sábado, 25 de fevereiro de 2012

O POSICIONAMENTO POLÍTICO DO CRISTÃO

Política é a participação na organização da vida na polis, a cidade. Política é a arte de governar. Não somos políticos apenas nas eleições, não são políticos apenas os representantes do poder do povo manifesto nas urnas. Todos somos políticos. Até mesmo quando não nos posicionamos fazemos política. Muitas vezes a política é vista como algo negativo, em que pessoas honestas não devem se envolver. Esse pensamento deve-se em grande parte ao elevado número de políticos corruptos (infelizmente, até entre os evangélicos). Estes são os politiqueiros. 

Politicamente, a depender das escolhas pessoais, podemos encontrar desde os apolíticos até os engajados. O posicionamento político é um exercício da liberdade individual, mas as escolhas terão reflexos na vida da coletividade. É bom lembrar que nunca poderemos ser neutros na sociedade. Mesmo as atitudes passivas podem beneficiar quem está no poder. O voto em branco, por exemplo, é uma promissória assinada e entregue a quem governará os destinos das pessoas e instituições. 
Como batistas, temos uma herança protestante de afirmação da separação radical entre Igreja e Estado. No entanto, esta separação significa apenas que o Estado deve manter-se laico para garantir a liberdade religiosa e a Igreja deve evitar a interferência na administração pública para preservar as liberdades individuais. Na história dos evangélicos no Brasil, a cultura anticatólica por ser a Igreja Romana a religião oficial, criou uma visão distorcida do envolvimento político como coisa mundana ou de católico. Ao contrário dessa postura, nos Estados Unidos, país protestante, as denominações sempre participaram das questões política. Separação entre igreja e Estado não justifica omissão e negligência diante do exercício da cidadania. 
As manifestações de organização coletiva são o espaço próprio do exercício da política. Os sindicatos, as comunidades de bairro, os diretórios acadêmicos, as escolas, as organizações não-governamentais, as igrejas e denominações. O cristão deve fazer-se presente, aproveitar as oportunidades, posicionar-se diante das questões centrais para a vida da cidade e do país. Embora deva evitar o envolvimento na política eleitoral, a igreja, por sua vez, precisa responder à sociedade com relevância, sendo um referencial de Deus, assumindo sua responsabilidade social.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A PARTICIPAÇÃO DA IGREJA NAS ELEIÇÕES

O cristão, em busca de um posicionamento político coerente, deve estar atento a determinadas advertências. A começar pela consideração da eleição como um assunto sério. A negligência do eleitor é escada para políticos oportunistas. Não votar, votar em branco, votar porque o candidato é mais bonito ou porque sua música empolga mais é, no mínimo, brincar com fogo. 

Eleição também é oportunidade de santificação, combate ao pecado. Vender ou comprar voto, além de crime eleitoral é pecado. Isso deve nos causar iracúndia sagrada, pois é a principal causa da perpetuação da corrupção. A atitude dos santos no mundo deve ser crítica, de suspeita. Principalmente diante do histórico do candidato, das alianças, da família, e de quem financia a candidatura. Votar com consciência é exercer, além de um direito político, um princípio protestante (e batista): a liberdade do indivíduo. 

Toda eleição é alvo de truques e conchavos políticos e quem paga a conta no final é sempre o eleitor. Evitemos a condição de massa de manobra. O caminho mais curto para a manipulação é a confiança em políticos profissionais no poder durante anos, favorecendo apenas a parentes e correligionários. Por isso, fiquemos de olho nos grupos políticos hegemônicos. 

A igreja deve resistir à tentação dos interesses políticos partidários. Inclusive se o apoio ou indicação tratar-se de um irmão na fé. A Ideologia de que “irmão vota em irmão” precisa ser avaliada com senso crítico. Se o irmão tem vocação política, como homens e mulheres de Deus na Bíblia o tiveram, deve fazer vingar sua candidatura não porque é cristão ou membro da igreja, mas com um discurso de cunho político, sem mistura com eventos religiosos, usados como comícios. 

O pastor precisa zelar pela liberdade política dos membros da sua igreja. Quando o pastor assume uma posição político-partidária a liberdade da igreja está ameaçada. Quando um líder vende seu voto e vende a sua igreja, ambos estão desonrando a Deus que a constituiu livre e responsável. Se um pastor ou membro de igreja deseja participar de um pleito eleitoral, tem o direito garantido por Deus e pela constituição. Mas usar o nome de Deus, da igreja ou da fé para se beneficiar é agir como infiel. Ademais, negará o princípio da absoluta liberdade de consciência de cada indivíduo pertencente à comunidade local.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A IGREJA ENFRENTANDO A REALIDADE POLÍTICA

Na oração sacerdotal (João 17) Jesus afirmou que seus discípulos não eram deste mundo, não pertenciam ao sistema de valores dominados pelo mal, mas estavam no mundo e, por isso, rogava ao Pai que os livrasse do Maligno. Assim ele concluiu também a oração do Pai Nosso. Em Romanos 12,1-2, o Apóstolo Paulo apresenta-nos o desafio da renovação da mente e da transformação do mundo de acordo com a lógica de Cristo. 

No mundo com a mente de Cristo, o cristão é um agente político na cidade onde mora, no espaço onde interage. Aristóteles (384 a.C – 322 a.C) já preconizara: o homem é um animal político, um ser racional que usa sua capacidade lógica para interagir na vida social. Como agentes políticos, participantes da organização da vida da cidade, a polis, precisamos pensar e agir segundo a mente de Cristo para assumirmos um posicionamento político coerente como o Reino de Deus. A renovação da mente (noós) nos transforma, mudando o nosso ser e fazendo-nos capazes de experimentar a vontade de Deus. Assim, a nossa postura será proativa, procurando construir a sociedade de acordo com a nova criação de Deus em Cristo. 

A realidade precisa ser enfrentada. Vivemos numa democracia. A Constituição Federal concebe a República é formada pelo Estado Democrático de Direito, no qual o pluralismo partidário assegura que “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente” (CF, Art 1º). A participação no processo político eleitoral é obrigatória porque indispensável. O voto direto e secreto, com valor igual para todos, é, ao mesmo tempo, direito e dever (CF, Art 14º). Tanto pelo fundamento bíblico quanto pela lei civil, o cristão deve evitar uma postura alienada, vendida, cuidando da vida eterna como sinônimo de “vida espiritual”, no “amanhã”, no “além”, justificando com isso um individualismo irresponsável. Se temos a mente de Cristo, se somos cidadãos, com direitos e deveres, usemos os meios legítimos para transformar as estruturas de acordo com a vontade de Deus. 

Diante desse desafio, entendemos que a mente do cristão deve leva-lo à conscientização. Segundo o maior educador brasileiro, Paulo Freire, este processo se dá no confronto com a realidade. A consciência que leva a ação, que conduz sua prática de vida a um posicionamento político coerente com a vontade de Deus. Esta postura politizada envolve a prática do amor nas relações sociais, a busca da justiça do Reino de Deus, a resistência diante de qualquer expressão da maldade.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

APRESENTAÇÃO DO CURSO "FÉ NA PREVENÇÃO"

Caríssimos (as),


Iniciei esta semana o CURSO: FÉ NA PREVENÇÃO e passarei a divulgar aqui o material e as experiências objetivando a socialização e o despertamento. Acompanhem também nas redes sociais:
Twitter: @petronioborges
Facebook: Petronio Borges
Orkut: Petronio&Ana Borges
Mensseger: petronioborges2@hotmail.com

APRESENTAÇÃO

O curso Prevenção do Uso de Drogas em Instituições Religiosas e Movimentos Afins – “Fé na Prevenção” é promovido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD) órgão integrante do Ministério da Justiça, é executado pela Unidade de Dependência de Drogas (UDED) do Departamento de Psicobiologia e pelo Departamento de Informática em Saúde (DIS) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), e objetiva capacitar 5000 (cinco mil) pessoas de todo o Brasil, que desempenham papel de lideranças religiosas ou que atuam em movimentos afins, para ações de prevenção do uso de drogas e outros comportamentos de risco, bem como na abordagem de situações que requeiram encaminhamento às redes de serviço. 
O conteúdo programático do curso aborda diversas temáticas relacionadas ao conceito e à classificação de drogas, além de técnicas de abordagem, Intervenção Breve, formas de encaminhamento e Entrevista Motivacional na prevenção do uso de álcool e/ou outras drogas.
Terá início dia 6 de Fevereiro de 2012 o curso Fé na Prevenção 2ª edição onde foram selecionados cinco mil candidatos entre aproximadamente dez mil inscrições para realizar o curso.
O curso é apresentado como um programa de Educação Continuada a Distância. Sua proposta pedagógica foi baseada principalmente na concepção de autoaprendizagem, considerando os líderes religiosos como estudantes autônomos para conduzir o próprio processo de aprendizagem, definir o ritmo de estudo e suas prioridades, estabelecer suas próprias relações contextuais e tirar suas conclusões para a vida prática.A abordagem utilizada possibilita, ainda, que os líderes religiosos consultem materiais complementares e troquem ideias com outros participantes e com a equipe da tutoria, que estará acompanhando de perto seu processo de aprendizagem.