terça-feira, 24 de abril de 2012

DEUS TEM UM PLANO. POR: CARLINHOS FELIX

Deus Tem um Plano
Composição: Vitorino Silva
Interpretação: Carlinhos Félix


Deus tem um plano, pra cada criatura
Aos astros Ele da um céu
A cada rio Ele da um leito
E um caminho para mim traçou.

A minha vida eu entrego a Deus
Pois o Seu Filho o entregou por mim
Não importa onde for
Seguirei meu Senhor
Sobre terra ou mar
Onde Deus mandar, irei.

Deus enumera cada grão de areia
As ondas ouvem Seu mandar
As aves em seus rumos lhe
Obedecem
Seu carinho faz abrir a flor.

A minha vida ...

Em Seu querer
Encontro paz na vida
E bençãos que já mais gozei
Embora venham lutas e tristezas
Tenho fé que Deus me guiará
A minha vida ...

sexta-feira, 20 de abril de 2012

DESCOBRINDO UMA NOVA EVANGELIZAÇÃO DO BRASIL


A evangelização no Brasil sempre esteve vinculada à educação religiosa e à expansão institucional cristã bem como do poder político, primeiro com os católicos, depois com os protestantes. 
Enquanto que para Jesus salvação significava entrar no Reino de Deus pela porta do arrependimento e da fé, no cristianismo católico ou protestante, evangelizar significou e significa, predominantemente, mais uma adesão a dogmas ou confissões de fé. E expandir o Reino confunde-se com aumentar o número de fiéis, perpetuar o poder hierárquico e centralizador das estruturas, manter um patrimônio e multiplicar os resultados financeiros. 
Aproveito a proximidade com o dia 22 de abril, data em que se comemora (ou protesta) o “descobrimento do Brasil”, para refletir sobre evangelização. Encontro-me pessoalmente envolvido numa grande mobilização dos batistas em torno do desafio de “Conquistar a Pátria para Cristo” e sinto-me no dever de refletir sobre nossa história e posicionar-me criticamente. 
Embora pretenda concentrar-me numa reflexão dentro do chamado “movimento evangélico”, e no caso batista, em particular, é imprescindível uma breve revisão da evangelização na perspectiva católica. 
Os jesuítas, missionários católicos, marcaram sua presença desde a chegada dos primeiros portugueses. A Carta de Pero Vaz de Caminha ao rei D. Manuel I, considerada a “certidão de nascimento do Brasil” inclui uma sugestão do cronista que explicita a visão católica portuguesa de aliança entre fé cristã e interesses estatais. O fragmento a seguir revela esta concepção: 

“Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ele deve lançar”. 

(A Carta, Pero Vaz de Caminha). 

Mais tarde, Pero Magalhães Gandavo reforça esta perspectiva em seu Tratado Descritivo do Brasil: 

“Alguns vocábulos há nela de que não ousam senão as fêmeas, e outros que não servem senão para os machos: carece de três letras, convém a saber, não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto por que assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei e desta maneira vivem desordenadamente sem terem além disto conta nem peso, nem medida” 

(Tratado da Terra do Brasil, Pero Magalhães Gandavo). 

Além da presença católica, durante o período colonial, o Brasil sofreu invasões francesas e holandesas. Desta vez, calvinistas traziam a visão de implantar uma nação protestante no hemisfério sul. No entanto, somente com a vinda da Família Real portuguesa no início do século XIX consolida-se a permanência da fé protestante nesta terra. Sob pressão da coroa inglesa, D. João VI decreta a tolerância religiosa aos anglicanos. Ainda na primeira metade deste mesmo século, luteranos migram para o sul do país. 
Em sua Teologia da Educação Cristã, publicada pela CPAD, Claudionor de Andrade cita o conteúdo da carta de D. João VI: 

“Sua Alteza Real, o Príncipe Regente de Portugal declara e se obriga no seu próprio nome e no nome de seus herdeiros e sucessores a que os vassalos de Sua Majestade Britânica residentes em seus Territórios e Domínios não serão perturbados, inquietados, perseguidos ou molestados por causa de sua Religião, mas, antes terão perfeita liberdade de consciência e licença para assistirem e celebrarem o serviço divino em honra do Todo-Poderoso Deus; quer seja dentro de suas casas particulares, quer nas particulares Igrejas e Capelas de Sua Alteza Real agora e para sempre graciosamente lhes concede a permissão de edificarem e manterem dentro de seus domínios e conquistas, contanto que as sobreditas capelas sejam construídas de tal maneira que o uso de sinos não lhes seja permitido”. 

A partir desta abertura, começam a chegar as igrejas evangélicas oriundas de sociedades missionárias cuja marca principal é a peregrinação. Estas missões que aqui fundaram igrejas caracterizaram-se fundamentalmente por terem uma missão clara a cumprir em terras brasileiras: evangelizar. São frequentes as referências encontradas nos manuais de história eclesiástica do Brasil com respeito a essa ênfase motivadora. 
Escrevendo Igreja – Comunidade Missionária: O Reino de Deus e o povo peregrino, pela ABU Editora, Valdir Steurnagel informa: 
“A evangelização que visa à pregação do arrependimento e conversão, do pecado para Cristo, que justifica, perdoa e salva o pecador arrependido unicamente pela graça através da fé: eis a razão de ser da vinda de muitos destes missionários”. 
A raiz deste trabalho está no labor missionário dos colportores bíblicos, que assumiram a missão de colocar a Bíblia diante dos olhos brasileiros. Eles aproveitaram o espírito reformista que pairava no seio das lideranças políticas do Brasil, muito favorável à liberdade e tolerância religiosa. E destes ministérios itinerantes surgiram frentes missionárias das quais resultaram fervorosas congregações evangélicas, da costa ao sertão. 


FONTES: 
ANDRADEE, Caludionor de. Teologia da Educação Cristã, CPAD. 
STEUERNAGEL, Valdir. Igreja – Comunidade missionária, ABU. 
AZEVEDO, Israel Belo de. A Celebração do Indivíduo. 
SOUZA, Ágabo Borges de. Cooperação como proposta de unidade no sistema convencional. O Batista Baiano, Ano LXXXI, nº 98. 
MACHADO, José Nemésio. Educação Batista no Brasil.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

EXPERIMENTE O PODER DA RESSURREIÇÃO



Fotos rasgadas na mão. Semblante de quem decidiu sair de casa depois de trinta anos de casamento. Olhos atentos do pastor que apenas ouvia os motivos. Depois de ouvido o desabafo veio a pergunta: o irmão crê na ressurreição de Cristo? Diante de um olhar curioso veio a explicação: o poder da ressurreição de Cristo alcança todas as dimensões da vida cristã.
Páscoa é tempo de celebrar as implicações da ressurreição de Cristo e a esperança dela advinda para a vida e o labor cristãos. Em 1 Coríntios 15, 1-26, 54-58, o apóstolo Paulo apresenta algumas consequências deste fato central para a fé cristã. O Evangelho recebido e pregado por ele anunciava a salvação fundamentada na realidade da Nova Criação. Ele mesmo teve um encontro pessoal com o Cristo Ressurreto. Diante da incredulidade dos líderes religiosos locais acerca da ressurreição dos mortos, ele a defendia como garantia da utilidade da pregação, da própria fé e da esperança da vitória completa sobre a morte. “Pois, se os mortos não ressuscitam, nem mesmo Cristo ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, inútil é a fé que vocês têm, e ainda estão em seus pecados. Neste caso, também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se é somente para esta vida que temos esperança em Cristo, dentre todos os homens somos os mais dignos de compaixão” (1 Coríntios 15:16-19).
O Evangelho recebido e pregado pelo Apóstolo anunciava a salvação com fundamento e conteúdo na Ressurreição de Cristo. A sua fé era firmada em evidências. “Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15:3,4). Sua pregação transmitia esta experiência. Não se tratava de comunicação com mortos, mas com o Senhor que vive eternamente. Pedro, Tiago, os Doze e tantos outros tiveram este privilégio. “e apareceu a Pedro e depois aos Doze. Depois disso apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, embora alguns já tenham adormecido. Depois apareceu a Tiago e, então, a todos os apóstolos; depois destes apareceu também a mim, como a um que nasceu fora de tempo” (1 Coríntios 15:5-8). Hoje também desfrutamos deste acesso direto com o Senhor que vive. Por isso, nossa oração, nossa prática do amor, nossos relacionamentos devem traduzir esta vida em palavras e ações. O nosso Redentor vive!
A nossa ressurreição com Cristo abriu a porta para experimentarmos o poder de Deus. O cristão pode experimentar pessoalmente uma relação como o Cristo ressurreto. Na igreja em Corinto muitos já haviam se tornado incrédulos diante da ressurreição dos mortos. Paulo combatia esta incredulidade afirmando que vivia sob o poder de Deus. A certeza de que Cristo ressuscitou sustenta nossa luta diária para viver plenamente a sua vontade. Quando uma pessoa não quer mudar pode justificar dizendo que não o pode. Para o cristão, a mudança não acontece apenas por boa vontade, mas, pelo poder do Espírito que o habita.
Se Deus ressuscitou a Jesus Cristo dentre os mortos e este é o fundamento da experiência cristã, este mesmo poder pode capacitar o cônjuge a perseverar no casamento, pais cansados a continuarem investindo no desenvolvimento dos filhos, famílias a se unirem em torno da superação de crises financeiras. Porque Cristo ressuscitou e Ele pode todas as coisas podemos viver a vida cristã vitoriosamente

segunda-feira, 2 de abril de 2012

PÁSCOA: CULTURA POPULAR VERSUS ENSINO BÍBLICO



Estamos na Semana da Páscoa, festa que ocupa lugar especial na tradição cristã. Mas, qual é o seu verdadeiro sentido? Como entender os muitos símbolos e rituais seguidos pelas pessoas? Coelho, ovos de chocolate, pão, vinho, peixe, caruru e vatapá, abstinência de carne, autoflagelação, jejuns, queima do Judas... A cultura cristã popular é muito complexa. No entanto, as pessoas perguntam a nossa opinião e convidam-nos para participar. Então, o que fazer?

Precisamos, antes de mais nada, conhecer o ensino bíblico. Para a Bíblia, a Páscoa celebra a morte e a ressurreição de Cristo, a nossa vida e liberdade diante da morte e do pecado. Para celebrar a libertação do cativeiro egípcio, os judeus imolavam um cordeiro e durante uma semana comiam pães sem fermento e ervas amargas, lembrando com isso o dia em que o anjo passou (páscoa significa “passagem”) e, vendo o sangue de cordeiro nas portas, livrou as casas dos seus pais da morte dos primogênitos. “Quando o Senhor passar pela terra para matar os egípcios, verá o sangue na viga superior e nas laterais da porta e passará sobre aquela porta; e não permitirá que o destruidor entre na casa de vocês para matá-los”. (Êxodo 12:23 NVI)

Mas, não somos judeus, somos cristãos. Por isso entendemos que, na última ceia, Jesus deu um novo sentido à tradição judaica, instituindo o memorial da sua morte e ressurreição. O Pão representava agora o corpo moído pelos nossos pecados e o vinho simbolizava o sangue derramado na sua morte sacrificial. Pão e vinho são símbolos e a ceia pascal é um memorial.

Somos cristãos, mas somos também brasileiros. O que fazer com tantos símbolos e rituais diferentes dos ensinados pela Palavra de Deus. Primeiro, nunca esqueça que o comércio usa estas épocas festivas do ano para lucrar em cima do sentimento religioso das pessoas. Segundo, nunca negligencie aos seus familiares, principalmente às crianças, o ensino bíblico da Páscoa. Ofereça à sua família condição para que ela mesma compreenda e critique a cultura popular. Por último, tenha cuidado para não escandalizar ninguém ou entrar em conflitos por causa disso. Participe dos encontros familiares com o coração aberto procurando ser regido pela paz. “Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo; aquele que assim serve a Cristo é agradável a Deus e aprovado pelos homens. Por isso, esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e à edificação mútua”. (Romanos 14:17-19 NVI)

Aproveite esses dias para meditar na salvação alcançada no sacrifício e na vitória de Cristo. Em Cristo encontramos a verdadeira liberdade. “E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará". (João 8:32 NVI) e a sua ressurreição dentre os mortos é a nossa maior esperança "Onde está, ó morte, a sua vitória? Onde está, ó morte, o seu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”. (1 Coríntios 15:55-57).