sábado, 25 de fevereiro de 2012

O POSICIONAMENTO POLÍTICO DO CRISTÃO

Política é a participação na organização da vida na polis, a cidade. Política é a arte de governar. Não somos políticos apenas nas eleições, não são políticos apenas os representantes do poder do povo manifesto nas urnas. Todos somos políticos. Até mesmo quando não nos posicionamos fazemos política. Muitas vezes a política é vista como algo negativo, em que pessoas honestas não devem se envolver. Esse pensamento deve-se em grande parte ao elevado número de políticos corruptos (infelizmente, até entre os evangélicos). Estes são os politiqueiros. 

Politicamente, a depender das escolhas pessoais, podemos encontrar desde os apolíticos até os engajados. O posicionamento político é um exercício da liberdade individual, mas as escolhas terão reflexos na vida da coletividade. É bom lembrar que nunca poderemos ser neutros na sociedade. Mesmo as atitudes passivas podem beneficiar quem está no poder. O voto em branco, por exemplo, é uma promissória assinada e entregue a quem governará os destinos das pessoas e instituições. 
Como batistas, temos uma herança protestante de afirmação da separação radical entre Igreja e Estado. No entanto, esta separação significa apenas que o Estado deve manter-se laico para garantir a liberdade religiosa e a Igreja deve evitar a interferência na administração pública para preservar as liberdades individuais. Na história dos evangélicos no Brasil, a cultura anticatólica por ser a Igreja Romana a religião oficial, criou uma visão distorcida do envolvimento político como coisa mundana ou de católico. Ao contrário dessa postura, nos Estados Unidos, país protestante, as denominações sempre participaram das questões política. Separação entre igreja e Estado não justifica omissão e negligência diante do exercício da cidadania. 
As manifestações de organização coletiva são o espaço próprio do exercício da política. Os sindicatos, as comunidades de bairro, os diretórios acadêmicos, as escolas, as organizações não-governamentais, as igrejas e denominações. O cristão deve fazer-se presente, aproveitar as oportunidades, posicionar-se diante das questões centrais para a vida da cidade e do país. Embora deva evitar o envolvimento na política eleitoral, a igreja, por sua vez, precisa responder à sociedade com relevância, sendo um referencial de Deus, assumindo sua responsabilidade social.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A PARTICIPAÇÃO DA IGREJA NAS ELEIÇÕES

O cristão, em busca de um posicionamento político coerente, deve estar atento a determinadas advertências. A começar pela consideração da eleição como um assunto sério. A negligência do eleitor é escada para políticos oportunistas. Não votar, votar em branco, votar porque o candidato é mais bonito ou porque sua música empolga mais é, no mínimo, brincar com fogo. 

Eleição também é oportunidade de santificação, combate ao pecado. Vender ou comprar voto, além de crime eleitoral é pecado. Isso deve nos causar iracúndia sagrada, pois é a principal causa da perpetuação da corrupção. A atitude dos santos no mundo deve ser crítica, de suspeita. Principalmente diante do histórico do candidato, das alianças, da família, e de quem financia a candidatura. Votar com consciência é exercer, além de um direito político, um princípio protestante (e batista): a liberdade do indivíduo. 

Toda eleição é alvo de truques e conchavos políticos e quem paga a conta no final é sempre o eleitor. Evitemos a condição de massa de manobra. O caminho mais curto para a manipulação é a confiança em políticos profissionais no poder durante anos, favorecendo apenas a parentes e correligionários. Por isso, fiquemos de olho nos grupos políticos hegemônicos. 

A igreja deve resistir à tentação dos interesses políticos partidários. Inclusive se o apoio ou indicação tratar-se de um irmão na fé. A Ideologia de que “irmão vota em irmão” precisa ser avaliada com senso crítico. Se o irmão tem vocação política, como homens e mulheres de Deus na Bíblia o tiveram, deve fazer vingar sua candidatura não porque é cristão ou membro da igreja, mas com um discurso de cunho político, sem mistura com eventos religiosos, usados como comícios. 

O pastor precisa zelar pela liberdade política dos membros da sua igreja. Quando o pastor assume uma posição político-partidária a liberdade da igreja está ameaçada. Quando um líder vende seu voto e vende a sua igreja, ambos estão desonrando a Deus que a constituiu livre e responsável. Se um pastor ou membro de igreja deseja participar de um pleito eleitoral, tem o direito garantido por Deus e pela constituição. Mas usar o nome de Deus, da igreja ou da fé para se beneficiar é agir como infiel. Ademais, negará o princípio da absoluta liberdade de consciência de cada indivíduo pertencente à comunidade local.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A IGREJA ENFRENTANDO A REALIDADE POLÍTICA

Na oração sacerdotal (João 17) Jesus afirmou que seus discípulos não eram deste mundo, não pertenciam ao sistema de valores dominados pelo mal, mas estavam no mundo e, por isso, rogava ao Pai que os livrasse do Maligno. Assim ele concluiu também a oração do Pai Nosso. Em Romanos 12,1-2, o Apóstolo Paulo apresenta-nos o desafio da renovação da mente e da transformação do mundo de acordo com a lógica de Cristo. 

No mundo com a mente de Cristo, o cristão é um agente político na cidade onde mora, no espaço onde interage. Aristóteles (384 a.C – 322 a.C) já preconizara: o homem é um animal político, um ser racional que usa sua capacidade lógica para interagir na vida social. Como agentes políticos, participantes da organização da vida da cidade, a polis, precisamos pensar e agir segundo a mente de Cristo para assumirmos um posicionamento político coerente como o Reino de Deus. A renovação da mente (noós) nos transforma, mudando o nosso ser e fazendo-nos capazes de experimentar a vontade de Deus. Assim, a nossa postura será proativa, procurando construir a sociedade de acordo com a nova criação de Deus em Cristo. 

A realidade precisa ser enfrentada. Vivemos numa democracia. A Constituição Federal concebe a República é formada pelo Estado Democrático de Direito, no qual o pluralismo partidário assegura que “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente” (CF, Art 1º). A participação no processo político eleitoral é obrigatória porque indispensável. O voto direto e secreto, com valor igual para todos, é, ao mesmo tempo, direito e dever (CF, Art 14º). Tanto pelo fundamento bíblico quanto pela lei civil, o cristão deve evitar uma postura alienada, vendida, cuidando da vida eterna como sinônimo de “vida espiritual”, no “amanhã”, no “além”, justificando com isso um individualismo irresponsável. Se temos a mente de Cristo, se somos cidadãos, com direitos e deveres, usemos os meios legítimos para transformar as estruturas de acordo com a vontade de Deus. 

Diante desse desafio, entendemos que a mente do cristão deve leva-lo à conscientização. Segundo o maior educador brasileiro, Paulo Freire, este processo se dá no confronto com a realidade. A consciência que leva a ação, que conduz sua prática de vida a um posicionamento político coerente com a vontade de Deus. Esta postura politizada envolve a prática do amor nas relações sociais, a busca da justiça do Reino de Deus, a resistência diante de qualquer expressão da maldade.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

CARNAVAL - PORQUE NÃO

O carnaval é, originalmente, uma festa religiosa. Na Bahia, entretanto, uniu-se a influências culturais profanas e é celebrado, em Salvador, como a maior festa “popular” do planeta. O poder público e a imprensa procuram resgatar tradições, geralmente ligadas às raízes africanas da festa, como os afoxés. Por que não participar? Por que não valorizar a “cultura” da nossa gente? 

A origem e o ensino católico da festa é contrário à sã doutrina bíblica. O Carnaval abre o período conhecido como quaresma, período de quarenta dias de jejum (abstinência de carne) e penitência anteriores à páscoa, um sinal de humilhação e busca de perdão diante de Deus. Na quarta-feira de cinzas o católico recebe um sinal de cruz feito com cinzas (dos ramos da páscoa anterior) e, “abandona a carne”. Carnaval vem do latim carnelevarium, que significa abandonar a carne. 
A Bíblia nos ensina que nenhum ritual ou sacrifício é capaz de alcançar a graça divina. A morte de Jesus é suficiente e nos transmite graça através da fé. Além disso, Deus espera uma atitude de contrição interior diante do pecado, da carne, e não rituais e oblações exteriores. “O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado...” (Salmos 51.17). 
Após o pecado, rebeldia e desobediência contra Deus, toda vida humana foi afetada pelo mal. Afirmamos, pela fé, a existência da “graça comum” de Deus nas manifestações culturais. Porém, mesmo com sua beleza e valor ético, cremos que a cultura pode ser um instrumento do mal, pode representar engano, ilusão, uma miragem do céu em pleno inferno. 
Por trás do Carnaval, tal qual estampa-se na tela ou na primeira página, está o tráfico internacional de drogas, o turismo sexual, a apologia ao homossexualismo, a exaltação da sensualidade como justificativa para a prostituição e o adultério. A imprensa camufla tudo isso com campanhas contra a AIDS, coleta de alimentos, destaque ao comércio ambulante etc. O som do trio elétrico, a nudez dos artistas, o discurso de reparação racial e o efeito das drogas abafam os gritos das almas que correm para a perdição. 
A etimologia hebraica do termo “inferno” (lymne tu pyrós) nos desperta: segundo a tradição, os reis Acaz e Manassés sacrificaram seus próprios filhos e promoveram este tipo de idolatria a Moloque. Durante o ritual, instrumentos musicais eram tocados para abafar os gritos das crianças. Hoje, os meios de comunicação e a arte podem servir para esconder a verdadeira realidade. 
Estas justificativas não devem levar a igreja a ignorar a realidade ou fugir dela. Oremos pelas vidas que são especiais para Deus. Oremos pela conversão desta ênfase da cultura baiana (pois ser evangélico também é ser baiano).

VIDA E PRAZER NA ESPIRITUALIDADE CRISTÃ

O que é espiritualidade cristã? Como nasce e como pode ser nutrida? Estas perguntas tornaram-se um desafio à fé cristã, que diante de um mundo em crise, é obrigada a revelar um modelo de espiritualidade inspirado no evangelho vivido, ensinado e pregado por Jesus, encarnando-o como mensagem relevante para a cultura dos nossos dias. Neste sentido, precisamos apresentar ao mundo uma tradição de fé que tenha profundidade eficaz, combatendo sempre a superficialidade da experiência individual. 

A Bíblia não nos apresenta palavras ou teorias sobre a espiritualidade. Podemos interpretar seus conteúdos sobre o tema. Mas deverá ser incluída sempre uma análise da influência que o cristianismo primitivo recebeu do Gnosticismo. Essa doutrina significou um perigo para a compreensão da Encarnação de Verbo. Segundo esse ensinamento Jesus seria somente a aparência física do Cristo de Deus e não o Deus encarnado. O Apóstolo João combateu essa influência quando ensinou a comunidade do discípulo amado: “...e o Verbo se fez carne e habitou entre nós”... (Jo 1,14-17); “...o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida” (1 Jo 1,1-4). 

A Igreja Cristã aceitou mais tarde esta orientação, Jesus de Nazaré é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus. Isso deixa-nos a confirmação de que só poderemos conhecer a Deus através da vida humana. E assim, como se revelara na criação do mundo, Deus tornara-se visível na vida humana, como Jesus Cristo, Homem-Deus. Nesta perspectiva podemos afirmar que a vida como criação de Deus revela o caminho para uma espiritualidade integral (Gênesis 1,31 - “e eis que tudo era muito bom”). 
A vida espiritual não é aquela que recebe esse adjetivo (“trabalhar em espírito”, “orgulho santo”, “praia abençoada”). A nossa espiritualidade não deve ser reduzida ao extático, ao momentâneo, ao explícito, ao barulhento. O Espírito de Deus é quem nos dá a vida, dá movimento à vida. Somos nascidos do Espírito (Jo 3,8), toda a nossa vida revela o movimento do vento do Espírito. E este vento é como o poder que impulsiona. Somos possuídos pela fé que nos toca. Não se condiciona a nada, como poderemos fugir? (Salmos 139,7). Não podemos esperar o encontro e a caminhada com o Espírito da Vida somente nos momentos devocionais, nas celebrações comunitárias, nos shows ou nos encontros. 
Mas, como nasce então essa espiritualidade? Com o mergulho na nossa própria finitude, confrontando as nossas limitações, encontrando-se com o poder da graça de Deus. Não podemos começar dos altos ideais, de cima para baixo, buscando a perfeição ideal e fugindo da imperfeição real, reprimindo a vida a partir do “é proibido”. Se começarmos assim, nos precipitaremos no abismo do esgotamento espiritual, vivendo a loucura do perfeccionismo, desejando ser como Deus. A vida espiritual não é um privilégio dos deuses, é um desafio para os humanos. Assim como o Apóstolo Paulo que declarou a sua própria falência e preferiu se alegrar na graça: “miserável homem que sou” (Rm 7,24-25); “a minha graça te basta” (2 Co 12,9). 
A espiritualidade cristã nasce com um mergulho e se mantem na relação constante com Deus. Na vida e no ministério de Jesus essa relação foi marcada pela luta e pela festa. Lutar contra os inimigos da vida para oferecer salvação a todos os homens. Contra os líderes religiosos, contra os demônios, contra os seus próprios seguidores. Jesus se retirava para orar, orava em grupo, celebrava nas sinagogas, no Templo. Essa era a luta. No entanto, a presença de Jesus era quase sempre acompanhada de festa. Casamentos. Banquetes. Viagens. Pescarias. Com os discípulos. Com publicanos e prostitutas, seus amigos. 
Isto nos ensina que a relação com Deus deve ser como um enamoramento, pautado pelo prazer responsável. O prazer de sermos quem somos e, ainda assim, amados por Deus, e de estarmos com ele em cada momento, mesmo quando não pensamos nEle, mesmo quando não estamos contritos em nosso momento devocional. 
Além do princípio da vida, este é outro princípio da nossa espiritualidade: o prazer responsável. A satisfação em contemplar os fundamentos da nossa fé como a intervenção sobrenatural de Deus na história. A virgem grávida do Espírito Santo. O Santo Jesus de Nazaré vivendo sem pecar e morrendo pelos pecados da humanidade. Sua ressurreição corporal dentre os mortos, a vitória dos salvos. Sua ascensão gloriosa aos céus para interceder à destra do Pai. Sua volta pessoal como Juiz dos vivos e dos mortos. 
Este prazer nos levará a meditar na Palavra e crescermos em oração a partir dela. Nisto o livro de Salmos insiste: o prazer em meditar na Lei do Senhor (1,2; 119); alegria com a presença de Deus na vida (16,11); saciedade da alma pela caminhada com o Senhor (Is 58,11). Assim como no namoro, o prazer da relação com Deus nos levará à autodisciplina. Precisamos de recolhimento, de solitude, de deserto, de silêncio, de meditação, de oração. 
A vida e o prazer na espiritualidade cristã nos trará a alegria perene da graça de Deus. E assim poderemos responder ao mundo que nos desafia. Precisamos viver a vida cristã sem os extremos do dever que reprime a vida e tira o prazer e do prazer que igualmente escraviza porque não respeita a vida.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

ESPERANÇA DIANTE DA VIOLÊNCIA

Temos sido expostos diariamente a um turbilhão de informações, desde troca de acusações até teorias sobre as causas da violência. Governo, mídia, polícia, opinião pública. Diante de tantos movimentos e reações, o problema toma proporções cada vez maiores e mais perigosas. A sociedade se mobiliza, a família teme e reage, e a Igreja? Qual o posicionamento adequado diante deste quadro de maldade e pecado que se concretiza em miséria e violência? O debate sobre a violência tem levantado questões relevantes para a militância da Igreja de Cristo e sua missão no mundo. Que falta fazem os profetas, como disse Ricardo Gondim. Quão necessária é a missão profética da Igreja, de enfrentamento e compromisso com esta situação real de violência. A Igreja deve encarnar a mensagem e a missão que recebeu de Deus, para denunciar o atual estado de des-graça, e anunciar as promessas da salvação que afiançarão a esperança do povo. 

O livro do profeta Oséias apresenta uma crítica cultual severa (4,1-3; 6,3 e 6). A infidelidade do povo é denunciada como prostituição e a falta de conhecimento de Deus é apontada como a causa da violência generalizada. Como porta-voz da mensagem de Deus ao povo, o profeta é convocado a encarnar a mensagem proclamada através de uma “ação simbólica”, ele foi desafiado a dramatizar sua mensagem: casar-se como uma prostituta. Isso representaria a postura do povo diante do seu Deus, a infidelidade. A coragem do profeta em viver na pele a sua mensagem desperta a Igreja hoje a reagir diante do pecado e da violência. 
Existe uma relação entre pecado e violência, um vínculo, o mal. O ser humano tem em sua natureza a presença do thanatos, o impulso para a morte, a maldade no íntimo. E este mal nasce do pecado, orgulho e egoísmo. Essa atitude humana diante do criador envolve rebeldia e desobediência. Na Bíblia o conceito de pecado está ligado a acontecimentos e situações, atitudes cotidianas, quais sejam: inveja, individualismo, interesses e vantagens próprias, omissão. O pecado leva o homem a um distanciamento de Deus e uma conseqüente ignorância diante do seu projeto para a vida humana. Assim, quem não conhece a Deus e a sua vontade deixa de ver os outros como criaturas Suas. É com o mal interior em sua relação como o pecado que atingimos o outro, tornamo-nos violentos. Do pecado e do mal surgem agressividade e possessividade. 
O mal como fenômeno histórico e cultural é concretizado pelas ações humanas concretas. Obviamente existem causas socio-históricas, tais como as desigualdades e injustiças, a concentração de renda, a formação desajustada dos grandes centros urbanos, as diferenças ideológicas e raciais. No entanto, a compreensão coerente da violência humana deve levar em conta a relevância do problema teológico que envolve a questão. Em Noé já está presente a leitura da violência a partir de uma compreensão teológica (Gn 6,5,11-12): “a imaginação dos pensamentos do coração do homem era má continuamente”(v 5). O homem estava destruindo a própria vida pela sua maldade. Em Noé, temos a tentativa de recriação através do justo, que teme a Deus e busca o seu conhecimento em família. 
O projeto de Deus para o homem é a vida e sua continuidade, como ensinava o professor Ágabo Borges em suas aulas de Antigo Testamento. Nos primeiros dois capítulos do Gênesis tem-se a síntese desta vontade criadora. E a continuidade da vida não estava somente na produção e reprodução da terra e dos seres, mas também na harmonia das relações estabelecidas do homem com Deus, com o próximo e com a natureza. O pecado quebra esta harmonia, surge, então, um problema de tripla proporção: existencial (3,10,16 e 19), comunitário (4,9) e ecológico (3,17-18). Caindo e quebrando a harmonia da sua relação com Deus, o homem perde o fundamento da sua existência (não sabe mais onde está, vive com medo e envergonhado). Isso interfere na sua relação com o próximo (o homem passa a ser invejoso) e com a natureza, o ambiente de existência. 
Só a relação ajustada com Deus, na qual o homem é criatura, imagem e semelhança, mordomo da criação, é capaz de manter o projeto divino. Através desta relação o homem conhece a vontade divina para si e sua existência. Com a Lei, instituída para a proteção da vida, orientação e preservação da liberdade, de acordo com o estudo de Frank Crüsemann, esta vontade se revela de maneira mais objetiva: “não matarás” (Ex. 20,13). Com este mandamento estava asseverada a segurança da vida do próximo e da família. O homicídio era ilegal e arbitrário. A morte violenta de um inocente era, por isso, severamente punida. Mas, este ordenança divina estende-se também para ações e atitudes cotidianas que agridem a vida e a liberdade, palavras, gestos e até o silêncio indiferente. Ou como interpreta Westminster: “Tirar a vida ou a de outrem, a negligência ou os meios lícitos ou necessários para a preservação da vida, a ira pecaminosa, o ódio, a inveja, o desejo de vingança, paixões excessivas e cuidados demasiados..., a opressão, a contenda, os espancamentos, os ferimentos e tudo o que tende à destruição da vida”. 
O profeta Oséias retoma o decálogo e acusa a falta de conhecimento de Deus como responsável pela violência em seu tempo. A igreja, por sua vez, conhecedora do projeto de Deus para a vida humana, deve se comprometer com uma agenda que inclua a intervenção eficaz na sociedade. O combate à cultura de morte que a mídia insiste em reproduzir. A denúncia do descaso do poder público constituído diante das desigualdades e injustiças sociais. As ações comunitárias de prevenção da violência contra a mulher e a criança. O desenvolvimento de estratégias para alcançar jovens que se lançam na delinqüência. A valorização incondicional da vida humana através da vivência em comunhão e da prática dos valores do Reino de Deus, fonte da nossa esperança. A leitura do profeta Oséias bem como de sua releitura do decálogo e do projeto de Deus desperta-nos para o resgate necessário da missão profética da Igreja de Cristo: denunciar o pecado e anunciar a esperança, num mundo violento.

APRESENTAÇÃO DO CURSO "FÉ NA PREVENÇÃO"

Caríssimos (as),


Iniciei esta semana o CURSO: FÉ NA PREVENÇÃO e passarei a divulgar aqui o material e as experiências objetivando a socialização e o despertamento. Acompanhem também nas redes sociais:
Twitter: @petronioborges
Facebook: Petronio Borges
Orkut: Petronio&Ana Borges
Mensseger: petronioborges2@hotmail.com

APRESENTAÇÃO

O curso Prevenção do Uso de Drogas em Instituições Religiosas e Movimentos Afins – “Fé na Prevenção” é promovido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD) órgão integrante do Ministério da Justiça, é executado pela Unidade de Dependência de Drogas (UDED) do Departamento de Psicobiologia e pelo Departamento de Informática em Saúde (DIS) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), e objetiva capacitar 5000 (cinco mil) pessoas de todo o Brasil, que desempenham papel de lideranças religiosas ou que atuam em movimentos afins, para ações de prevenção do uso de drogas e outros comportamentos de risco, bem como na abordagem de situações que requeiram encaminhamento às redes de serviço. 
O conteúdo programático do curso aborda diversas temáticas relacionadas ao conceito e à classificação de drogas, além de técnicas de abordagem, Intervenção Breve, formas de encaminhamento e Entrevista Motivacional na prevenção do uso de álcool e/ou outras drogas.
Terá início dia 6 de Fevereiro de 2012 o curso Fé na Prevenção 2ª edição onde foram selecionados cinco mil candidatos entre aproximadamente dez mil inscrições para realizar o curso.
O curso é apresentado como um programa de Educação Continuada a Distância. Sua proposta pedagógica foi baseada principalmente na concepção de autoaprendizagem, considerando os líderes religiosos como estudantes autônomos para conduzir o próprio processo de aprendizagem, definir o ritmo de estudo e suas prioridades, estabelecer suas próprias relações contextuais e tirar suas conclusões para a vida prática.A abordagem utilizada possibilita, ainda, que os líderes religiosos consultem materiais complementares e troquem ideias com outros participantes e com a equipe da tutoria, que estará acompanhando de perto seu processo de aprendizagem.



sábado, 4 de fevereiro de 2012

PERDÃO QUE GERA ESPERANÇA

Deus é capaz de transformar a tragédia do pecado numa história de esperança. A esperança para a humanidade perdida no pecado está no perdão de Deus. 
O profeta Miquéias expõe a ruína de Israel como consequência do pecado que se tornara universal (“ Pereceu da terra o homem piedoso; e entre os homens não há um que seja reto” - 7,2) e suplica por misericórdia esperando no sublime perdão de Deus. 
Miquéias mostra como a degeneração espiritual levaria inevitavelmente ao julgamento sobre toda a terra. A nação de Judá estava prestes a cair, a não ser que se voltasse para Deus, arrependendo-se de todo coração. 
O estilo da literatura profética conjuga denuncia e anuncio. As ameaças provem do pecado. A esperança tem âncora na misericórdia de Deus. Para a situação mais desesperadora do homem diante das conseqüências do pecado, Deus tem no seu perdão uma resposta esperançosa. E este perdão apresenta, conforme a profecia de Miquéias, aspectos distintivos: 
É INCOMPARÁVEL. Manifesta o caráter amoroso de Deus para com o pecador. “Quem é Deus semelhante a ti... que perdoas a iniqüidade... se deleita na benignidade” – (v. 18) 
É DEFINITIVO. Neutraliza a crueldade da memória do pecado na vida do pecador. “Tu lançarás todos os nossos pecados nas profundezas do mar” (v.19). 
É LEAL. Afirma a fidelidade de Deus em cumprir o seu pacto salvífico. “... conforme juraste a nossos pais desde os dias antigos” (v.20). 
Este conceito de perdão é encontrado na belíssima música de Silvestre Silvestre Kuhllmann, O Riso de Adão: 
"Oh! Bondade sem fim, bondade imensa
Tiras de tanto mal um bem tamanho?
Tu transformaste em luz a treva densa
E até do meu pecado causas ganho?" 
Seja qual for o estado do pecador Deus é capaz de perdoá-lo quando verdadeiramente arrependido. "O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia" (Provérbios 28: 13). Isso faz-nos olhar para o passado como alívio e para o futuro com esperança. Quando o pecador sente-se perdoado torna-se capaz de experimentar leveza interior e paz nos relacionamentos, pois o perdão gera esperança.