Pular para o conteúdo principal

CEIA DO SENHOR - CELEBRANDO O MEMORIAL

O Batismo e a Ceia comunicam o fundamento da Igreja Cristã de modo que se fossem seus únicos atos litúrgicos nada mais era necessário acrescentar em conteúdo e expressão. São as duas Ordenanças do Senhor, mandamentos específicos para serem cumpridos de forma ritual com objetivo de comunicar uma mensagem. Possuem natureza simbólica e são diferentes de sacramentos. A celebração das ordenanças deve zelar pela reflexão e crítica a todas as formas de prática sacramental e sacerdotal.

Em postagem anterior já respondemos à pergunta sobre QUEM PODE SER BATIZADO. Agora perguntamos: qual o significado da Ceia do Senhor?

A Ceia do Senhor é um memorial da morte de Cristo e ao mesmo tempo o seu anúncio. Com a Ceia a igreja comemora e comunica a entrega do corpo e do sangue para nossa vitória sobre a morte. Para os cristãos primitivos o Batismo era o símbolo do início da vitória que o crente alcançara em Cristo; a Ceia era a manifestação dessa vitória. No culto dos dias de hoje deve ser celebrada em clima de proclamação, comunhão, contrição e adoração.

Jesus instituiu a ceia em substituição à pascoa judaica, sendo ele o verdadeiro “Cordeiro pascal” (JOÃO 1:29). Na primeira comemoração da ceia “Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, abençoando-o, o partiu e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. E tomando um cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos; pois isto é o meu sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados. Mas digo-vos que desde agora não mais beberei deste fruto da videira até aquele dia em que convosco o beba novo, no reino de meu Pai” (MATEUS 26:26-29). Desta forma, a Ceia seria um memorial para os crentes e um convite ao arrependimento e à fé para os incrédulos.

O Senhor também afirmou a natureza simbólica desta ordenança. Pão e Vinho não são transformados, mas apenas simbolizam o corpo e o sangue oferecido para a remissão dos pecadores. Este memorial deve ser celebrado para “anunciar a morte do Senhor até que Ele venha” (I CORÍNTIOS 11:26) conservando viva a lembrança da promessa de sua Volta. A participação na Ceia pressupõe o batismo bíblico e exige do crente um autoexame humilde e sincero encarnarmos estes significados em nossa vida e ministério.

A igreja local reúne seus membros para a celebração desta cerimônia com o objetivo de comemorar as bênçãos advindas da morte do Senhor bem como de proclamar a sua volta triunfal. Segundo John H. Davis, pouco mais de duas décadas após a noite da traição, o apóstolo Paulo transmitiu as instruções recebidas do Senhor regulamentou a celebração na igreja de Corinto:– “Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha. De modo que qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice. Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor” (I CORÍNTIOS 11:23-29).

Paulo foi diretivo em suas orientações por precisava combater a desordem como ameaça à celebração da Ceia do Senhor naquela igreja local. Os irmãos se reuniam em casas de patronos, mantendo uma estratificação social contrária ao Evangelho reduzindo a um banquete festivo pagão. Por isso, o apóstolo relembra que a Ceia é também uma celebração da comunhão fraternal. “Porventura o cálice de bênção que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos, não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? Pois nós, embora muitos, somos um só pão, um só corpo; porque todos participamos de um mesmo pão” (I CORÍNTIOS 10:16-17). Era necessário censurar as práticas pagãs de Corinto para que os crentes voltassem a se aproximar do ideal vivido pela igreja de Jerusalém: “De sorte que foram batizados os que receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas; e perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações” (ATOS 2:41-42).

Por fim, quanto ao tempo, a Ceia Memorial tem abrangência completa em seu significado.

Passado – Relembra a Última Ceia de Jesus com seus discípulos – preparação para o sacrifício do seu corpo e sangue. Um convite a vivermos a memória da sua morte, um chamado à renúncia. Jesus sofreu e morreu por nós. “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (ISAÍAS 53:3). Por isso, somos chamados à mesma vida de amor sacrificial, de entrega em serviço. Devemos andar em amor “como Cristo também vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave” (EFÉSIOS 5:2).

Presente – Durante a celebração da Ceia, Cristo está presente na pessoa do Espírito Santo. Sua presença é simbolizada pelos elementos da Ceia que falam à consciência do participante. Pão e vinho não são transformados em corpo e sangue, nem mesmo contém em si sua presença. Estes elementos simbolizam, representam: “Fazei isso em memória de mim”. Esta compreensão coloca o acento na prática destas verdades e não em um ritual. Participando da Ceia o irmão é encorajado e viver a contrição, o perdão, a adoração.

Futuro – A igreja primitiva compreendia este memorial como instrumento para anunciar a Volta do Senhor. A Ceia hoje é uma antecipação do banquete messiânico no céu: “Respondeu o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e valados, e obriga-os a entrar, para que a minha casa se encha. Pois eu vos digo que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia” (LUCAS 14:23-24). Isso renova a esperança dos salvos: “E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. Disse-me ainda: Estas são as verdadeiras palavras de Deus” (APOCALIPSE 19:9).

A participação na Ceia Memorial é uma celebração da memória que nos encoraja e capacita a vivermos suas implicações em nossas em nossas decisões e relações de acordo como esta compreensão.

Postagens mais visitadas deste blog

CONVITE PARA POSSE

CENTENÁRIO DA PRIMEIRA IGREJA BATISTA EM DIVINÓPOLIS

Texto e Direção: 
Pr. Tarcísio Farias Guimarães
Locução: 
Pr. Petrônio Almeida Borges Júnior
Em 1919, Divinópolis ainda era uma pequena cidade em busca de desenvolvimento. A estrada de ferro trazia para a terra do Itapecerica pessoas que, somadas à população local, trabalhavam para sustentar suas famílias e contribuir com a estruturação da recém-emancipada cidade do Oeste Mineiro. A cidade contava apenas 7 anos de história quando testemunhou o início de uma outra bela história: a organização da Igreja Batista de Divinópolis, no dia 27 de Julho de 1919, resultante do trabalho de irmãos que aqui se instalaram nos anos anteriores e formaram a Congregação da Primeira Igreja Batista de Belo Horizonte. 

Os 31 membros que escreveram as primeiras páginas da história da nossa Igreja foram usados por Deus para espalhar a semente do Evangelho nos corações daqueles que estavam à sua volta. Cumpre-se na história centenária da Primeira Igreja Batista em Divinópolis o que está escrito em Eclesiastes, cap…