terça-feira, 1 de janeiro de 2013

A RENOVAÇÃO DA VIDA A CADA ANO



Para um sem número de pessoas esta data, 01 de janeiro, é desprovida de sentido. Muitos trabalharam durante a “passagem de ano”, inclusive para que outros festejassem. Alguns estavam em viagem, outro tanto em hospitais e presídios. 
Mas, dificilmente estas pessoas mantiveram-se neutras na “hora da virada”. Independente da situação ou da forma como estavam, refletiram sobre suas vidas e pensaram em mudanças importantes que precisam experimentar. 
Todas as culturas mundiais conhecidas reservam o significado de renovação para o período do seu calendário que registra a mudança de épocas ou estações. Os motivos são variados. Egípcios e Babilônicos relacionavam o renascimento à vazante dos grandes rios que cortavam seus territórios. Era um momento de esperança depois da destruição pela força das águas na cheia. Os anglo-saxões e germânicos associavam a renovação ao final do inverno e início da primavera, quando o sol trazia dias mais iluminados e as plantas floresciam. Podemos identificar a presença de festas e rituais relativos à renovação do calendário anual ainda em outros povos na história. 
O nosso calendário, chamado de “gregoriano” por que foi organizado pelo Papa Gregório XII, nos fins do séc. XVI, é uma adaptação dos matrizes gregas e romanas, mas, foi profundamente marcado pela vida de Cristo, nascimento, morte e ressurreição, ascensão. Por isso, olhar para o final de mais um ano é um incentivo a crer no poder renovador de Deus que nos permite chegar ao enceramento de mais um ciclo, capacitando-nos a começar de novo. 
A misericórdia de Deus manifesta em Cristo nos re-genera, faz-nos nascer de novo e, renova-nos, como Paulo Apóstolo lembrou a Tito “segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tt 3.5). Esta renovação dá-nos o poder de negar a forma que o mundo impõe, in-conformar, e possibilita a transformação necessária para a experiência com a vontade de Deus, como a conhecida passagem da Carta aos Romanos resume: “mas transformai-vos pela ‘renovação’ da vossa mente” (Rm 12,2). 
A renovação da vida não se dá num passe de mágica. É um processo que envolve a “nous”, o modo de pensar, a atitude, a mente. Isso nos leva a uma postura reflexiva diante da necessidade de mudança. Precisamos assumir nossa responsabilidade. Contudo, não podemos perder a esperança, pois a segurança de um ano “novo” não está nas supertições na “sorte” ou no que dizemos durante a contagem regressiva. Está em Cristo! 
Busquemos exercitar a mente de Cristo para a renovação da nossa atitude. Deixemos a mente controlar o corpo, como é natural que aconteça. Dele receberemos em cada dia do ano que se inicia a vida renovada que brota dentre de nós por experimentarmos o poder da sua ressurreição, como nos lembra o batismo: “Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Rm 6,4).