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CANDIDATO DE DEUS?


A leitura dos dois textos devocionais dentro da Campanha “110 dias que impactarão a nação” que abordam especificamente a intercessão pelas autoridades políticas motivaram-me a escrever sobre o tema. O pastor Edvar Gimenes considerou recentemente em seu blog (Orando pela presidenta, seus ministros e secretários) a necessidade de diferenciação entre autoridades e pessoas investidas de autoridade. Ele destaca que o princípio de autoridade ensina que os cargos e funções foram projetados por Deus, seja na família, na igreja, na escola, na cidade, no Estado e defende de forma contundente: “Aqueles que ocupam os espaços onde prevalece o princípio de autoridade estabelecido por Deus, devem ter clareza de que seu papel é agir em favor do povo e não de si mesmos”. 
Depois desta provocação inicial decidi revisitar bases bíblicas que sejam suficientes para confirmar este argumento, de que Deus não escolhe, necessariamente, as pessoas que ocuparão os cargos, mas escolheu o principio de autoridade e sua função na vida pública. 
Começo com o texto principal. 
“Então, dêem a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” 
(NVI - Mateus 22,18-21) 
Quando foi interrogado sobre o dever de pagar impostos, Jesus estabelece o princípio da responsabilidade política do cristão diante cidadania terrena. O imposto era uma obrigação de cada província romana administrada pelo respectivo procurador. Cobrado pelo publicanos, as taxas insidiam tanto sobre os produtos do campo quanto pela renda pessoal, per capita. No referido texto, Jesus se refere à moeda circulante. Ela trazia a insígnia de César, o Imperador. Representava o poder temporal, responsável por direitos e deveres dos cidadãos. Por outro lado, Deus, absoluto em sua autoridade, era o único Senhor a quem se devia adorar. 
Esse princípio foi vivido pela igreja primitiva. Durante o período de perseguição aos cristãos, exercício da vida pública trazia consigo o conflito entre a adoração do Cristo diante do culto ao Imperador. Afirmar que Cristo era o Senhor (Kírius) era negar que o Imperador era um deus (Dívus). 
Outro texto importante é este: 
“Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais... as autoridades que existem foram estabelecidas por Deus... É serva de Deus, agente da justiça” 
(NVI – Romanos 13,1-7) 
O Apóstolo Paulo ensinou à igreja em Roma que a sujeição às autoridades, em sentido genérico. Ele entendia que toda a autoridade era constituída por Deus para o bem das pessoas. Estes cargos ou funções estão a serviço de Deus, independente de quem os ocupe. Seu propósito é a justiça na vida social. O problema é que isso não garante que todos que exerçam autoridade permitir-se-ão agir assim. 
Ainda em um texto paulino, agora escrevendo a Timóteo, temos: 
“...que se façam orações por todos os homens; pelos reis e por todos os que exercem autoridade... para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica” 
(NVI – 1 Timóteo 2,1-2) 
Aqui Paulo insiste na recomendação bíblica de orar pelas autoridades com um destaque interessante: da mesma forma como devemos orar “por todos os homens”. Orar pelos reis, da mesma forma como é necessário interceder pelos professores, pais, policiais, líderes comunitários e assim por diante. O objetivo o bem-estar da sociedade. A vida social pode transformar-se num caos sem o princípio da autoridade. Basta ver o espelho de famílias formadas com a ausência de autoridade. 
O apóstolo Pedro confirma este ensino bíblico: 
“Por causa do Senhor, sujeitem-se a toda autoridade constituída entre os homens; seja ao rei, como autoridade suprema, seja aos governantes... Tratem a todos com o devido respeito: amem os irmãos, temam a Deus e honrem o rei”. 
(NVI – 1 Pe 2,13-17) 
Percebam que a honra ou respeito é devida a todos. Assim como Paulo (Rm 13), Pedro também vê o amor como um dever e os irmãos ocupando lugar de autoridade. Os reis eram “autoridade suprema”. O regime era monárquico. Hoje, no sistema democrático o povo está nesta posição. Por isso, se existe alguém que merece sujeição, principalmente dos representantes eleitos, é o gari, o lavrador, o feirante, o profissional liberal, o empresário. Ou seja, a graça inverte o jogo. 
As pessoas eleitas para governar são os legítimos representantes de quem, de fato, governa: o povo. Em síntese, tanto em Paulo quanto em Pedro, a submissão às autoridades políticas não é ensinada como pacífica e acrítica, mas está ligada à função protetora e não opressora. 
Por submissão a Deus, reconhecemos o lugar ocupado por “César”. Parte da nossa responsabilidade como cidadãos está na observância deste princípio. Contudo, devemos atentar para a diferenciação entre o cargo e a pessoa. Deus não escolhe, necessariamente, as pessoas que ocupação os cargos, mas escolheu o principio de autoridade e sua função na vida pública. 

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