sexta-feira, 18 de março de 2016

O JUIZ E AS RUAS

Quando as ruas hostilizam políticos como oportunistas e aclamam um magistrado como "Salvador da Pátria" é porque já chegamos ao ponto mais grave da crise institucional pela qual passa o Brasil. Depois da equivocada condução coercitiva do ex-presidente Lula, o juiz Sergio Moro revelou a motivação política por traz da Operação Lava-Jato, que já vinha sendo questionada por conta dos vazamentos seletivos e agora prede credibilidade em função da divulgação ilegal de escutas telefônicas envolvendo a Presidente. Essa politização do judiciário consegue ser mais ameaçadora à democracia do que a judicialização da política. O uso ideológico do messianismo, tão enraizado na cultura brasileira, extrapolou as raias da política partidária e alcança o Poder Judiciário, fabricando heróis midiáticos. Primeiro, Joaquim Barbosa, no episódio do Mensalão. Agora, o Rei da República de Curitiba. Se rejeitamos esta visão superficial e leviana, própria da narrativa político-partidária, que inventa salvadores a partir de personalidades carismáticas, muito mais devemos ficar preocupados quando as togas se transformam em mortalhas no carnaval midiático; quando homens da justiça se deixam seduzir por flash ou close e perdem o senso da missão, que deve restringir-se aos limites da legalidade.

domingo, 6 de março de 2016

OPOSIÇÃO SEM POSIÇÃO

Diante do retorno de Lula ao palanque, de onde as oposições não desceram, os partidos liderados pelo PSDB e setores do PMDB, intensificam a articulação para antecipar 2018. Lula é o maior líder popular do Brasil e se tornou um símbolo nacional. Agora, a sua vitimização se torna a única estratégia de mobilização da militância do PT. O PT, que fez da oposição sua escola de guerra, sabe que o ataque é a melhor defesa e começa a armar o contragolpe. Enquanto isso, o país caminha para a depressão econômica. O governo Dilma é incompetente e incapaz de unir as forças políticas, nem mesmo em sua base. Contudo, o mais preocupante é saber que a oposição se mostra sem posição e faz da alternância de poder seu único projeto. Qual a proposta para o combate à corrupção? O que se propõe para tornar o Estado mais eficiente? Existe um projeto de Nação? O PT, enquanto era oposição, respondia eloquentemente a esses questionamentos. Uma vez na situação, preservou a retórica, mas perdeu a credibilidade. Nem assim a oposição foi capaz de ir além do ressentimento. Com as principais lideranças também sendo investigadas ou na condição de réus, perderam a oportunidade de apontar um caminho diferente.