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CRISE TEMERÁRIA

A partir de hoje e por até seis meses o Brasil passa a ter dois presidentes. Enquanto Dilma desce a rampa do Planalto para defender-se no processo instaurado pelo Senado, Temer troca a cadeira de vice pela posição histórica de presidente não-eleito. Temer não é a solução para a crise porque a crise é temerária. Ele foi o principal operador da oposição para aproveitar a perda gradativa de apoio politico do governo Dilma. Para tanto aliou-se a Eduardo Cunha, afastado da presidência da Câmara por ser réu no Supremo Tribunal Federal e a Aécio Neves, investigado pela Operação Lava-Jato. Se o objetivo de Temer era oferecer o mínimo de previsibilidade econômica ao mercado financeiro diante do caos econômico gerado pelos governos petistas, ele não conseguiu dar sinais de que o seu governo paralelo ou tampão será diferente. Os partidos aliados não permitirão que os notáveis atravessem a ponte para o futuro. A crise econômica tem um fundo político e a corrupção generalizada é a causa original da instabilidade que coloca em risco tanto o setor público quanto o privado. Essa corrupção é política mas também empresarial. E o próprio Temer foi citado na Lava-Jato por suspeita de corrupção além de ter um pedido de impeachment análogo ao de Dilma com determinação liminar do Supremo para ser apreciado na Câmara. Temer será um presidente provisório sem a legitimidade do voto que igualmente dependerá de uma coalizão fisiológica a ser formada com a mesma fragmentação política ante a qual o PT sucumbiu. O seu alardeado projeto ético e técnico com medidas de austeridade e eficiência já nasceu comprometido pelo próprio histórico clientelista de uma base com dez partidos além dos nanicos. Para superar essa crise o Brasil não deve temer; precisa cobrar a antecipação das eleições presidenciais e deixar manifesto o inconformismo tanto com a corrupção do PT quanto com o governo temerário que o substituiu.

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