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A PÁSCOA COMO FESTA CRISTÃ



Coelho, ovos de chocolate, pão, vinho, peixe, caruru e vatapá, abstinência de carne, autoflagelação, jejuns, queima do Judas... Estamos na Semana da Páscoa, festa que ocupa lugar especial na tradição cristã. Mas, qual é o seu verdadeiro sentido? Como entender os muitos símbolos e rituais? 

Precisamos, antes de qualquer coisa, conhecer o ensino bíblico. Para os cristãos, a páscoa celebra a morte e a ressurreição de Cristo, a nossa vida e liberdade diante da morte e do pecado. 

Mas a festa nasceu judaica. Para celebrar a libertação do cativeiro egípcio, os judeus imolavam um cordeiro e, durante uma semana, comiam-no acompanhado de pães sem fermento com ervas amargas, com lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado nas mãos, lembrando com isso o dia em que o anjo passou (Páscoa significa passagem) e, vendo o sangue de cordeiro nas portas, livrou as casas dos seus pais da morte dos primogênitos. 

O capítulo 12 de Êxodo apresenta detalhadamente a celebração. Os versículos 13 e 14 sintetizam a mensagem central: “E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito. E este dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao SENHOR; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo”. 

Os eventos que acompanharam a morte de Jesus aconteceram paralelamente à festa da páscoa judaica. 

João 13.1 – Antes da festa da Páscoa... sabendo Jesus que era chegada sua hora. 18.28 – era de manhã.. e não se contaminaram.. para poderem comer a páscoa. 19.14 – Perante Pilatos... era a preparação da páscoa, e cerca da hora sexta. 19.31 – pois era grande aquele dia de sábado 

Na última ceia, Jesus deu um novo sentido à tradição judaica, instituindo o memorial da sua morte e ressurreição. O Pão representava agora o corpo moído pelos nossos pecados e o vinho simbolizava o sangue derramado na sua morte sacrificial. Pão e vinho são símbolos e a ceia é um memorial. Deus em Cristo revelou-se como Juiz, “passou” através da morte de Jesus, “por cima” do nosso pecado, tornando-se Redentor. Comprou para si a igreja, pelo sangue do “cordeiro pascal”. 

Como consequência desse ato divino, a comunidade cristã pode celebrar a páscoa com ousadia. Temos livre acesso ao trono da Graça de Deus, conforme Aos Hebreus, “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus” (10,19). Ou segundo o Apóstolo Pedro: “Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” (I Pe 1,19). 

Fomos resgatados pelo amor para que a nossa nova vida seja em amor. Mesmo que as lembranças do passado ou as circunstancias do presente nos atinjam provocando tristeza, podemos desfrutar da alegria perene de quem era escravo e agora é livre, era inimigo de Deus e agora é Filho amado. 

Aproveite esses dias para meditar na salvação alcançada no sacrifício e na vitória de Cristo. Em Cristo encontramos a verdadeira liberdade (João 8,36 – “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”) e a Sua ressurreição dentre os mortos é a nossa maior esperança (I Co 15,19 – “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.”). 

Por isso celebramos a páscoa, anunciando sua morte e ressurreição, até que Ele venha.

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