sábado, 17 de junho de 2017

RELAÇÃO ENTRE FÉ E HISTÓRIA NA TEOLOGIA

A relação entre fé e história na Teologia é uma questão fundamental. Sem considerar a fé, o teólogo reduz a teologia a uma filosofia e, deixando de considerar a história, ele perde sua credibilidade.

Segundo Gerhard F. Hasel em sua Teologia do Antigo Testamento, “Deus agiu na história”. Este é um fato, ao mesmo tempo, histórico e doutrinário. A literatura do Antigo Testamento registra uma interpretação de acontecimentos reais, representando parcial ou exageradamente o significado do evento. Segue-se assim a distinção entre dicta, declarações bíblicas, e facta, fatos históricos. A Bíblia não faz separação. Dicta depende de facta. O objeto de uma teologia bíblica é facta dicta.

O conhecimento da História é racional e está limitado à dimensão temporal-espacial. Por outro lado, o conhecimento da fé, no dizer do Dr. Merval Rosa, é transracional, nem racional nem irracional, não sendo determinada por eventos históricos, mas por Deus, o “Senhor da História”. Esse pressuposto levava os autores do Antigo Testamento a utilizar tradições que consideravam históricas porque, para eles, fato e interpretação formavam uma unidade. Estavam convencidos da veracidade do que ocorrera e por isso afirmavam sua doutrina.

A confiança na veracidade do acontecimento testemunhado pressupõe o ato de fé a ser declarado bem como seu conteúdo. Deus está se revelando na história e o contexto dessa revelação cria a tradição posteriormente fixada por escrito. O significado original da intervenção de Deus na História está no contexto de sua ocorrência, base da tradição a ser transmitida.

Enquanto o Método Histórico-Crítico propõe uma teologia que seja meramente “linguagem dos fatos”, a Teologia do Antigo Testamento (inerente à literatura) apresenta o “fato da linguagem” que mantém a unidade entre evento e palavra. Mesmo que a operação de Deus na História de Israel não esteja limitada a fatos – bruta facta.

Hasel conclui propondo que o método adequado para a Teologia do Antigo Testamento deve partir do pressuposto de Deus agindo na História de Israel. Será necessário também considerar a transmissão das suas confissões como fruto de uma concepção da realidade integral que preserva a unidade entre fato e significado.