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DONS E MINISTÉRIOS INTERDEPENDENTES NA IGREJA

Os dons do Espírito Santo representam a capacitação de Deus para todos os crentes. Eles são concedidos individualmente, mas sua finalidade é o crescimento sadio da Igreja. Deus estabeleceu uma interdependência entre os ministérios cristãos com o propósito de servirmos juntos para o crescimento em unidade. Assim, a unidade e a diversidade da Igreja são obra do Espírito Santo. A Igreja é una, porque o Espírito habita em todos os crentes; A Igreja é multifacetada, porque o Espírito distribui diferentes dons aos crentes. 

O melhor ponto de partida para compreendermos a natureza dos dons espirituais é 1 Coríntios 12:4-6. "Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. E também há diversidade nos serviços, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos." Aqui temos as seguintes palavras “charismata” (v. 4) - dons da graça de Deus; “diakoniai” (v. 5) - maneiras de servir e “energêmata” (v. 6) - energias, atividades. Por isso John Sttot define os dons como “...certas capacidades, concedidas pela graça e poder de Deus, que habilitam pessoas para serviços específicos e correspondentes. Um dom espiritual é, portanto, não a capacidade em si, nem um ministério ou função propriamente dito, mas a capacidade que qualifica uma pessoa para um ministério. 
Somos encorajados a buscar a capacitação para um serviço de excelência, pois o Novo Testamento nos garante que todo cristão tem pelo menos um dom ou capacitação para o serviço, por mais adormecido ou desusado que seja (Rm. 12.3,6; 1 Cor. 12:11; Ef. 4:7; 1 Ped. 4:10). Cada Igreja local foi capacitada por Deus com todos os dons que ela precisa para sua vida, sua saúde, seu crescimento e seu trabalho. Procuremos descobrir, despertar e desenvolver os dons recebidos de Deus. Eles devem ser usados para a edificação da igreja e para a evangelização. 
O fundamento bíblico para esta interdependência de dons e ministérios na igreja é a própria criação do homem. Em Gênesis 1.31 vemos que a espécie humana era “boa”. Mas, em Gênesis 2.18, a pessoa humana só não era “boa”. Bom aqui é sinônimo de completo, inteiro, adequado. A mesma base bíblica é retomada na descrição da Igreja. Encontramos em I Coríntios 12.12-14 e 27-31 que a interdependência é a base da unidade, que por sua vez é um milagre. Na criação Deus fez dois de um. Na salvação Cristo faz todos serem um. Mas houve uma divisão na primeira família. Caim matou Abel, por inveja, uma expressão do orgulho (Gn 3). Mas, com a graça advinda na cruz, Judeus e gentios passaram a formar uma unidade gloriosa: “...Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um... e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, tendo por ela matado a inimizade” (Ef 2.14 e 16). 
Por isso, podemos compreender biblicamente que ministérios não são “micro-igrejas”, mas são mutuamente dependentes, formando uma unidade. Precisamos com humildade dialogar quando houver divergência, negociar o uso de espaços e oportunidades no calendário, compartilhar recursos para o bem comum. Lembrando que nenhuma igreja cresce mais do que os seus líderes, a iniciativa parte da liderança de cada ministério em trabalhar em prol da consecução de objetivos específicos sem perder a visão do todo. A vivência da interdependência entre os líderes bem como por toda a Igreja consolida a unidade e leva ao crescimento, pois as pessoas normalmente evitam uma “igreja de famílias”, divisões de poder entre grupos fechado. Buscam uma igreja que cria espaços para o desenvolvimento de talentos. Carecem de estruturas que valorizam o potencial humano. 
Busquemos com humildade a interdependência em obediência à vontade de Deus para a humanidade e para a Igreja. Vamos exercitar a unidade da Igreja e alcançarmos pessoas que precisam ver em nós a expressão do amor de Deus.

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