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ANOTAÇÕES CRÍTICAS SOBRE GERHARD VON HAD

A discussão sobre fé e história dentro dos estudos teológicos deverão obrigatoriamente reservar um espaço para Gerhard von Rad (1901-1971). Este teólogo luterano alemão desenvolveu a abordagem da “tradição histórica” para o Antigo Testamento. Ele procurou aplicar a categoria de Heilsgeschichte (“História da Salvação”, a escola teológica de Oscar Cullmann) para a Bíblia Hebraica esforçando-se para ligar as diferentes tradições bíblicas em uma forma coerente.

Seu ponto de partida baseia-se em uma análise de pequenos credos recitados liturgicamente em determinadas festas (Como em Dt. 26. 5-9; 6, 20-24 e Js. 24. 1-13) que constituiriam a articulação teológica mais primitiva e mais característica de Israel. Estas confissões de fé aludem às tradições essenciais que compõem o quadro Gênesis-Josué (patriarcas, êxodo, peregrinação no deserto, a conquista).

Von Rad entendia a Teologia de Israel como uma interpretação narrativa do que havia ocorrido no passado de Israel, uma narração que, todavia, possui força decisiva para as gerações futuras. Por essa compreensão, a Teologia do Antigo Testamento seria o resultado de um processo contínuo de “tradição”, em que cada sucessiva geração israelita recita o relato, mas o faz incorporando novos materiais e reformulando, de maneira que o antigo relato pode seguir sendo pertinente para as novas circunstâncias e as novas crises. A Bíblia teria surgido, assim, da prática da adoração, como testemunho. Cada geração adaptava e estendia essas tradições aplicando-as a novas circunstâncias históricas.

No Antigo Testamento não haveria “bruta facta” em absoluto e sim interpretação de fé. Gerhard Von Rad elaborou esse argumento quando contrastou as versões da história de Israel de acordo com a pesquisa crítica moderna e aquela definida pela fé de Israel. A experiência de fé do narrador é histórica e seus relatos são fundamentados numa história real. Mesmo que a sequência dos relatos não coincida com o quadro organizado pelo conhecimento histórico na perspectiva científica, isso não entraria em contradição com a realidade da revelação divina. O fato estaria localizado no agir de Deus ainda que não seja possível saber como.

Apesar da valorização da confissão de fé, que representa um referencial indispensável para a teologia, Von Rad exagerou na ênfase das declarações querigmáticas de Israel desprezando a historicidade dos fatos que as geraram. Mas, sem dúvida, sua insistência em que a Bíblia Hebraica seja entendida no contexto da vida religiosa do Antigo Israel afirmou-se como uma contribuição decisiva para os estudos posteriores.

Von Rad acabou por negar o fundamento histórico da confissão de fé que Israel. Para ele não havia qualquer relação entre a crença pregada por Israel e a realidade objetiva da sua história como povo. Dessa forma, o Antigo Testamento passaria a ser uma narrativa religiosa, um emaranhado de confissões de fé que compõe a história de uma religião.

Estas anotações críticas sobre Gerhard Von Rad poderão ser melhor entendidas no contexto da discussão sobre a RELAÇÃO ENTRE FÉ E HISTÓRIA NA TEOLOGIA.




REFERÊNCIAS

SCHMIDT, Werner H. Introdução ao Antigo testamento. São Leopoldo, RS: Sinodal, 1994.

HASEL, Gerhard F. Teologia do Antigo Testamento: questões fundamentais no debate atual. Rio de Janeiro, RJ: JUERP, 1992, 121 p.

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