sexta-feira, 27 de abril de 2012

E-EDUCAÇÃO B-BÍBLICA E D-DINÂMICA

“EBD” pode significar também Educação Bíblica e Dinâmica. É urgente que seja pensada assim, pelo menos por um fato contundente que a brilhante educadora Yuri Watabane Dias ajudou-me a constatar: “a Escola Bíblica Dominical que recebemos foi feita para quem gosta dela”. Na direção de resgatar o valor histórico da EBD pela atualização relevante, Lécio Dornas propõe que a “Nova EBD é a EBD de sempre” em livro publicado pela JUERP. Ele apresenta a proposta de um silogismo entre a EBD tradicional e os novos métodos de crescimento de igreja gerando a “Nova EBD” como síntese desse diálogo. 
Essa reflexão sobre o legado da EBD tradicional é necessária, mas pode redundar em saudosismo. E nostalgia só atrapalha quando o desafio é pensar relevância. A EBD que recebemos é limitada, para não dizer anacrônica, quanto ao tempo, espaço, alcance e profundidade. Prende-se ao domingo, é “dominical”. Circunscreve-se no templo. Alcança apenas frequentadores e resume-se à transmissão de conceitos. 
Podemos ir além. A forma como a EBD nos foi transmitida impede o aproveitamento de todo o seu potencial. A EBD pode mais. Tem a Bíblia como livro texto, é bíblica. Alcança uma comunidade diversa, multiplicada pelos relacionamentos das famílias que a compõem. 
Creio que a EBD pode se tornar o espaço principal para a vivência da Igreja em adoração, edificação e evangelização. Aprendi com o missionário norte-americano Bruce McBee a sonhar com uma EBD que representa o único espaço no qual a igreja pode exercitar simultaneamente todos os seus dons. O apóstolo Pedro nos convoca a servir uns aos outros “conforme o dom que cada um recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (1 Pedro 4,10). 
Sonhando com essa “nova EBD de sempre”, temos como foco a atualização da tradição que recebemos, como nos ensina o Salmo 78.3-4, “O que ouvimos e aprendemos, o que nossos pais nos contaram. Não os esconderemos dos nossos filhos; contaremos à próxima geração os louváveis feitos do Senhor, o seu poder e as maravilhas que fez” 
Para tanto se nos exigirá uma priorização da educação básica, o desenvolvimento da integração comunitária, a promoção de uma formação integral e o exercício de uma ação evangelizadora. 
A EBD não substitui o lar no dever de educar religiosamente os filhos, mas é parceira da família nessa tarefa. A igreja deve providenciar espaço físico e material didático, capacitar professores com vocação específica, envolver todos os pais no departamento infantil e integrar o trabalho com crianças à vida do corpo local. 
A EBD penetra indiretamente na vida comunitária através de professores e alunos, mas também pode fazer sua culminância pedagógica em intervenções diretas na comunidade. A EBD deve priorizar a transformação de vidas permitindo que professores sejam líderes e alunos sejam influenciadores como resultado do investimento em formação continuada. 
Além de matricular todos os membros da igreja, cada classe da EBD deve manter uma lista de membros em potencial para orar e evangelizar intencional e sistematicamente. A EBD será base para mobilização da Igreja em evangelização e missões. A grande comissão também direciona-se à EBD: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mateus 28,18-20). 
Aprendi a amar a EBD que recebi, mas reconheço suas limitações. Escolhi trilhar o caminho (re) construção crítica. Rejeito a ideia de substituição. Creio que uma EBD que supere seus limites direcionando-se para seus objetivos bíblicos, quais sejam, formação integral e ação evangelizadora, será um espaço de educação bíblica e dinâmica.

terça-feira, 24 de abril de 2012

DEUS TEM UM PLANO. POR: CARLINHOS FELIX

Deus Tem um Plano
Composição: Vitorino Silva
Interpretação: Carlinhos Félix


Deus tem um plano, pra cada criatura
Aos astros Ele da um céu
A cada rio Ele da um leito
E um caminho para mim traçou.

A minha vida eu entrego a Deus
Pois o Seu Filho o entregou por mim
Não importa onde for
Seguirei meu Senhor
Sobre terra ou mar
Onde Deus mandar, irei.

Deus enumera cada grão de areia
As ondas ouvem Seu mandar
As aves em seus rumos lhe
Obedecem
Seu carinho faz abrir a flor.

A minha vida ...

Em Seu querer
Encontro paz na vida
E bençãos que já mais gozei
Embora venham lutas e tristezas
Tenho fé que Deus me guiará
A minha vida ...

sexta-feira, 20 de abril de 2012

DESCOBRINDO UMA NOVA EVANGELIZAÇÃO DO BRASIL - I


A evangelização no Brasil sempre esteve vinculada à educação religiosa e à expansão institucional cristã bem como do poder político, primeiro com os católicos, depois com os protestantes. 
Enquanto que para Jesus salvação significava entrar no Reino de Deus pela porta do arrependimento e da fé, no cristianismo católico ou protestante, evangelizar significou e significa, predominantemente, mais uma adesão a dogmas ou confissões de fé. E expandir o Reino confunde-se com aumentar o número de fiéis, perpetuar o poder hierárquico e centralizador das estruturas, manter um patrimônio e multiplicar os resultados financeiros. 
Aproveito a proximidade com o dia 22 de abril, data em que se comemora (ou protesta) o “descobrimento do Brasil”, para refletir sobre evangelização. Encontro-me pessoalmente envolvido numa grande mobilização dos batistas em torno do desafio de “Conquistar a Pátria para Cristo” e sinto-me no dever de refletir sobre nossa história e posicionar-me criticamente. 
Embora pretenda concentrar-me numa reflexão dentro do chamado “movimento evangélico”, e no caso batista, em particular, é imprescindível uma breve revisão da evangelização na perspectiva católica. 
Os jesuítas, missionários católicos, marcaram sua presença desde a chegada dos primeiros portugueses. A Carta de Pero Vaz de Caminha ao rei D. Manuel I, considerada a “certidão de nascimento do Brasil” inclui uma sugestão do cronista que explicita a visão católica portuguesa de aliança entre fé cristã e interesses estatais. O fragmento a seguir revela esta concepção: 

“Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ele deve lançar”. 

(A Carta, Pero Vaz de Caminha). 

Mais tarde, Pero Magalhães Gandavo reforça esta perspectiva em seu Tratado Descritivo do Brasil: 

“Alguns vocábulos há nela de que não ousam senão as fêmeas, e outros que não servem senão para os machos: carece de três letras, convém a saber, não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto por que assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei e desta maneira vivem desordenadamente sem terem além disto conta nem peso, nem medida” 

(Tratado da Terra do Brasil, Pero Magalhães Gandavo). 

Além da presença católica, durante o período colonial, o Brasil sofreu invasões francesas e holandesas. Desta vez, calvinistas traziam a visão de implantar uma nação protestante no hemisfério sul. No entanto, somente com a vinda da Família Real portuguesa no início do século XIX consolida-se a permanência da fé protestante nesta terra. Sob pressão da coroa inglesa, D. João VI decreta a tolerância religiosa aos anglicanos. Ainda na primeira metade deste mesmo século, luteranos migram para o sul do país. 
Em sua Teologia da Educação Cristã, publicada pela CPAD, Claudionor de Andrade cita o conteúdo da carta de D. João VI: 

“Sua Alteza Real, o Príncipe Regente de Portugal declara e se obriga no seu próprio nome e no nome de seus herdeiros e sucessores a que os vassalos de Sua Majestade Britânica residentes em seus Territórios e Domínios não serão perturbados, inquietados, perseguidos ou molestados por causa de sua Religião, mas, antes terão perfeita liberdade de consciência e licença para assistirem e celebrarem o serviço divino em honra do Todo-Poderoso Deus; quer seja dentro de suas casas particulares, quer nas particulares Igrejas e Capelas de Sua Alteza Real agora e para sempre graciosamente lhes concede a permissão de edificarem e manterem dentro de seus domínios e conquistas, contanto que as sobreditas capelas sejam construídas de tal maneira que o uso de sinos não lhes seja permitido”. 

A partir desta abertura, começam a chegar as igrejas evangélicas oriundas de sociedades missionárias cuja marca principal é a peregrinação. Estas missões que aqui fundaram igrejas caracterizaram-se fundamentalmente por terem uma missão clara a cumprir em terras brasileiras: evangelizar. São frequentes as referências encontradas nos manuais de história eclesiástica do Brasil com respeito a essa ênfase motivadora. 
Escrevendo Igreja – Comunidade Missionária: O Reino de Deus e o povo peregrino, pela ABU Editora, Valdir Steurnagel informa: 
“A evangelização que visa à pregação do arrependimento e conversão, do pecado para Cristo, que justifica, perdoa e salva o pecador arrependido unicamente pela graça através da fé: eis a razão de ser da vinda de muitos destes missionários”. 
A raiz deste trabalho está no labor missionário dos colportores bíblicos, que assumiram a missão de colocar a Bíblia diante dos olhos brasileiros. Eles aproveitaram o espírito reformista que pairava no seio das lideranças políticas do Brasil, muito favorável à liberdade e tolerância religiosa. E destes ministérios itinerantes surgiram frentes missionárias das quais resultaram fervorosas congregações evangélicas, da costa ao sertão. 


FONTES: 
ANDRADEE, Caludionor de. Teologia da Educação Cristã, CPAD. 
STEUERNAGEL, Valdir. Igreja – Comunidade missionária, ABU. 
AZEVEDO, Israel Belo de. A Celebração do Indivíduo. 
SOUZA, Ágabo Borges de. Cooperação como proposta de unidade no sistema convencional. O Batista Baiano, Ano LXXXI, nº 98. 
MACHADO, José Nemésio. Educação Batista no Brasil.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

NOSSA RESSURREIÇÃO COM CRISTO



A celebração da Páscoa deve ser vivida com a consciência das implicações da ressurreição de Cristo e a esperança dela advinda para a vida e o labor cristãos. Em I Coríntios 15, 1-26, 54-58, o apóstolo Paulo apresenta algumas consequências. 

O Evangelho recebido e pregado por ele anunciava a salvação fundamentada na realidade da Nova Criação. Ele mesmo teve um encontro pessoal com o Cristo Ressurreto (Atos 9). Diante da incredulidade dos líderes religiosos locais a cerca da ressurreição dos mortos, ele a defendia como garantia da utilidade da pregação, da própria fé e da esperança da vitória completa sobre a morte. 

A nossa ressurreição com Cristo é a possibilidade de vivermos um evangelho fundamentado no poder de Deus (1-7, 14). O Evangelho recebido e pregado pelo Apóstolo anunciava a salvação como fundamento e conteúdo na Ressurreição de Cristo. A sua fé era firma em evidências (vv. 3-4). Sua pregação transmitia esta experiência (v.14). Não se tratava de comunicação com mortos, mas com o Senhor que vive eternamente. Pedro, Tiago e tantos outros tiveram este privilégio. Nós hoje também desfrutamos deste acesso direto com o Senhor que vive. Por isso, nossa oração, nossa prática do amor, nossos relacionamentos devem traduzir esta vida em palavras e ações. O nosso Redentor vive! 

Além disso, o cristão pode experimentar pessoalmente uma relação como o Cristo ressurreto (vv 8-10,19). Os líderes da igreja em Corinto eram incrédulos diante da ressurreição dos mortos. Paulo combatia esta incredulidade afirmando que vivia sob o poder de Deus (v.15) e esse poder o capacitava a vencer pecado (v.17). A certeza de que Cristo ressuscitou sustenta nossa luta diária para vencer o pecado e suas conseqüências mortíferas. Quando uma pessoa não quer mudar pode justificar dizendo que não o pode. Para o cristão, a mudança não acontece apenas por boa vontade, mas, pelo poder do Espírito que habita-o. 

Quando vivemos esta verdade, cresce em nós a esperança de vencer completamente a morte (24-26; 31-32; 54-58). Cristo vive e nós viveremos! A sua ressurreição sustenta a espera da nossa ressurreição. Por que Cristo venceu a morte e nós a venceremos (20 e 25-26). Por que vencemos a cada dia o pecado e venceremos por fim sua implicação mais severa, própria morte (31-32,55-58). 

“Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som da trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras" (I Ts 4,16-18)”.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

A PÁSCOA COMO FESTA CRISTÃ



Coelho, ovos de chocolate, pão, vinho, peixe, caruru e vatapá, abstinência de carne, autoflagelação, jejuns, queima do Judas... Estamos na Semana da Páscoa, festa que ocupa lugar especial na tradição cristã. Mas, qual é o seu verdadeiro sentido? Como entender os muitos símbolos e rituais? 

Precisamos, antes de qualquer coisa, conhecer o ensino bíblico. Para os cristãos, a páscoa celebra a morte e a ressurreição de Cristo, a nossa vida e liberdade diante da morte e do pecado. 

Mas a festa nasceu judaica. Para celebrar a libertação do cativeiro egípcio, os judeus imolavam um cordeiro e, durante uma semana, comiam-no acompanhado de pães sem fermento com ervas amargas, com lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado nas mãos, lembrando com isso o dia em que o anjo passou (Páscoa significa passagem) e, vendo o sangue de cordeiro nas portas, livrou as casas dos seus pais da morte dos primogênitos. 

O capítulo 12 de Êxodo apresenta detalhadamente a celebração. Os versículos 13 e 14 sintetizam a mensagem central: “E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito. E este dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao SENHOR; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo”. 

Os eventos que acompanharam a morte de Jesus aconteceram paralelamente à festa da páscoa judaica. 

João 13.1 – Antes da festa da Páscoa... sabendo Jesus que era chegada sua hora. 18.28 – era de manhã.. e não se contaminaram.. para poderem comer a páscoa. 19.14 – Perante Pilatos... era a preparação da páscoa, e cerca da hora sexta. 19.31 – pois era grande aquele dia de sábado 

Na última ceia, Jesus deu um novo sentido à tradição judaica, instituindo o memorial da sua morte e ressurreição. O Pão representava agora o corpo moído pelos nossos pecados e o vinho simbolizava o sangue derramado na sua morte sacrificial. Pão e vinho são símbolos e a ceia é um memorial. Deus em Cristo revelou-se como Juiz, “passou” através da morte de Jesus, “por cima” do nosso pecado, tornando-se Redentor. Comprou para si a igreja, pelo sangue do “cordeiro pascal”. 

Como consequência desse ato divino, a comunidade cristã pode celebrar a páscoa com ousadia. Temos livre acesso ao trono da Graça de Deus, conforme Aos Hebreus, “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus” (10,19). Ou segundo o Apóstolo Pedro: “Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” (I Pe 1,19). 

Fomos resgatados pelo amor para que a nossa nova vida seja em amor. Mesmo que as lembranças do passado ou as circunstancias do presente nos atinjam provocando tristeza, podemos desfrutar da alegria perene de quem era escravo e agora é livre, era inimigo de Deus e agora é Filho amado. 

Aproveite esses dias para meditar na salvação alcançada no sacrifício e na vitória de Cristo. Em Cristo encontramos a verdadeira liberdade (João 8,36 – “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”) e a Sua ressurreição dentre os mortos é a nossa maior esperança (I Co 15,19 – “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.”). 

Por isso celebramos a páscoa, anunciando sua morte e ressurreição, até que Ele venha.