sexta-feira, 7 de abril de 2017

A MISSÃO EDUCACIONAL DA IGREJA

O imperativo de Cristo no comissionamento dos apóstolos foi “fazei discípulos” (Mt 28:19). No cumprimento desta missão fundamental a ação de “ensinar” deve ser contínua e abrangente. O ensino está entre as funções básicas da igreja ao lado do culto a Deus, do anúncio das Boas Novas, da ministração às necessidades humanas. Além disso, essas outras áreas de atuação da igreja também recebem implicações educacionais. Para o culto, na oração, na música, na pregação. Para a evangelização, no processo de comunicação. Para o serviço social cristão, na aprendizagem prática do testemunho eficaz.

Quando refletimos sobre a missão educacional da igreja, chegamos inevitavelmente a uma constatação: o ensino bíblico tem sido negligenciado ou reduzido na história da igreja em nosso país. Por parte dos católicos, essa missão foi negligenciada e contaminada desde sua origem com interesses políticos ou dogmas de uma tradição antibíblica. Já das primeiras missões protestantes pode ser dito que, por várias razões, reduziram a tarefa evangelizadora a uma ênfase conversionista, priorizando apenas o evento inicial da caminhada cristã, a conversão, sem contudo, investir na mesma medida para o desenvolvimento necessário no pós-batismo. Nossa teologia, nossas práticas eclesiásticas e litúrgicas foram construídas com o foco na salvação. Ganhamos em missões. Mas perdemos na formação de vidas e na prática da integralidade do evangelho.

Deus nos criou com um sentido completo para a vida. A salvação não se resume a uma espécie de apólice de seguros contra o fogo do inferno. A Bíblia não endossa esse desvio de propósito, pelo contrário, corrige-o. Através do profeta Isaías, Deus conclama o povo: “a todo aquele que é chamado pelo meu nome, e que criei para minha glória, e que formei e fiz” (Is 43.7). Depois do pecado, um estilo de vida contrário ao plano de Deus, marcado pela rebeldia e desobediência, o homem experimentou a queda, sendo “destituído da glória de Deus” (Rm 3.23). Mas, pela obra redentora da cruz, foi reconciliado com Deus, sendo restaurado integralmente e reorientado para a glória de Deus. O propósito da nova vida em Cristo não pode ser resumido em escapar do inferno, mas viver com qualidade e esperança. Por isso, a igreja não é uma opção ou alternativa, é a agência de Deus, a sua plataforma de relacionamento e comunicação com o povo, o ambiente onde cada salvo desenvolve a nova vida em Cristo crescendo “de glória em glória” (2 Co 3:18).

As pessoas nascem com a capacidade de se desenvolverem física, psicológica, social e espiritualmente. A missão educacional da igreja é um ministério entre pessoas com o alvo de conduzi-las em um processo de desenvolvimento que tem a pessoa de Cristo como medida. Projetando esse crescimento na linha do tempo, começamos com a conversão mas também devemos pensar na integração da pessoa convertida a Cristo para a tornar-se um membro ativo e dedicado de uma igreja. Esse novo membro aprenderá a fazer do culto uma parte constante e vital da sua experiência. Para tanto, ele será instruído biblicamente na fé e na conduta. Espera-se que neste estágio ele já demonstre com as atitudes uma consciência de valores cristãos. E, por fim, tendo desenvolvido hábitos e habilidades cristãs, investir seus talentos e recursos no serviço a outros irmãos e ao mundo em sua volta.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

UNIDADE: UM MILAGRE DA GRAÇA

A igreja local crescerá unida à medida em que os seus ministérios desenvolverem a cooperação em prol de um propósito comum: glorificar a Deus e abençoar pessoas. Qualquer desvio desta direção gera desigualdade, exclusão e divisão. Quando cada membro vê a si mesmo com parte de um todo e mantém seu foco no bem comum o espaço permanece aberto para o irmão, que é tratado como igual, acolhido e integrado. Em união de propósito e na prática da cooperação a igreja cresce de forma segura e saudável. O serviço na igreja deve ser exercido em mutualidade levando em conta a seguinte realidade teológica: a unidade é um milagre da Graça. Na criação Deus fez dois de um. Na redenção, Cristo faz com que todos sejam um.

O fundamento bíblico está no próprio relato da criação da raça humana. Em Gênesis 1.31 encontramos a ‘espécie humana’ qualificada como “boa”. Já em 2.18 é afirmado que a ‘pessoa humana’ só não era “boa” (towb), apropriada, melhor, excelente. Sozinho ninguém é capaz de refletir plenamente a glória de Deus, ou seja, não se adequa ao seu plano, não exprime sua vontade de forma eficaz. Fomos criados como seres relacionais e, por isso, somente na interação com Deus e como o próximo encontramos nossa identidade. Compartilhamento, participação e cooperação são experiências que nos fazem ser gente.

A Bíblia também ensina que o pecado separou o homem de Deus e, por consequência criou uma barreira na relação com o próximo. Por isso, Caim matou Abel, por inveja fratricida (Gn 4), fruto do egoísmo, a raiz de toda desunião. Separado de Deus, isolado da comunhão fraternal, o ser humano perde seu referencial de satisfação, rompe seus próprios limites e passa a viver de forma autodestrutiva. Somente a graça advinda da cruz pode vencer o estado de rebeldia contra Deus e de competição com o próximo. A partir da cruz, mesmo judeus e gentios podem formar uma unidade gloriosa: “...Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um... e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, tendo por ela matado a inimizade” (Ef 2.14 e 16).

Com essa visão em mente, o apóstolo Paulo instruiu a igreja de Corinto descrevendo-a como o corpo de Cristo (1 Coríntios 12:12-31). “Ora, vós sois corpo de Cristo, e individualmente seus membros” (12:27). O maior privilégio de um cristão na terra é pertencer ao corpo de Cristo e participar ativamente da obra por ele realizada. Neste corpo, que é a igreja, todos precisam de todos, e devem viver em respeito e cuidado mútuo. O que une os membros deste corpo fazendo-os funcionar e gerar saúde é o dom supremo do amor.

A partir desta consciência podemos cooperar para a construção de uma igreja unida e saudável. Precisaremos sempre de humildade para dialogar quando houver divergência, para negociar o uso de oportunidades no calendário, para compartilhar recursos que visem o bem comum. Poderemos criar meios para o desenvolvimento de talentos, investir em estruturas que valorizam o potencial humano e resultem em glória para Deus. Tudo isso fazendo com gratidão por experimentar diariamente o milagre de estar unido ao irmão pela cruz e refletindo a imagem de Deus como membro do corpo de Cristo.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O PROJETO PERFEITO PARA A VIDA

Todos os planos humanos são parciais e provisórios pois somente Deus possui a visão total da vida e pode direcioná-la para a perfeição. O projeto perfeito para a vida foi revelado por Deus na pessoa de Cristo. 

Em Efésios 4:13-16, Paulo apresenta o projeto perfeito de Deus para a humanidade na pessoa de Jesus. A mensagem desta carta é a suficiência e a centralidade de Cristo na criação e na igreja. Ele aproveita a sua condição de prisioneiro do Império Romano para contrastar o projeto político de Roma, centralizado em César, com a visão espiritual de domínio universal de Cristo. 


A carta pode ser dividida em duas partes seguindo o esquema da saudação: Graça e Paz. Graça, parte teórica (1-3), trata da totalidade do agir de Deus na criação e especialmente na redenção da humanidade em Cristo. Paz, aplica o resultado da graça como reconciliação com Deus, consigo e com o próximo.
O capítulo 4 começa a parte prática da epístola exortando as igrejas a viverem em unidade rumo ao crescimento que tem como alvo a perfeição de Cristo. A maturidade não poderia ser alcançada nem pelo êxtase nem pelo legalismo e sim por um projeto de vida que tem sua origem e seu alvo na pessoa de Jesus. Aqui implícita uma defesa contra os extremos propostos pela influência tanto de gnósticos quanto de judaizantes. 


Cristo é o projeto perfeito de Deus para a humanidade, para a igreja e para cada cristão individualmente. Paulo usa uma imagem genética para ensinar que uma criança já possui todas as características do adulto, no entanto, precisa passar por um longo processo de amadurecimento. Jesus, segundo os Evangelhos (João 1:14; Lucas 2:52), encarnou toda a graça e a verdade divinas e representa a medida da maturidade. Ele é a “medida plena”, ou seja, determina o nível da vida cristã sendo capaz de preencher completamente a vida do cristão. 


Perfeito (teleios) significa levado a seu fim, finalizado; que não carece de nada necessário para estar completo. Conquanto somente Jesus, o Filho Eterno de Deus, seja perfeito por ser o Supremo Ser, autossuficiente, e o Supremo Bem, a fonte da bondade, através do relacionamento íntimo e contínuo com Ele, o cristão é aperfeiçoado de forma ativa e progressiva. 


A partir da regeneração o cristão começa a desenvolver um relacionamento profundo e permanente com Cristo. Começa a receber a “plenitude de Cristo” (Ef 1:22). Cristo passa a viver e ser formado nele (Gl 2:20; 4:19). 


Esse processo de aperfeiçoamento do cristão envolve, pelo menos, três aspectos básicos: identidade, situação da vida e visão de futuro. O cristão sabe que seu ser está definido e determinado em Cristo e é através do seu relacionamento pessoal com Ele que avaliará continuamente a situação da vida, se está próximo ou distante dos valores e atitudes de Jesus, quais as áreas da sua vida não refletem a glória da presença de Cristo. A visão de futuro será sempre aprofundar e intensificar a relação pessoal com Jesus de modo que as pessoas ao redor vejam graça e verdade em cada momento. 


Projetos de vida baseados no poder humano sempre geram frustração e desespero no final. O Império Romano caiu diante dos bárbaros. Os novos gnósticos e judeus contemporâneos continuam querendo alcançar a perfeição pela via mística ou pela obsessão em cumprir as regras por eles mesmos criadas. Mas quem está em Cristo é “nova criação” (2 Co 5:17) e pode viver plenamente o projeto perfeito de Deus. Saberá quem é (um com Cristo), qual a sua real situação (necessidade de maior comunhão com Cristo) e a visão adequada de futuro (transmitir Cristo em tudo que faz).

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

TEMPO DE MUDANÇA

Depois de um período dedicado a oração, conversas com a família e reuniões com a PIB em Catu-BA decidimos aceitar o convite da PIB em Divinópolis-MG para compor o colegiado ministerial como pastor auxiliar na área de formação cristã. Entendemos que o ciclo ministerial se cumpriu na PIB em Catu-BA e que Deus está conduzindo nossa família para um novo formato de ministério.
Temos recebido muito carinho neste momento e sabemos que é fruto de um relacionamento de amor e serviço ao longo dos últimos seis anos. Agradecemos pela oportunidade de servir, pelo apoio no trabalho, pelo cuidado nos momentos difíceis, pelo carinho com a família.
Deus também nos agraciou com o privilégio de servir ao lado de outros pastores. Aprendemos com o Pr. Lourival Bastos, pastor-emérito. Agradecemos ao Pr. Rogério Souza por ter estado ao lado no início dessa caminhada. E destacamos a amizade do Pr. Jean Santos e Fabiana que tornaram o ministério uma experiência rica e agradável. A permanência deles na igreja fortaleceu a paz em nosso coração.
Continuaremos servindo no ministério da PIB em Catu-BA até 31/12. O culto de ação de graças pelo pastorado está marcado para 17/12 (sábado). Ficaremos muito alegres com a presença dos amigos naquele dia de gratidão a Deus e a todos que fazem parte desta história.


Pr. Petronio Borges, Anamaria, Mariana e Poliana.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

CIDADÃO CATUENSE - DISCURSO DE AGRADECIMENTO


Excelentíssimo Senhor Marinildo Alves Vasconcelos, presidente da Câmara Municipal de Catu-Ba, em nome de quem cumprimento os demais vereadores.
Excelentíssimo Senhor Geranilson Requião, prefeito da cidade de Catu-Ba, que completa hoje 148 anos de emancipação política.

Demais autoridades presentes ou representadas.

Dirijo meu agradecimento primeiramente a Deus, a quem é devida toda honra e louvor, para sempre, pois somente Ele é perfeito e poderoso, e apesar da glória que lhe é devida, se digna em escolher, no meio do seu povo, servos a quem concede o privilégio de ministrar a sua Santa Palavra.

Agradeço ao Vereador Eneias Medeiros, proponente do meu nome para receber o título que hoje me é outorgado por esta Casa bem como a todos os vereadores por terem aprovado a proposta. Como membro da Primeira Igreja Batista em Catu, o irmão Enéias, juntamente com seu pai, irmão Eliseu Medeiros, certamente teve sua generosidade motivada por conhecer o ministério da igreja e saber que foi como seu pastor que estabeleci o meu vínculo com o município e que se não fosse pelo pastorado nela exercido, dificilmente seria alvo deste reconhecimento.

Receber o título de “Cidadão Catuense” é motivo de alegria e honra. No entanto, como cidadão comum, que apenas procura cumprir seus compromissos e viver com dignidade, não estou nem um palmo sequer acima do valor pessoal de cada um aqui. Não tenho laços de sangue nem sobrenome tradicional. Sem nenhuma falsa modéstia, o mérito não está na pessoa e sim no ministério.

Foi pela vocação divina para o Santo Ministério da Palavra que cheguei na cidade para pastorear a PIBCATU. A PIBCATU foi a primeira igreja protestante a ser plantada da cidade, fato que já foi reconhecido oficialmente pelo poder legislativo local. Esse pioneirismo acompanhado da fidelidade histórica aos princípios de sua fundação permite que aquele que a pastoreie, ganhe destaque na vida social do município

Vejo nesta oportunidade uma coincidência que preciso registrar. Minha ordenação ao ministério pastoral também se deu em um mês de junho (21), no ano de 2003. Comemorei também nesta semana treze (13) anos como pastor formalmente ordenado.

Nasci na cidade de Gandu-Ba, sou ganduense de nascimento. Vive em Itamari-Ba até os quatorze (14) anos, mas não sou itamariense. Mudei-me para Jaguaquara-Ba estudar, casei-me com uma jaguaquarense, mas não me tornei cidadão daquela cidade. De lá fui enviado ao Seminário em Feira de Santana-Ba, mas não sou feirense. Depois de formado, morei em Camaçari-Ba para iniciar o ministério, mão não sou camaçariense. Agora, sou reconhecido como “cidadão catuense”.

Cheguei em Catu-Ba no dia 03/01/2011 depois de tomar posse, em 19/12/2010, como presidente da Primeira Igreja Batista em Catu, mantenedora do Colégio Batista de Catu. A PIBCATU completará no próximo dia 29 deste mês, outra coincidência digna de nota, seus 93 anos, comprometida com o ensino da Bíblia, fervorosa na obra missionária e relevante socialmente.

Transfiro a cada membro e congregado da PIBCATU esta homenagem por considerar que é Deus, o Supremo Pastor do seu povo, quem dá pastores segundo o seu coração. Em Jeremias 3:15, lemos: “e vos darei pastores segundo o meu coração, os quais vos apascentarão com ciência e com inteligência”.

O pastorado deve ser exercido com “ciência e inteligência”. Ciência é conhecimento adquirido com esforço. Inteligência pode ser sinônimo de sabedoria. Um pastor recebe sabedoria de Deus, mas desenvolve seu conhecimento através da busca pessoal. Gosto de pensar que o pastor precisa pastorear “com ciência” e também deve ter consciência. Consciência de Deus e de si, consciência da missão pastoral. Creio que a função pastoral é a única capaz de cuidar do ser humano em sua integralidade, derivando daí sua importância para a comunidade. Procuro ter esta consciência diante da homenagem que recebo desta Casa de Leis.

Ao finalizar, destaco a importância da família tanto na minha vida como no ministério que desempenho.

Agradeço a minha esposa, Anamaria, que neste momento está cuidando na nossa segunda filha, Poliana, com apenas 16 dias.

Agradeço à nossa primeira filha, Mariana, cujo brilhos nos olhos é um sinal diário da graça de Deus em nossa família.

Agradeço aos meus pais, Petronio e ‘Nide’, pelo amor e dedicação em todo o tempo, sendo uma prova do cuidado de Deus para comigo.

Agradeço às ovelhas, aos amigos.

Agradeço a todos os presentes,

Deus continue abençoando cada um de vocês.

Muito obrigado.