sábado, 17 de março de 2012

O CRISTÃO DIANTE DA CORRUPÇÃO GENERALIZADA

Neste ano de pleito eleitoral nos municípios, com desdobramentos para as eleições presidenciais em plena Copa do Mundo no Brasil a igreja precisa buscar na santidade de Jesus o modelo para um posicionamento profético de denúncia do pecado estrutural que viceja na República. A crise ética na política exige com urgência uma reforma radical em nossas instituições democráticas. Mas o principal problema a ser enfrentado é a crise de integridade pessoal e participação social. É preciso repensar a postura ética e o engajamento social do cristão nesse contexto. 
A corrupção invade dia-a-dia, é generalizada. A xérox do livro, o CD “pirata”, a ausência de nota fiscal, a fila furada no banco, o desrespeito às leis de trânsito, a ficha sem fila no posto de saúde, o pistolão no emprego. Não podemos ser hipócritas. Esse pecado é estrutural e nos envolve também. É gerado por uma cultura paternalista de troca de favores. Está em Brasília e aqui. Diante desse desafio é preciso cultivar o desejo de ser um exemplo. “Não vos amoldeis a este mundo... (Rm 12,2). A atitude deve ser de resistência e perseverança, um riacho que continua a correr no meio da terra seca (Am 5,25). Fazer o que é certo a qualquer custo. Deus está procurando uma pessoa que pratique a justiça nas ruas e nas praças... (Jr. 5,1). Pela graça, Jesus é o modelo que eu posso adotar e per-seguir incansavelmente. Sem paranoia nem loucura perfeccionista, mas disposto assumir a responsabilidade de ser sal e luz (Mt. 5,13-16). 
Nosso ponto de partida deve ser a santidade de Jesus de Nazaré. Ele foi ungido pelo Espírito, separava tempo para orar, estudava a Palavra de Deus na sinagoga, ensinava e pregava o Reino de Deus, mas também tocava em leprosos, comia como publicanos, tinha mulheres como seguidoras, curava e alimentava multidões de miseráveis, entendia que os pobres eram os primeiros a receberem o Reino (Mt. 11,5; 25-27). 
Ele vivia uma espiritualidade integral. Desde a devoção pessoal, passando pelas ações concretas que mudavam as vidas e as relações das pessoas, até à intervenção nas estruturas sociais opressoras do seu tempo: a hipocrisia dos líderes religiosos (Mt. 23,13), a adulteração da religião do Templo (Mc. 11,15), o poder do Império Romano (Lc. 9,58). Ensinando seus discípulos sobre a necessidade de uma espiritualidade da ação chegou a afirmar que os pobres seriam um desafio constante para a sua missão (Mt. 26,11). 
Jesus não é apenas modelo de ética pessoal, mas de engajamento social. Muitos problemas que enfrentamos são estruturais, estão nas instituições, inclusive denominacionais, e na cultura. Mas, fomos enviados ao mundo (Jo. 17,14-18). Ele lutou contra a hipocrisia, as injustiças, o pecado dos religiosos e políticos, a opressão aos excluídos. Temos que participar, lutar. A reunião de professores, a associação do bairro, os conselhos populares, filiar-se ao partido para tirar da liderança os corruptos. É preciso se desgastar. Ter a consciência de estar fazendo o possível. 
Diante da generalização da corrupção a sociedade clama por uma postura integra e participativa por parte da igreja. O mal invade e envolve, está lá e aqui. Devo ser diferente e fazer diferença. Lutar pela transformação do mundo para experimentar a vontade boa, perfeita e agradável de Deus. A graça se manifestou e trouxe a salvação, por isso posso aprender a viver de maneira justa, aguardando a esperança da volta gloriosa do meu Senhor, quando todo mal terá fim (Tt 2,11-15).