quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

RENAS BAHIA PROMOVE ENCONTRO EM CAMAÇARI






Estes foram os resultados do 1º Encontro RENAS Bahia, realizado no fim de novembro, com o tema “Igreja e Participação Social”

Com o tema “Igreja e Participação Social” aconteceu, nos dias 29 e 30 de novembro, na 2ª Igreja Batista em Camaçari, o 1º Encontro Estadual da RENAS BAHIA. Após dois anos de formada, esta foi a primeira vez que a rede se reuniu em um tempo maior e em um evento que incluiu capacitação, comunhão e encorajamento.

Tivemos como preletores Marcel Camargo, do CADI/BRASIL, Nenrod Douglas, pastor da IPI e Diretor da Rede Praxis: Gestão Sustentável, Jasf Andrade, da Visão Mundial e Coordenador Estadual do MJPOP e Lucy Luz, articuladora estadual do Movimento Bola na Rede. Além disso, o encontro teve um toque artístico especial, com a participação do músico, poeta e missionário Roberto Diamanso.

A partir do tema geral, os preletores discorreram sobre a missão da igreja como comunidade diacônica, participação em conselhos, participação em políticas públicas. Além disso, também foi realizado o painel “RENAS 10 anos – Caminhos para a Atuação Social da Igreja Evangélica no Brasil”. Para completar, tivemos um tempo especial para a apresentação do Bola na Rede e da metodologia do MJPOP (Monitoramento Jovem de Políticas Públicas).

O grupo coordenador da RENAS/BA considerou o encontro um avanço, pois proporcionou uma participação maior de novas igrejas e organizações. Além disso, tivemos novas filiações, como o Instituto Carvalhos de Justiça, da cidade de Mata de São João. Na ocasião ficou estabelecido o planejamento para 2014, com as seguintes ações:

- Maio: Encontros Regionais (Renas Bahia Sul e Metropolitana); participação dos eventos do dia 18 de maio com a vacinação pelos bons tratos;

- Junho: participação no Mutirão Mundial de Oração e Ações do Bola na Rede (Copa do Mundo);

- Setembro: participação no Encontro Nacional da Renas;

- Outubro: 2º Encontro Estadual da Renas Bahia.

Acima de tudo, podemos dizer que saímos do Encontro mais fortalecidos, encorajados e com a firme convicção de que vale a pena continuar lutando para manifestar a Justiça do Reino em nossas comunidades.

___________
Silas Santana, coordenador da RENAS Bahia.

domingo, 15 de setembro de 2013

HINO DO COLÉGIO TAYLOR-EGÍDIO - JAGUAQUARA-BA





"Quem se educa não teme barreiras,

Quem se instrui há de ser vencedor,

Haja Sol, haja trevas na estrada,

O saber jamais perde o valor".



Stela Câmara Dubois

terça-feira, 20 de agosto de 2013

ROOKMAAKER - PALAVRANTIGA




Eu leio Rookmaaker, você Jean-Paul Sartre

A cidade foi tomada pelos homens
Na cidade dos homens tem gente que consegue ler,
Mas os outros estão néscios pra Ti.
Eu canto Keith Grenn, você canta o quê?
A cidade está cheia de sons
Na cidade dos homens tem gente que consegue ouvir,
Mas os outros estão surdos pra Ti.
Vem, jogando tudo pra fora
A verdade apressa minha hora
Vem, revela a vida que é nova
Abre os meus olhos agora
Eu fico com a escola de Rembrandt, você no dadaísmo de Berlim
A cidade está cheia de tinta
Na cidade dos homens tem gente que consegue ver,
Mas os outros estão cegos pra Ti.
Eu monto o paradoxo no palco
Você anda zombando da Cruz.
A cidade está cheia de atores
Na cidade dos homens tem gente que consegue dizer,
Mas os outros estão mudos pra Ti.
Vem, jogando tudo pra fora
A verdade apressa minha hora
Vem, revela a vida que é nova
Abre os meus olhos agora
Toda vez que procuro pra mim algo pra ler, ouvir, olhar e dizer,
Senhor sabe o que eu quero
Não me furto a certeza: és a Vida que eu quero

quinta-feira, 25 de julho de 2013

FAMÍLIA: DO CAOS PARA DEUS

Foto: O amor não envelhece, permanece.

O Deus Eterno parece preferir uma ação na história que segue a direção do caos para o cosmos, de uma condição de autodestruição para a esperança de salvação. Com relação à família também percebemos esse modo de agir.


Abraão é chamado para a constituição de um povo através do qual Deus se revelaria plenamente em Seu Filho. Na Mesopotâmia, a poligamia era uma prática comum, mas Deus estabeleceu para Israel um princípio salvador: o casamento monogâmico, duradouro e indissolúvel. A descendência do Patriarca é convidada a conhecer a revelação de Deus através desse modelo de casamento.

Se for possível resumir, nos dois testamentos, a mensagem central da Bíblia para a família, diríamos que, no Antigo Testamento, a família é uma instituição divina que encontra no casamento sua base. Já o Novo Testamento apresenta a família de Jesus como modelo para todas as famílias.

Especialistas de diversas áreas discutem a definição de família e parece haver o consenso em torno do que se pode chamar de conceito dinâmico de família. Evita-se a definição por laços de sangue ou registro civil e caminha-se para o entendimento de que é família quem compartilha de vínculos de intimidade doméstica.

Essa compreensão, quando parte do pressuposto de que a família é resultado da evolução histórica das sociedades, por razões econômicas ou instintos da espécie, abre possibilidades para se aceitar qualquer formação familiar, inclusive homossexual ou poligâmica.

Por outro lado, assumindo como pressuposto a Autoridade e a Suficiência das Escrituras, a família é definida pela ação divina na Criação, do homem e da mulher, sendo sua constituição mais fundamental, o casamento. 

"Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne" (Gênesis 2:24). 

Jesus retomou este princípio quando ensinou acerca do divórcio: 

"Ele respondeu: "Vocês não leram que, no princípio, o Criador ‘os fez homem e mulher’ e disse: ‘Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’? (Mateus 19:4-5)

No entanto, mesmo tendo constituído a família a partir do casamento entre homem e mulher, até sua dissolução pela morte, base da nação de Israel, Deus age sempre do Caos para Si, atrai para Ele mesmo o que é autodestrutivo, chama o que se perdeu, para uma vida plena e satisfeita nEle. 

Na plenitude dos tempos, Deus revelou de forma completa Sua Vontade para todas as famílias da Terra. 

"Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da lei". (Gálatas 4:4). 

Seja qual for a constituição da sua família hoje, olhe para a família de Jesus e veja o que Deus planejou para todos nós.

Há quem decida ver nas contradições e vícios da chamada "família tradicional" o seu atestado de falência. A Bíblia, por outro lado, além de não esconder a sujeira embaixo do tapete da vergonha, deixa claro que a salvação da família está exatamente nesse movimento que leva do caos para o próprio Deus. 

Os exemplos de mentiras, traições e fracassos registrados nas Escrituras confirmam que só existe uma possibilidade de saúde e integridade para a família: Deus. Basta percorrer as entrelinhas da própria genealogia de Jesus para constatar que o propósito de Deus era fazer da família de Jesus, ou de Jesus numa família, a salvação da humanidade. 

Na Bíblia a família é definida assim: uma instituição divina que tem na experiência de Jesus seu modelo por excelência.

Por isso, convido você, que assim como eu, não foi criado numa família perfeita, nem constitui uma família perfeita (simplesmente porque não existe família perfeita) a crer e celebrar o fato de que Deus está levando nossas famílias do caos do pecado e da morte para Ele mesmo. Ele é a fonte de integridade e alegria perene para nossas famílias.

terça-feira, 23 de julho de 2013

NEM PAPA, NEM APÓSTOLO



Aproveitando a vinda do Papa ao Brasil:

A instituição do papado foi confrontada na Reforma Protestante pelo princípio da autoridade e suficiência das Escrituras. Através da Bíblia a Igreja libertou-se do controle da fé pelo sacerdócio e sacramentos. A liberdade na relação com Deus era a maior demanda.


Contraditoriamente, os herdeiros da Reforma temos abandonado esse referencial. O que o Papa representa para os católicos romanos, os "Apóstolos" o são para os neo-pentecostais. E isso tem influenciado até mesmo igrejas históricas. Líderes procuram o controle sobre a vida espiritual das pessoas, querem ser o seu "Pai".

Apresentam-se como portadores de uma "unção" especial capaz de curar ou enriquecer. Tornam-se ídolos. Lamentavelmente, a Igreja Católica Apostólica Romana não mudará, mas os evangélicos, incluindo os batistas, tem mudado, abandonando a democratização da presença e ação do Espírito Santo para uma crescente centralização e autoritarismo.

Convido você a uma atitude: afaste-se de líderes que se autodenominam detentores de um poder capaz de lhe oferecer "cobertura espiritual". Isso é engodo! Assim como Lutero, grande reformador, diga: cada homem é "padre" de si mesmo; o justo viverá da fé, Solus Christus.

Eis o que a Bíblia nos ensina:

Jesus de Nazaré é o único ungido. "O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu" - Lucas 4:18

A vida espiritual do Cristão é Cristo. "Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer"João 15:5

O seu espírito é um lugar sagrado onde Cristo habita pelo Espírito Santo. Nem Papa, nem Apóstolo, nem qualquer outro ídolo cabe nesse espaço.

Soli Deo Gloria.

domingo, 7 de julho de 2013

GRATIDÃO A DEUS PELOS 10 ANOS DE CASAMENTO E MINISTÉRIO





Nossa gratidão a Deus pelos 10 anos de Casamento e Ordenação Pastoral.
Selecionamos estas fotos para servirem de lembrança das pessoas e experiências que marcaram esses dez anos de casamento e ordenação pastoral. Muitas outras não puderam ser incluídas por conta do espaço no vídeo, mas continuam no coração.

Música: 
"Tempo de agradecer" 
do CD "Louvor ao Doador da Vida" 
de Silvestre Kuhlmann

sábado, 11 de maio de 2013

HOMENAGEM A MAINHA



Prefere ser chamada de Nide. Mulher rara de se encontrar. Mulher de Deus. Cresceu sem conhecer o pai e só resolveu seus conflitos com a mãe meses antes desta perder a memória, dois anos antes de morrer. Mas, conseguiu sobreviver até diante desse duro golpe. Seu corpo traz as marcas, sua alma também. Mas ela continua encantando quem não a conhece e emocionando quem com ela caminha pelas veredas da vida.

Nesta véspera de mais um dia das mães, não pude deixar de pensar um só segundo na pessoa extraordinária que Deus, pela arte de ser gracioso, me presenteou como mãe. E pensei numa forma de sintetizar o que ela significa para minha vida. Pensei ainda no legado que percebo naturalmente se transportar para o ministério pastoral. Esses valores aprendidos de forma líquida, como o leite, são um desafio para a lide de um Cura D’almas:

Mainha, com você aprendi, e tento praticar, a generosidade.

Cresci numa casa de portas abertas e fui percebendo que era resultado de um coração sempre aberto para amar. Muita gente entrando e saindo, principalmente aos sábados, dia de feira, e na época de eleições. Portas abertas também para permitir que saísse a qualquer hora para cuidar de um vizinho doente, uma família enlutada, alguém precisando de apoio numa viagem, em fim, as portas abertas da generosidade.

Mainha, com você aprendi, e tento imitar, a coragem.

Ainda não conheci de perto alguém tão disposta a enfrentar dificuldades, tragédias e até injúrias. Incêndio na infância, enchentes ao longo da vida, perdas e traições. Coragem para se refazer e se reinventar, sobreviver, olhar para frente e para cima. Coragem para mudar, recomeçar, reconhecer os erros. Coragem de uma mulher que ao longo da vida sempre deu mais do que recebeu.

Mainha, com você aprendi, e tento perpetuar, a.

Quantas vezes o dia seguinte não inspirava nenhuma esperança, mas sempre se ouvia sua voz repetir alguma oração, mesmo que em forma de gemidos. Uma mulher de fé que sabe chorar diante do seu Deus, sabe reconhecer que Ele é bom mesmo diante da dor, que vive ancorada na certeza de que o seu Redentor Vive. Fé que muitas vezes me libertou da paralisia ou da confusão.

Esta é minha homenagem no diminutivo mainha porque o texto não cabia tanto superlativo. Minha homenagem em forma de compromisso de viver de modo digno do amor que recebi. Jamais poderei dizer que não sou uma pessoa amada, que não confia na vida ou não se vê positivamente. Basta lembrar de todo carinho que recebo até hoje e sei que enquanto Deus me conceder o privilégio de sua existência sempre terei. Muito obrigado pelo exemplo de generosidade, coragem e fé. Muito obrigado por existir.

Júnior

quinta-feira, 9 de maio de 2013

UM PASTOR NO TERCEIRO SETOR


Assumi o pastorado da PIBCATU em janeiro de 2011. O chamado para este ministério trouxe consigo o desafio de iniciar uma jornada, ao mesmo tempo inédita e desafiadora, no campo da gestão social.

Há mais de 40 anos a PIBCATU está envolvida no Terceiro Setor, como é designado o campo de atuação das organizações da sociedade civil, as iniciativas privadas de interesse público. Depois de começar com um simples clube de mães a Igreja fundou a Sociedade Cristã de Educação – SOCE, mantenedora da Escola Educacional Batista – EEB. 


No inicio da gestão escrevi uma carta de apresentação para os associados cadastrados depois da reforma do estatuto social. 

Esta Escola se notabilizou na cidade e tornou-se uma referência, principalmente na educação infantil. Recebeu o título de utilidade pública municipal e hoje, a presença da igreja na cidade é fortalecida pela Escola na vida dos alunos e suas família, passando a ter influência na vida do município na medida em que essas crianças cresceram e começaram a participar da vida pública. 

Encontrei essa realidade ao chegar e me vi diante do desafio de conjugar, com a função pastoral, atribuições de gerenciamento de entidades beneficentes. Como pastor, sentia-me preparado para liderar uma igreja, mas o que se exigia ia além. 

Entendi que ninguém sozinho é dotado de todas as 
competências e habilidades e precisava conhecer potenciais a serem explorados e limitações a serem enfrentadas na minha formação. Por isso, tem sido um exercício de muita dependência de Deus, de estudo e reflexão contínua assim também de humildade para aprender o novo a todo o momento. 

Com esta disposição tenho enfrentado a realidade difícil a que se submetem as organizações da sociedade civil no Brasil. A relação entre o Estado, os contribuintes-beneficiários e as entidades beneficentes impõe severas exigências a qualquer organismo que pretende atuar na área. Queremos oferecer gratuitamente a mão a quem está vulnerável. Mas o Estado é que determina quem são os beneficiários e para conceder o desconto em impostos escorchantes faz exigências que nem mesmo os governos cumprem. 

Por isso, a permanência da PIBCATU na atuação social depende de uma reformulação completa do seu projeto, uma adequação às exigências legais para o terceiro setor e o cumprimento de obrigações rígidas e pesadas. Diante desse quadro, venho refletindo sobre a posição de um pastor à frente de uma organização do Terceiro Setor ou na liderança de projetos sociais e identifico três posturas que tem servido de balizamento para decisões nesta área: 


1 – AGIR DE ACORDO COM A VISÃO BÍBLICA PARA A RELAÇÃO IGREJA-ESTADO. 

A causa para os principais problemas de igrejas que atuam no Terceiro Setor com a Receita Federal e os órgãos de controle e regulamentação está nas distorções teológicas, na interpretação bíblica equivocada.

terça-feira, 19 de março de 2013

PELO PRAZER DE CHAMAR DEUS DE PAI


“Eu também sou filho de Deus!”. Essa exclamação comum quer reivindicar alguma permissão ou pleitear algum benefício. Mas, pode também revelar um anseio comum ao ser humano de desenvolver um relacionamento de filiação com alguma divindade. O cristianismo responde a esta aspiração. Os cristãos receberam da tradição judaica a compreensão de que a vida espiritual ou religiosa deve partir desta perspectiva, “de Pai para filho”. Devemos desfrutar do relacionamento que Deus quer ter conosco. O Deus que se torna Pai ao criar o ser humano, “Pai das criaturas”. O Deus “Pai da nação” de Israel desde o chamado a Abraão para ser “Pai de nações”. 

A melhor definição para “Deus” está nas palavras de Jesus: “Pai nosso”. Inspiram-me muito as saudações de Paulo em suas cartas apostólicas: “Deus nosso Pai” ou “Pai do Senhor Jesus Cristo”. Talvez seja até mais significativo meditar nesta filiação espiritual tomando Deus simplesmente como “Pai de Jesus de Nazaré”. Quando inquirido pelos discípulos sobre a oração, Ele ensinou: orem chamando Deus de “Pai”. Este convite sublime nos encaminha para uma vida de fé que se aproxima da intimidade da Sua relação enquanto Filho de Deus que encarna o amor eterno do Pai. 

Através de Jesus, “O Filho”, podemos nos tornar “Filhos de Abba” como brincou Israel Belo de Azevedo citando Gálatas 4,4-7. Citando este texto e relacionando-o com Romanos 8,12-17, ele argumenta em sua conclusão: “Sem a graça somos filhos por geração (criação). Com a graça, somos filhos por adoção, pela reconciliação. A filiação é um dom de Abba, não um prêmio merecido pelo filho (verso 12). Esta filiação foi promulgada na cruz, quando Jesus perguntou ao Pai: "Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste". Ali houve uma troca: Jesus foi deserdado como Filho, e nós assumimos o lugar de filhos. A filiação se torna efetiva com a aceitação da graça oferecida” (http://www.prazerdapalavra.com.br). 

“Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da Lei, a fim de redimir os que estavam sob a Lei, para que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vocês são filhos, Deus enviou o Espírito de seu Filho ao coração de vocês, e ele clama: “Abba, Pai”. Assim, você já não é mais escravo, mas filho; e, por ser filho, Deus também o tornou herdeiro”. 

John Stott, em sua obra magistral, A Cruz de Cristo, destaca uma diferença entre o ensino de Paulo e de João. Enquanto Paulo parte do contexto romano de adoção, João atribui o fato de sermos filhos de Deus à experiência mística do novo nascimento. Para ele Israel não recebeu o Filho de Deus, mas todos os que recebem o Filho assumem o poder de filhos nascendo do Espírito (João 1,12-13). Para ambos, todavia, tanto o nascimento como a adoção são gerados e confirmados pelo Espírito Santo. É o Espírito que confirma como nosso espírito essa filiação. 

“Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão, o mundo não nos conhece, porquanto não o conheceu a ele mesmo. Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é” (1 João 3,1-2). 

David Kornfield discute em O líder que brilha a tensão entre o que ele chama de identidade de Filho e identidade de servo. Para ele a maioria dos pastores e líderes vive em função do esforço, do ativismo, do resultado e perdem o prazer de desfrutarem de uma relação íntima e amigável de entrega e dependência como um filho deve viver com seu pai. Kornfield aborda esse problema analisando a conhecida “Parábola do Filho Pródigo” de Lucas 15 como a “Parábola dos Dois Filhos Perdidos”. Nela o filho mais velho escolheu viver como servo ficando fora da festa na casa do Pai. Muitos “filhos mais velhos” estão perdendo o prazer de chamar Deus de Pai, ouvem a música e as danças, sentem o cheiro da comida que é abundante lá, mas preferem continuar vivendo como escravo. Estribam sua espiritualidade na produção, no desempenho, amargando o pior que a experiência religiosa pode oferecer quando poderiam considerar o que Gerson Borges transformou na música “Dia de Festa”: “a casa do pai é o melhor lugar do mundo”. 

Quando nossa vida cristã adquire esta perspectiva, quando vivemos a fé cristã nesta dimensão, evitamos a degeneração do Cristianismo para uma religião do terror, baseada no medo. As igrejas estão cada vez mais abarrotadas de pessoas que chegam ao templo como se estivessem adentrando a uma fábrica, que fazem da sua vida devocional uma agenda laborativa, embrenham-se nos labirintos do ativismo para conquistarem reconhecimento e manterem uma reputação. Sentem-se ameaçados pela punição do terror divino, interpretam perdas e intempéries à diminuição na quantidade de oração ou leitura bíblica. Serão cortados e queimados se não evangelizarem ou dizimarem. É assim que tratam os outros também, não conseguem ir além a mais da mesquinhez, da inveja, crueldade. 

O convite da graça nas palavras de Jesus é para uma vida marcada pelo prazer de chamar Deus de Pai. Orar é bater um papo com o Pai. Ler a Bíblia é ouvir os conselhos do Pai. Evangelizar é convidar outros para a festa na casa do Pai. Servir é fazer a vontade do Pai. Essa é a vida cristã que eu quero viver junto com meus irmãos, os irmãos do Filho, aqueles que receberam o Filho e tornaram-se filhos. É isso que eu quero para minha filha. É isso que eu quero para os que estão longe e os que estão perto, aqui ou nos confins da Terra. 

Para a Glória de Deus,

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

PRÉDICA NA SOLENIDADE DE POSSE DE PREFEITO, VICE-PREFEITO E VEREADORES DE CATU-BA



Excelentíssimo Senhor Geranilson Dantas Requião, Prefeito do Município de Catu.
Excelentíssimo Senhor Daniel Fernandes Leite, vice-prefeito.
Excelentíssimos Senhores Vereadores representados na pessoa do Senhor Adilson Mota de Araújo presidente desta Casa da Cidadania.
Demais autoridades. 
Senhoras e Senhores.
Dirijo a vossas excelências e a todos os presentes a saudação que se encontra no último versículo da Bíblia, em Apocalipse 22,21 – “A graça do Senhor Jesus seja com todos”. 
A Bíblia, senhoras e senhores, é a única regra de fé e prática do cristão e mesmo aqueles que não professam o cristianismo como religião pessoal a consideram como um livro especial. É o livro mais importante e mais lido no mundo ocidental. Para os cristãos, Ela é recebida por fé como a Palavra de Deus em linguagem humana. Por isso deve ser lida por também com fé. 
Notei, Senhores Prefeito, Vice-Prefeito e Edis, durante esta solenidade, que o juramento de posse dos senhores promete lealdade à democracia. Esta nação brasileira nasceu cristã. Mas foram os cristãos protestantes, conhecidos como “bíblias” que influenciaram decisivamente a transição do Brasil da Monarquia para a República. De modo que se hoje os senhores podem jurar pela democracia estão assumindo indiretamente um compromisso com a Bíblia. 
A Bíblia nos orienta sobre o dever de reconhecer e respeitar as autoridades constituídas pelo princípio de instituição divina. Deus governa soberanamente o universo bem como nossas vidas e na compreensão de Paulo Apóstolo, “Toda a alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus”. Devemos compreender este texto na perspectiva da submissão, estar abaixo da missão confiada. As autoridades receberam uma missão divina e, por isso, submetemo-nos a elas por submissão a Deus. 
Qual a missão confiada por Deus aos poderes executivo e legislativo bem assim às demais funções políticas do Município? Os senhores mesmos responderam: fazer cumprir a constituição democrática ou, em outras palavras, zelar pela democracia. Ora, se democracia é, como se ouve popularmente: “o governo do povo, pelo povo e para o povo”, a única verdadeira autoridade constituída por Deus e empossada nesta noite é o povo catuense que confiou os mandatos populares assegurados pela Constituição Federal, os quais os senhores assumem como mandatários a partir de hoje. 
Então, mais uma vez perguntamos, qual será a missão confiada por Deus aos representantes do povo catuense para este mandato? O profeta Miqueias, um dos doze profetas menores do Antigo Testamento, que foi “boca de Deus” no meio dos israelitas mais de seis séculos antes de Cristo responde: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus?” (Miquéias 6,8). Este profeta, que censurou duramente governantes e também religiosos de sua época, diante da corrupção e da violência, ainda fala nesta noite. 
Neste texto, a Bíblia se apresenta como um mapa para que os poderes executivo e legislativo em nosso município alcance o que foi prometido nesta solenidade, conduzindo-nos na prática da democracia. Esse ideal exigirá de todos nós trilharmos o caminha da justiça, da misericórdia e da humildade. 
Primeiro, diz o profeta: “pratiquem a justiça”. Justiça, no contexto histórico-social de Miqueias significava respeitar os direitos. Esta é a nossa esperança neste momento, que os senhores respeitem, e além disso, defendam os direitos da população de Catu conforme preceitua a Carta Magna da nossa nação. Assim será superado o sentimento de Rui Barbosa, um dos homens públicos mais influentes da nossa história, que também está em coração hoje: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”. O sentimento deste conhecido jurista e político baiano lamentavelmente persiste em vigorar mais de um século depois. 
Em segundo lugar, o profeta Miquéias declara: “amem a misericórdia”. No contexto linguístico do livro a palavra amor traz o sentido de dedicação. Dediquem-se à misericórdia. No latim, a palavra misericórdia é um composto de duas outras: miséria e coração, um coração que se inclina pela miséria. É assim que Deus nos trata em nossa miserabilidade. E nossa oração é que o coração dos senhores se inclinem por aqueles que enfrentam condições desumanas em nossa cidade. 
Por fim, ouvimos o profeta dizer: “andes humildemente com o teu Deus”. Humildade está relacionada como homem. As palavras possuem a mesma etimologia, humus, que significa ‘terra’. Humilde é "o que fica no chão, que não se ergue”. Homem é “criatura nascida da terra”. Só é possível caminhar com Deus reconhecendo que somos pó e que Ele é Criador. Em Jesus Cristo, Ele se revela Deus conosco, que assume nossa humanidade como exemplo de humildade. 
O que Deus espera dos senhores mandatários é que o mandato confiado pelo povo seja exercido com justiça, com misericórdia e com humildade. É o que Deus espera de todos nós. 

Que Deus seja glorificado! 

Fiquemos de pé e oremos para que Deus use as vidas dos empossados nesta noite para que nossa cidade viva um tempo marcado pela justiça, pela misericórdia e pela humildade. Amém!

A RENOVAÇÃO DA VIDA A CADA ANO



Para um sem número de pessoas esta data, 01 de janeiro, é desprovida de sentido. Muitos trabalharam durante a “passagem de ano”, inclusive para que outros festejassem. Alguns estavam em viagem, outro tanto em hospitais e presídios. 
Mas, dificilmente estas pessoas mantiveram-se neutras na “hora da virada”. Independente da situação ou da forma como estavam, refletiram sobre suas vidas e pensaram em mudanças importantes que precisam experimentar. 
Todas as culturas mundiais conhecidas reservam o significado de renovação para o período do seu calendário que registra a mudança de épocas ou estações. Os motivos são variados. Egípcios e Babilônicos relacionavam o renascimento à vazante dos grandes rios que cortavam seus territórios. Era um momento de esperança depois da destruição pela força das águas na cheia. Os anglo-saxões e germânicos associavam a renovação ao final do inverno e início da primavera, quando o sol trazia dias mais iluminados e as plantas floresciam. Podemos identificar a presença de festas e rituais relativos à renovação do calendário anual ainda em outros povos na história. 
O nosso calendário, chamado de “gregoriano” por que foi organizado pelo Papa Gregório XII, nos fins do séc. XVI, é uma adaptação dos matrizes gregas e romanas, mas, foi profundamente marcado pela vida de Cristo, nascimento, morte e ressurreição, ascensão. Por isso, olhar para o final de mais um ano é um incentivo a crer no poder renovador de Deus que nos permite chegar ao enceramento de mais um ciclo, capacitando-nos a começar de novo. 
A misericórdia de Deus manifesta em Cristo nos re-genera, faz-nos nascer de novo e, renova-nos, como Paulo Apóstolo lembrou a Tito “segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tt 3.5). Esta renovação dá-nos o poder de negar a forma que o mundo impõe, in-conformar, e possibilita a transformação necessária para a experiência com a vontade de Deus, como a conhecida passagem da Carta aos Romanos resume: “mas transformai-vos pela ‘renovação’ da vossa mente” (Rm 12,2). 
A renovação da vida não se dá num passe de mágica. É um processo que envolve a “nous”, o modo de pensar, a atitude, a mente. Isso nos leva a uma postura reflexiva diante da necessidade de mudança. Precisamos assumir nossa responsabilidade. Contudo, não podemos perder a esperança, pois a segurança de um ano “novo” não está nas supertições na “sorte” ou no que dizemos durante a contagem regressiva. Está em Cristo! 
Busquemos exercitar a mente de Cristo para a renovação da nossa atitude. Deixemos a mente controlar o corpo, como é natural que aconteça. Dele receberemos em cada dia do ano que se inicia a vida renovada que brota dentre de nós por experimentarmos o poder da sua ressurreição, como nos lembra o batismo: “Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Rm 6,4).