sexta-feira, 5 de outubro de 2012

TEOLOGIA E TEOLOGIAS - ENTENDENDO A DINÂMICA



Muito embora exista uma conceituação teologia aceita na tradição cristã, conforme procuramos resumir em outra postagem (Conceito de Teologia), é inevitável ao conhecimento teológico uma multiplicidade dos vários sistemas. Essa variedade desafia do teólogo em sua tarefa de encarnação num determinado contexto. Ao encarnar a mensagem cristã na cultura do povo que o recebe, fatalmente o teólogo ampliará essa diversidade no próprio exercício do pensamento teológico. 

Em sua Antropologia Teológica, Batista Mondim identifica que a disparidade dos paradigmas teológicos emana da própria natureza da teologia. Ele destaca dois princípios supremos nos quais se estrutura o trabalho do teólogo: o arquitetônico e o hermenêutico.

O princípio arquitetônico é o mistério da revelação, registrado nas Escrituras e fundamento para outros mistérios e eventos da história da salvação. O princípio hermenêutico está baseado na razão, e parte da filosofia para a compreensão e interpretação da fé. Tanto um quanto o outro são passíveis de múltiplas versões. São muitos os mistérios bem como várias as visões filosóficas.

Assim, a escolha dos princípios supremos definirá toda a natureza da teologia a ser desenvolvida. Na história da teologia encontramos vários desdobramentos. Na Antiguidade e no Período Medieval, a teologia católica dividiu-se a partir do princípio hermenêutico em patrística e escolástica, a primeira com a filosofia platônica e a segunda com a aristotélica.

Na teologia contemporânea, o pluralismo teológico deve-se à escolha destes princípios. A divergência e originalidade de teólogos e correntes podem ser verificadas ao longo do século XX. As principais visões teológicas desse período foram: teologia radical ou “da morte de Deus”, teologia da esperança, teologia da práxis ou política e teologia da cruz. Mondim faz uma exposição sintética destas correntes em seu texto.

Para este teólogo, as teologias nascem da exigência de adequar a mensagem cristã à perspectiva própria de uma determinada geração ou de um ambiente cultural particular, que se encontra refletida na filosofia desenvolvida naquele ambiente. As teologias nascem da teologia em função da vocação missionária da Igreja, a vocação de encarnar a mensagem cristã no mundo. Contudo, ao estudarmos as várias teologias, não podemos abandonar o conceito de teologia cristã, sobretudo no que diz respeito à centralidade da revelação escriturística.