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A FÉ EM BUSCA DA UNIDADE

O divisionismo cristão é um escândalo. Além da divisão principal católico-protestante temos internamente no protestantismo um número incontável de divisões. Lutero errou em ter colocado a Bíblia na mão do povo! Exclamou um bispo católico  quando debatia com um pastor protestante. Este respondeu: E as divisões do cristianismo anteriores às reformas religiosas do século XVI? Mas, a leitura do Novo Testamento permite constatar que a raiz dessa separação nasceu junto com igreja. 
Por isso o ensino apostólico incluía na agenda um clamor pela unidade. Em I Coríntios 12,18-20; 25-26, Paulo usa a analogia do corpo humano com o propósito de ensinar sobre o uso dos dons espirituais e a cerca da unidade na diversidade. A unidade orgânica da igreja é formada pelo Espírito a partir dos muitos e diferentes membros. A partir desta unidade e na dependência mútua, a comunidade de fé vive em harmonia e pode cuidar-se mutuamente, convivendo como as diferenças e superando os conflitos. 
Os evangélicos no Brasil receberam historicamente diversas influências tanto europeias quanto norte-americanas. A teologia marcada salvacionismo, conversionismo e fundamentalismo cooperou para uma postura anticatólica. Internamente, dificultou construção de um senso de corpo. 
Alguns elementos marcantes podem expressar a fé evangélica: salvação pela graça por meio da fé, autoridade das Escrituras, Sacerdócio Universal, separação entre a Igreja e o Estado, liberdade de consciência. Mesmo com esta identidade comum a igreja evangélica brasileira é um mosaico, cada grupo interpretando e reinventando estas características com todos os sabores locais disponíveis. 
Como alcançar a unidade em meio à diversidade e ainda manter firme a identidade? A fé que busca a unidade traz consigo algumas características que passaremos a apresentar sinteticamente. 
A fé que zela. 
Em meio à diversidade é necessário cultivar a piedade pessoal, zelar pela sã doutrina bíblica e fazer boas obras. Entendendo sempre que o mistério da fé não é extático nem estático. Deus se revela na caminhada da fé. E neste caminho o conhecimento comunitário enriquecerá a experiência pessoal. A busca individual deverá desaguar no mergulho de fé na vida do povo de Deus, em oração e ação, conhecendo o que crê e crendo para conhecer. Crer fazendo viva a fé e fazer para que a fé seja viva. Esta será a porta de entrada para o serviço em comunhão. 
A fé que pensa. 
Diante da riqueza que é a relação entre a experiência pessoal e a vivência comunitária, a busca do equilíbrio é fundamental. Crer é também pensar (STTOT, 1978). A fé não dispensa a mente. O nosso zelo deve ser dirigido pelo conhecimento enquanto que o conhecimento deve ser inflamado pela fé. Não podemos nos entregar às experiências pessoais e comunitárias sem reflexão. Não devemos agir como fanáticos nem paralisar a ação para pensar. Ação e pensamento caminham juntos. Quando isso for uma realidade na vida da igreja no Brasil, evitaremos o preconceito que nos isola e anestesia. 
A fé que une. 
Unidade diferencia-se absolutamente de uniformidade. É indesejável uma igreja uniforme, sem o colorido e a alegria da diferença. A união considera o outro, respeita e valoriza. Unidade não é igualdade, é união na diversidade. Por isso devemos considerar a diversidade. Porém, é necessária a busca zelosa e refletida da identidade. 
A fé em busca da unidade é zelosa e reflexiva. Mas para a concretização deste sonho alguns expedientes são essenciais. Uma oportunidade rica e frutífera é a vivência acadêmica e comunitária compartilhada. Dentro de cada grupo e entre todos eles deverá caber sempre o espaço para o debate, o confronto saudável. Além disso, a troca da prática pastoral, as experiências de intervenção social e política. Intercambiar a vida de cada igreja a começar pelos seus líderes. 
Lutero não errou em ter colocado a Bíblia na mão do povo. O livre acesso e a livre interpretação das Escrituras deve ser orientado pela compreensão a essência da mensagem cristã, o amor a Deus e ao próximo. O zelo e a reflexão nos levará à conclusão a que chegou o teólogo luterano Peter Meiderlin: “No essencial, unidade; no não essencial, liberdade; e em ambas as coisas, a caridade”.

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