sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

UNIDADE: UM MILAGRE DA GRAÇA

A igreja local crescerá unida à medida em que os seus ministérios desenvolverem a cooperação em prol de um propósito comum: glorificar a Deus e abençoar pessoas. Qualquer desvio desta direção gera desigualdade, exclusão e divisão. Quando cada membro vê a si mesmo com parte de um todo e mantém seu foco no bem comum o espaço permanece aberto para o irmão, que é tratado como igual, acolhido e integrado. Em união de propósito e na prática da cooperação a igreja cresce de forma segura e saudável. O serviço na igreja deve ser exercido em mutualidade levando em conta a seguinte realidade teológica: a unidade é um milagre da Graça. Na criação Deus fez dois de um. Na redenção, Cristo faz com que todos sejam um.

O fundamento bíblico está no próprio relato da criação da raça humana. Em Gênesis 1.31 encontramos a ‘espécie humana’ qualificada como “boa”. Já em 2.18 é afirmado que a ‘pessoa humana’ só não era “boa” (towb), apropriada, melhor, excelente. Sozinho ninguém é capaz de refletir plenamente a glória de Deus, ou seja, não se adequa ao seu plano, não exprime sua vontade de forma eficaz. Fomos criados como seres relacionais e, por isso, somente na interação com Deus e como o próximo encontramos nossa identidade. Compartilhamento, participação e cooperação são experiências que nos fazem ser gente.

A Bíblia também ensina que o pecado separou o homem de Deus e, por consequência criou uma barreira na relação com o próximo. Por isso, Caim matou Abel, por inveja fratricida (Gn 4), fruto do egoísmo, a raiz de toda desunião. Separado de Deus, isolado da comunhão fraternal, o ser humano perde seu referencial de satisfação, rompe seus próprios limites e passa a viver de forma autodestrutiva. Somente a graça advinda da cruz pode vencer o estado de rebeldia contra Deus e de competição com o próximo. A partir da cruz, mesmo judeus e gentios podem formar uma unidade gloriosa: “...Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um... e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, tendo por ela matado a inimizade” (Ef 2.14 e 16).

Com essa visão em mente, o apóstolo Paulo instruiu a igreja de Corinto descrevendo-a como o corpo de Cristo (1 Coríntios 12:12-31). “Ora, vós sois corpo de Cristo, e individualmente seus membros” (12:27). O maior privilégio de um cristão na terra é pertencer ao corpo de Cristo e participar ativamente da obra por ele realizada. Neste corpo, que é a igreja, todos precisam de todos, e devem viver em respeito e cuidado mútuo. O que une os membros deste corpo fazendo-os funcionar e gerar saúde é o dom supremo do amor.

A partir desta consciência podemos cooperar para a construção de uma igreja unida e saudável. Precisaremos sempre de humildade para dialogar quando houver divergência, para negociar o uso de oportunidades no calendário, para compartilhar recursos que visem o bem comum. Poderemos criar meios para o desenvolvimento de talentos, investir em estruturas que valorizam o potencial humano e resultem em glória para Deus. Tudo isso fazendo com gratidão por experimentar diariamente o milagre de estar unido ao irmão pela cruz e refletindo a imagem de Deus como membro do corpo de Cristo.