la num contexto cultural específico. Três atitudes básicas podem ser analisadas: 1) Igreja Esponja - absolve a cultura acriticamente; 2) Igreja Monastério - isola-se alienadamente; 3) Igreja Tempeiro - transforma o ambiente. A fidelidade ao Evangelho orientar o estabelecimento de limites saudáveis para o mergulho. 
O princípio orientador para o “mergulho cultural” da igreja deve ser o mesmo defendido por Bruce Nicholls em sua proposta de “Contextualização: uma teologia do evangelho e cultura”: “O Evangelho nunca é hospede da cultura; mas sempre seu juiz e redentor”. A experiência profunda com o poder redentivo do evangelho nos capacita para a intervenção na cultura com o fim de sermos agentes de sua restauração.

APOCALIPSE – COMO ENTENDER OS SÍMBOLOS


João, o Apóstolo, intentou declarar a fé cristã e manifesta oposição ao paganismo oficial de Roma. Caracteriza-se por uma visão dualista da história: o mundo atual, rebeldia contra Deus e perseguição do Seu povo é fortemente contrastado como mundo vindouro, quanto Deus intervirá para estabelecer definitivamente o seu reino. É uma profecia cunhada no molde apocalíptico e escrita em forma de carta. 
Verner Hoefelmann, respondendo à pergunta “Como entender os símbolos do apocalipse?” afirma que 70% dos versículos contêm alusões ao Antigo Testamento (principalmente Êxodo, Ezequiel e Daniel). As citações nos remetem a momentos de crise na caminhada do povo de Deus. A mensagem deixada assegura que diante das ameaças à sobrevivência no presente, a igreja cristã poderia esperar na intervenção de Deus, que nunca abandonou o seu povo fiel. 
Apocalipse é filho da profecia e tem interesse escatológico. Ocupa-se de um desenvolvimento histórico e anuncia a providência de Deus em ação no presente, com o juízo sobre o mundo e a felicidade sem fim no futuro (HARRINGTON). 
Os primeiros três capítulos são “cartas às sete igrejas”, mensagens proféticas para julgar o estado espiritual das igrejas e incentivando a conservação da fé. Esta parte do livro aproxima-se mais da forma profética do que da apocalíptica. 
A segunda parte do livro pode ser considerado um comentário das palavras de Jesus aos discípulos: “No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33) (HARRINGTON). 
William Hendriksen defende um sistema de interpretação do conhecido como paralelismo progressivo. Anthony A. Hoekema, no livro Milênio: significado e interpretações, explica que, se acordo com este ponto de vista, o livro consiste de sete secções paralelas entre si, cada uma descrevendo a igreja e o mundo desde a época da primeira vinda de Cristo até a da sua segunda vinda. Além das referências a eventos, pessoas e lugares da época em que o livro foi escrito, suas recomendações são válidas para a igreja hoje. 

1ª – 1 a 3 – visão do Cristo ressurreto e glorificado no meio dos sete candeeiros de ouro e a ordem para escrever as sete cartas às sete igrejas da Ásia Menor; 
2ª – 4 a 7 – A visão dos sete selos com os julgamentos divinos sobre o mundo; 
3ª – 8 a 11 – As sete trombetas de julgamento com a igreja vingada e vitoriosa; 
4ª – 12 a 14 – Visão da mulher dando à luz enquanto o dragão espera para devorá-lo, alusão ao nascimento de Jesus e à oposição de Satanás à igreja; 
5ª – 15 a 16 – Descreve as sete taças da ira sobre os que permanecerem impenitentes; 
6ª – 17 a 19 – Apresenta a queda da Babilônia e das bestas, secularismo e impiedade em oposição ao Reino de Deus 
7ª – 20 e 22 – Narra o fim do dragão, o triunfo final de Cristo e da igreja no universo restaurado; 

Existe um grau de progressão escatológica entre as secções (p.ex. 1,7; 6,12-17 e 20,11-15 / 7,15-17 e 21,1-22,5) bem como entre a primeira metade (1-11) com a luta de Cristo e da igreja contra os inimigos na terra, e a segunda (12-22) com um fundo espiritual mais profundo. 
Partimos agora para uma abordagem geral dos símbolos utilizados no texto seguindo Hoefelmann que os organizou em números, animais, aves, nomes e pessoas. 
O número três (3) representa Deus. Quatro (4), as coisas criadas. Sete (4+3) indica a totalidade de um processo. Doze simboliza o povo de Deus da antiga aliança (doze patriarcas) ou da nova (doze apóstolos). 1260 dias (ou 42 meses) é a metade de sete anos. Indica um tempo com prazo certo para acabar. Quando um número é duplicado, multiplicado ou justaposto, intensifica-se o seu sentido. Assim, 24 representa os eleitos das duas alianças. 144.000 (7,4; 14,1 e 3) refere-se à totalidade do povo de Deus na antiga e da nova aliança (12x12x1.000). Este número também pode indicar os mártires, remanescente fiéis de Israel. A virgindade seria uma metáfora para a fidelidade diante do culto à besta, Roma e a religião oficial do império. 666 (13,18) pode indicar uma pretensão de totalidade (aproxima-se de sete três vezes). Uma interpretação é baseada nas letras de Nero César, primeiro imperador a perseguir a igreja, e por isso, representante dos demais. No hebraico, no lugar de numerais, as letras têm valor numérico. 
O cordeiro (13,11) é Jesus, cuja obra realiza a libertação do povo de Deus. O dragão (12;13;16 e 20) é o poder do mal que opera no mundo personificado no diabo. A besta (11;13;14;16;17;19 e 20) são os poderes terrenos que agem como instrumentos do diabo. É uma alusão clara ao Império Romano. A águia (4; 8 e 12) é a mensageira de Deus para anunciar juízo ou proteção divina. 
Babilônia (14;16;17;18) representa aqueles que oprimem o povo de Deus. No tempo de João, a cidade de Roma, também caracterizada como uma meretriz (17 e 19). A mulher perseguida (9;12;14;17) representa o povo de Deus perseguido pelo dragão, do qual nasce o Messias. Jezabel, nicolaistas e Balaão (2) seduzem as igrejas com a acomodação da prática da idolatria. Armagedom (16), palavra hebraica para “Monte Megido”, local de muitas batalhas em Israel, simboliza a batalha final entre as forças divinas e diabólicas, assim como Gogue e Magogue (20). A Nova Jerusalém (21) é um símbolo glorioso para a nova realidade que Deus vai criar no final dos tempos. 
João posiciona-se solidariamente como “irmão, e companheiro na aflição, e no reino, e paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo” (1,9). Ele recebe ordem do Senhor da igreja para escrever o que vê (1,11). E escreve sobre tanto sobre as coisas presentes como as que acontecerão (1,19). Escreve uma carta de Amos do Noivo para a noiva amada, curada, perdoada (1,4). Escreve com a graça e a paz a ser proclamada a todas as nações que Ele é o Alfa e o Ômega (1,7-9). 
Leia esta carta mais com o coração do que com a mente. Nem todos os detalhes precisam ser entendidos com a razão. Mas todos os símbolos apontam para a mesma direção: por mais fortes que seja os poderes contrários a Deus, a vitória final pertence àquele que criou o mundo e tudo fará para conduzi-lo ao seu alvo. 


FONTES: 
CLOUSE, Robert G. Milênio – significado e interpretações. Campinas, Luz para o Caminho. 1990.b 
CULLMANN, Oscar. A Formação do Novo Testamento. São Leopoldo, Sinodal, 1996. 
FEE, G.D.; STUART, D. Entendes o que lês? São Paulo, Vida Nova. 1997. 
HARRINGTON, Wilfrid John. Chave para a Bíblia: a revelação: a promessa: a realização. São Paulo, Paulinas, 1985. 
SHEDD, Russel P. Escatologia do Novo Testamento. São Paulo, Vida Nova, 1983. 
SILVA, João Artur Müler da (Editor), 22 perguntas e respostas da fé. São Leopoldo, Sinodal, 2000.