terça-feira, 8 de maio de 2012

MÃE, METÁFORA DE DEUS

A mãe é uma metáfora de Deus. Com ela mantemos a relação mais significativa, mais afetiva, por ela somos mais afetados. A figura materna tem influência decisiva sobre a nossa história pessoal. Agostinho, afirmou que se alguém não é capaz de adorar sua mãe, jamais adorará a Deus. 
Deus revelou sua maternidade nas Escrituras. Mães sempre ocuparam o lugar de destaque na história da salvação. Na relação entre Deus e os homens registrada na Bíblia, encontramos diante da violência humana a imagem de uma mãe para expressar, com o seu amor, a confiança, a liberdade e o equilíbrio que sentimos na relação com Deus. 
Eva, primeira mãe, simboliza a mulher que recebe a capacidade de gerar vida, de dar a luz, mães de todos os homens. Sara, de estéril a mãe de nações, mãe da fé, dá luz à graça, ao riso, Isaque. Mas, não só a princesa recebe este dom, pois Agar, escrava, anuncia o Deus que vive, vê e ouve a aflição. A filha de Levi, Joquebede, mãe do libertador de Israel, a maior ameaça a Faraó era uma mulher grávida. 
Jesus, Deus encarnado, nasceu de uma mulher, a mais feliz de todas em todos os tempos. A jovem grávida do Espírito Santo dá luz. A maior ameaça aos poderosos e soberanos da Terra. Por isso Herodes intentou matar as crianças. César, em sua tirania, não pode impedir o Reino de Deus que foi inaugurado no ventre de Maria. 
O profeta Isaías anuncia a esperança no Deus que jamais esquece do seu povo: “Pode uma mulher esquecer-se de seu filho de peito, de maneira que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, não me esquecerei de ti” (Isaías 49,15). O salmista reconhece poeticamente este gesto e quer estar, como criança desmamada no seio da mãe, nos braços de Deus: “Sou como uma criança recém-amamentada por sua mãe; a minha alma é como esta criança” (Salmo 131,2). 
Deus é mãe desde a criação. A Criação é o útero de Deus. O Seu Espírito chocava o que era sem forma e vazio (Gn. 1,1-2). Por isso, assim como a mãe ama o filho por que o gerou, carregou na barriga, pariu, Deus nos ama por que nos criou. (Sl. 131). 
Uma criança que por qualquer motivo nunca reverencia sua mãe, dificilmente adorará a Deus. Agostinho reconhecia que Deus o alimentava através do leite materno. 
Aprendemos a orar a Deus chamando-o de Pai. E Deus é nosso pai também. É saudável ensinarmos assim, pois construiremos o princípio de respeito à autoridade, de proteção e provisão, de referencial para a vida que a figura masculina pode representar. 
Chamar e orar a Deus como mãe não anula esta compreensão, mas, complementa. Deus é Pai e Mãe. Mas, parece que nos esquecemos de buscá-lo assim. Talvez por medo de adorar a Maria, empobrecemos nossa adoração a Deus. Precisamos rever este conceito, precisamos reviver a nossa relação. 
Assim, aproveitemos o dia das mães para orar reconstruindo nossa comunicação com Deus, que é Pai Nosso, mas também Mãe Nossa: 

Nossa Mãe que nos embala dos céus,
venha a nós o teu terno cuidado.
Seja o teu desejo tão agradável
como os teus afetos.
Aqui, entre nós, como sempre foi.
Que o sustendo produzido em teu seio
sempre nos seja suficiente,
aliviando a nossa ansiedade. 
Livra-nos da tentação de esquecermos
que somos eternamente crianças em teus braços. Amém.