sexta-feira, 26 de maio de 2017

A FONTE DE AMOR PARA A FAMÍLIA

Amar é mais do que simplesmente falar – “Ainda que eu fale”. O Amor transcende o conhecimento – “Ainda que saiba”. O Amor é mais forte do que os poderes humanos – “Ainda que tenha capacidades”. Amar não se reduz a mera filantropia – “Ainda que eu dê”. O Amor é a maior de todas as virtudes – “o maior destes”. O Amor é eterno – “jamais acaba”. Procurando mostrar o “caminho sobremodo excelente”, Paulo ensina, em 1 CORÍNTIOS 13, que o Amor supera os dons espirituais e exige um autoexame contínuo ao final do qual a pessoa piedosa descobrirá que não é capaz de produzir por si mesma paciência, bondade, altruísmo, justiça, verdade, alegria, humildade e perdão. Dependerá de uma atitude permanente de abertura do ser para uma fonte superior e inesgotável: o Amor.

A fonte do amor transcende o próprio ato de amar e pressupõe a ação e iniciativa divina. Deus criou o universo para revelar seu amor pessoal. Todas as virtudes começam na pessoa de Deus e em Seu Amor. Temer e adorar a Deus está no início de todo amor verdadeiro. A Bíblia é a mensagem do Amor Perfeito, abundante e constante de Deus pela humanidade e toda a criação. Deus sempre age em Santo Amor e cabe às suas criaturas manterem uma postura de receptividade confiante e leal. Toda a forma de desamor em família, da indiferença à violência, de incompreensões a agressões, tem sua origem em corações endurecidos que se fecharam para receber o Puro Amor que flui do relacionamento íntimo e contínuo com Deus. Somente neste estado de dependência é possível doar-se, buscar o bem alheio, repartir.

Jonathan Edwards, pastor e teólogo do século XVIII, considerado um dos maiores filósofos norte-americanos, afirmava que “Deus é a fonte do amor como o Sol é a fonte da luz”. Para ele “O amor é a luz e glória que circundam o trono em que Deus se acha sentado”. Já o brasileiro Ariovaldo Ramos, pastor e teólogo com formação em filosofia na USP, destaca que “o amor é a síntese de todas as qualidades que Deus nos emprestou, para que a maldade, proveniente da queda, não fosse o único tom de nossa existência”. Ele ainda lembra que o Amor é de Deus, como ensina João, o discípulo amado: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus”. (1 JOÃO 4:7). John Sttot, o maior exegeta cristão do século XX, relaciona a origem do amor com o modo de existência da Trindade Santa: “O amor emana das misteriosas relações entre as Pessoas da Divindade. Por ser o Amor de Deus espontâneo e contínuo, todo amor humano é apenas resposta e reflexo do amor divino”. Em concordância, o pastor Carlos McCord, fundador do Ministério Permanecer, costuma declarar: “Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) é um sistema onde o amor não para”.

Em família, cônjuges, pais e filhos devem partir desta compreensão teológica para uma prática de fé que reflita abertura e receptividade ao Amor de Deus. No cotidiano da vida doméstica, o compartilhamento deste Amor assume as mais diversas manifestações, desde um simples “muito obrigado” até às intermináveis horas ao lado de um leito. Em qualquer situação, será necessário lembrar que o Amor tem o seu fluxo natural e direto da presença de Deus. Desta forma, o desafio de amar sempre se torna possível. Cada membro da família encontrando a fonte do Amor no seu relacionamento pessoal com Deus e abrindo-se para dar e doar-se em prol das necessidades do outro. Será sempre um desafio porque exigirá total rendição e dependência, primeiro recebendo para depois repartir.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

A MISSÃO EDUCACIONAL DA IGREJA

O imperativo de Cristo no comissionamento dos apóstolos foi “fazei discípulos” (Mt 28:19). No cumprimento desta missão fundamental a ação de “ensinar” deve ser contínua e abrangente. O ensino está entre as funções básicas da igreja ao lado do culto a Deus, do anúncio das Boas Novas, da ministração às necessidades humanas. Além disso, essas outras áreas de atuação da igreja também recebem implicações educacionais. Para o culto, na oração, na música, na pregação. Para a evangelização, no processo de comunicação. Para o serviço social cristão, na aprendizagem prática do testemunho eficaz.

Quando refletimos sobre a missão educacional da igreja, chegamos inevitavelmente a uma constatação: o ensino bíblico tem sido negligenciado ou reduzido na história da igreja em nosso país. Por parte dos católicos, essa missão foi negligenciada e contaminada desde sua origem com interesses políticos ou dogmas de uma tradição antibíblica. Já das primeiras missões protestantes pode ser dito que, por várias razões, reduziram a tarefa evangelizadora a uma ênfase conversionista, priorizando apenas o evento inicial da caminhada cristã, a conversão, sem contudo, investir na mesma medida para o desenvolvimento necessário no pós-batismo. Nossa teologia, nossas práticas eclesiásticas e litúrgicas foram construídas com o foco na salvação. Ganhamos em missões. Mas perdemos na formação de vidas e na prática da integralidade do evangelho.

Deus nos criou com um sentido completo para a vida. A salvação não se resume a uma espécie de apólice de seguros contra o fogo do inferno. A Bíblia não endossa esse desvio de propósito, pelo contrário, corrige-o. Através do profeta Isaías, Deus conclama o povo: “a todo aquele que é chamado pelo meu nome, e que criei para minha glória, e que formei e fiz” (Is 43.7). Depois do pecado, um estilo de vida contrário ao plano de Deus, marcado pela rebeldia e desobediência, o homem experimentou a queda, sendo “destituído da glória de Deus” (Rm 3.23). Mas, pela obra redentora da cruz, foi reconciliado com Deus, sendo restaurado integralmente e reorientado para a glória de Deus. O propósito da nova vida em Cristo não pode ser resumido em escapar do inferno, mas viver com qualidade e esperança. Por isso, a igreja não é uma opção ou alternativa, é a agência de Deus, a sua plataforma de relacionamento e comunicação com o povo, o ambiente onde cada salvo desenvolve a nova vida em Cristo crescendo “de glória em glória” (2 Co 3:18).

As pessoas nascem com a capacidade de se desenvolverem física, psicológica, social e espiritualmente. A missão educacional da igreja é um ministério entre pessoas com o alvo de conduzi-las em um processo de desenvolvimento que tem a pessoa de Cristo como medida. Projetando esse crescimento na linha do tempo, começamos com a conversão mas também devemos pensar na integração da pessoa convertida a Cristo para a tornar-se um membro ativo e dedicado de uma igreja. Esse novo membro aprenderá a fazer do culto uma parte constante e vital da sua experiência. Para tanto, ele será instruído biblicamente na fé e na conduta. Espera-se que neste estágio ele já demonstre com as atitudes uma consciência de valores cristãos. E, por fim, tendo desenvolvido hábitos e habilidades cristãs, investir seus talentos e recursos no serviço a outros irmãos e ao mundo em sua volta.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

UNIDADE: UM MILAGRE DA GRAÇA

A igreja local crescerá unida à medida em que os seus ministérios desenvolverem a cooperação em prol de um propósito comum: glorificar a Deus e abençoar pessoas. Qualquer desvio desta direção gera desigualdade, exclusão e divisão. Quando cada membro vê a si mesmo com parte de um todo e mantém seu foco no bem comum o espaço permanece aberto para o irmão, que é tratado como igual, acolhido e integrado. Em união de propósito e na prática da cooperação a igreja cresce de forma segura e saudável. O serviço na igreja deve ser exercido em mutualidade levando em conta a seguinte realidade teológica: a unidade é um milagre da Graça. Na criação Deus fez dois de um. Na redenção, Cristo faz com que todos sejam um.

O fundamento bíblico está no próprio relato da criação da raça humana. Em Gênesis 1.31 encontramos a ‘espécie humana’ qualificada como “boa”. Já em 2.18 é afirmado que a ‘pessoa humana’ só não era “boa” (towb), apropriada, melhor, excelente. Sozinho ninguém é capaz de refletir plenamente a glória de Deus, ou seja, não se adequa ao seu plano, não exprime sua vontade de forma eficaz. Fomos criados como seres relacionais e, por isso, somente na interação com Deus e como o próximo encontramos nossa identidade. Compartilhamento, participação e cooperação são experiências que nos fazem ser gente.

A Bíblia também ensina que o pecado separou o homem de Deus e, por consequência criou uma barreira na relação com o próximo. Por isso, Caim matou Abel, por inveja fratricida (Gn 4), fruto do egoísmo, a raiz de toda desunião. Separado de Deus, isolado da comunhão fraternal, o ser humano perde seu referencial de satisfação, rompe seus próprios limites e passa a viver de forma autodestrutiva. Somente a graça advinda da cruz pode vencer o estado de rebeldia contra Deus e de competição com o próximo. A partir da cruz, mesmo judeus e gentios podem formar uma unidade gloriosa: “...Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um... e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, tendo por ela matado a inimizade” (Ef 2.14 e 16).

Com essa visão em mente, o apóstolo Paulo instruiu a igreja de Corinto descrevendo-a como o corpo de Cristo (1 Coríntios 12:12-31). “Ora, vós sois corpo de Cristo, e individualmente seus membros” (12:27). O maior privilégio de um cristão na terra é pertencer ao corpo de Cristo e participar ativamente da obra por ele realizada. Neste corpo, que é a igreja, todos precisam de todos, e devem viver em respeito e cuidado mútuo. O que une os membros deste corpo fazendo-os funcionar e gerar saúde é o dom supremo do amor.

A partir desta consciência podemos cooperar para a construção de uma igreja unida e saudável. Precisaremos sempre de humildade para dialogar quando houver divergência, para negociar o uso de oportunidades no calendário, para compartilhar recursos que visem o bem comum. Poderemos criar meios para o desenvolvimento de talentos, investir em estruturas que valorizam o potencial humano e resultem em glória para Deus. Tudo isso fazendo com gratidão por experimentar diariamente o milagre de estar unido ao irmão pela cruz e refletindo a imagem de Deus como membro do corpo de Cristo.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O PROJETO PERFEITO PARA A VIDA

Todos os planos humanos são parciais e provisórios pois somente Deus possui a visão total da vida e pode direcioná-la para a perfeição. O projeto perfeito para a vida foi revelado por Deus na pessoa de Cristo. 

Em Efésios 4:13-16, Paulo apresenta o projeto perfeito de Deus para a humanidade na pessoa de Jesus. A mensagem desta carta é a suficiência e a centralidade de Cristo na criação e na igreja. Ele aproveita a sua condição de prisioneiro do Império Romano para contrastar o projeto político de Roma, centralizado em César, com a visão espiritual de domínio universal de Cristo. 


A carta pode ser dividida em duas partes seguindo o esquema da saudação: Graça e Paz. Graça, parte teórica (1-3), trata da totalidade do agir de Deus na criação e especialmente na redenção da humanidade em Cristo. Paz, aplica o resultado da graça como reconciliação com Deus, consigo e com o próximo.
O capítulo 4 começa a parte prática da epístola exortando as igrejas a viverem em unidade rumo ao crescimento que tem como alvo a perfeição de Cristo. A maturidade não poderia ser alcançada nem pelo êxtase nem pelo legalismo e sim por um projeto de vida que tem sua origem e seu alvo na pessoa de Jesus. Aqui implícita uma defesa contra os extremos propostos pela influência tanto de gnósticos quanto de judaizantes. 


Cristo é o projeto perfeito de Deus para a humanidade, para a igreja e para cada cristão individualmente. Paulo usa uma imagem genética para ensinar que uma criança já possui todas as características do adulto, no entanto, precisa passar por um longo processo de amadurecimento. Jesus, segundo os Evangelhos (João 1:14; Lucas 2:52), encarnou toda a graça e a verdade divinas e representa a medida da maturidade. Ele é a “medida plena”, ou seja, determina o nível da vida cristã sendo capaz de preencher completamente a vida do cristão. 


Perfeito (teleios) significa levado a seu fim, finalizado; que não carece de nada necessário para estar completo. Conquanto somente Jesus, o Filho Eterno de Deus, seja perfeito por ser o Supremo Ser, autossuficiente, e o Supremo Bem, a fonte da bondade, através do relacionamento íntimo e contínuo com Ele, o cristão é aperfeiçoado de forma ativa e progressiva. 


A partir da regeneração o cristão começa a desenvolver um relacionamento profundo e permanente com Cristo. Começa a receber a “plenitude de Cristo” (Ef 1:22). Cristo passa a viver e ser formado nele (Gl 2:20; 4:19). 


Esse processo de aperfeiçoamento do cristão envolve, pelo menos, três aspectos básicos: identidade, situação da vida e visão de futuro. O cristão sabe que seu ser está definido e determinado em Cristo e é através do seu relacionamento pessoal com Ele que avaliará continuamente a situação da vida, se está próximo ou distante dos valores e atitudes de Jesus, quais as áreas da sua vida não refletem a glória da presença de Cristo. A visão de futuro será sempre aprofundar e intensificar a relação pessoal com Jesus de modo que as pessoas ao redor vejam graça e verdade em cada momento. 


Projetos de vida baseados no poder humano sempre geram frustração e desespero no final. O Império Romano caiu diante dos bárbaros. Os novos gnósticos e judeus contemporâneos continuam querendo alcançar a perfeição pela via mística ou pela obsessão em cumprir as regras por eles mesmos criadas. Mas quem está em Cristo é “nova criação” (2 Co 5:17) e pode viver plenamente o projeto perfeito de Deus. Saberá quem é (um com Cristo), qual a sua real situação (necessidade de maior comunhão com Cristo) e a visão adequada de futuro (transmitir Cristo em tudo que faz).

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

TEMPO DE MUDANÇA

Depois de um período dedicado a oração, conversas com a família e reuniões com a PIB em Catu-BA decidimos aceitar o convite da PIB em Divinópolis-MG para compor o colegiado ministerial como pastor auxiliar na área de formação cristã. Entendemos que o ciclo ministerial se cumpriu na PIB em Catu-BA e que Deus está conduzindo nossa família para um novo formato de ministério.
Temos recebido muito carinho neste momento e sabemos que é fruto de um relacionamento de amor e serviço ao longo dos últimos seis anos. Agradecemos pela oportunidade de servir, pelo apoio no trabalho, pelo cuidado nos momentos difíceis, pelo carinho com a família.
Deus também nos agraciou com o privilégio de servir ao lado de outros pastores. Aprendemos com o Pr. Lourival Bastos, pastor-emérito. Agradecemos ao Pr. Rogério Souza por ter estado ao lado no início dessa caminhada. E destacamos a amizade do Pr. Jean Santos e Fabiana que tornaram o ministério uma experiência rica e agradável. A permanência deles na igreja fortaleceu a paz em nosso coração.
Continuaremos servindo no ministério da PIB em Catu-BA até 31/12. O culto de ação de graças pelo pastorado está marcado para 17/12 (sábado). Ficaremos muito alegres com a presença dos amigos naquele dia de gratidão a Deus e a todos que fazem parte desta história.


Pr. Petronio Borges, Anamaria, Mariana e Poliana.