Fotos rasgadas na mão. Semblante de quem decidiu sair de casa depois de trinta anos de casamento. Olhos atentos do pastor que apenas ouvia os motivos. Depois de ouvido o desabafo veio a pergunta: o irmão crê na ressurreição de Cristo? Diante de um olhar curioso veio a explicação: o poder da ressurreição de Cristo alcança todas as dimensões da vida cristã.
Páscoa é tempo de celebrar as implicações da ressurreição de Cristo e a esperança dela advinda para a vida e o labor cristãos. Em 1 Coríntios 15, 1-26, 54-58, o apóstolo Paulo apresenta algumas consequências deste fato central para a fé cristã. O Evangelho recebido e pregado por ele anunciava a salvação fundamentada na realidade da Nova Criação. Ele mesmo teve um encontro pessoal com o Cristo Ressurreto. Diante da incredulidade dos líderes religiosos locais acerca da ressurreição dos mortos, ele a defendia como garantia da utilidade da pregação, da própria fé e da esperança da vitória completa sobre a morte. “Pois, se os mortos não ressuscitam, nem mesmo Cristo ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, inútil é a fé que vocês têm, e ainda estão em seus pecados. Neste caso, também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se é somente para esta vida que temos esperança em Cristo, dentre todos os homens somos os mais dignos de compaixão” (1 Coríntios 15:16-19).
O Evangelho recebido e pregado pelo Apóstolo anunciava a salvação com fundamento e conteúdo na Ressurreição de Cristo. A sua fé era firmada em evidências. “Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15:3,4). Sua pregação transmitia esta experiência. Não se tratava de comunicação com mortos, mas com o Senhor que vive eternamente. Pedro, Tiago, os Doze e tantos outros tiveram este privilégio. “e apareceu a Pedro e depois aos Doze. Depois disso apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, embora alguns já tenham adormecido. Depois apareceu a Tiago e, então, a todos os apóstolos; depois destes apareceu também a mim, como a um que nasceu fora de tempo” (1 Coríntios 15:5-8). Hoje também desfrutamos deste acesso direto com o Senhor que vive. Por isso, nossa oração, nossa prática do amor, nossos relacionamentos devem traduzir esta vida em palavras e ações. O nosso Redentor vive!
A nossa ressurreição com Cristo abriu a porta para experimentarmos o poder de Deus. O cristão pode experimentar pessoalmente uma relação como o Cristo ressurreto. Na igreja em Corinto muitos já haviam se tornado incrédulos diante da ressurreição dos mortos. Paulo combatia esta incredulidade afirmando que vivia sob o poder de Deus. A certeza de que Cristo ressuscitou sustenta nossa luta diária para viver plenamente a sua vontade. Quando uma pessoa não quer mudar pode justificar dizendo que não o pode. Para o cristão, a mudança não acontece apenas por boa vontade, mas, pelo poder do Espírito que o habita.
Se Deus ressuscitou a Jesus Cristo dentre os mortos e este é o fundamento da experiência cristã, este mesmo poder pode capacitar o cônjuge a perseverar no casamento, pais cansados a continuarem investindo no desenvolvimento dos filhos, famílias a se unirem em torno da superação de crises financeiras. Porque Cristo ressuscitou e Ele pode todas as coisas podemos viver a vida cristã vitoriosamente
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Pr. Petronio Borges