quinta-feira, 1 de março de 2012

ESPELHO, ESPELHO MEU! ESTOU VESTIDA DE FORMA QUE AGRADE A DEUS?

Resolvi escrever sobre o uso adequado de roupas e acessórios para a mulher cristã depois de constatar que, no ministério pastoral, de quando em quando, precisamos descer da ética para a etiqueta. Até sobre estética um pastor deve versar. A matéria prima do trabalho pastoral é a vida comum das pessoas, seu dia a dia, rumo à eternidade, mas com as peculiaridades que homens e mulheres produzem num contexto local.
Quem lê estas considerações (quase lamúrias) a partir de um ambiente cosmopolita ou, até mesmo, em outra cultura, fora do Brasil, pode questionar a relevância do tema e criticar: por que esse pastor não prioriza na sua agenda de leitura e escrita assuntos indispensáveis para a humanidade nesse tempo como a proliferação da AIDS no continente africano ou o caso Pinheirinho?
Pois bem, não pensem que faço da vida um conto de fadas nem passo o dia diante do espelho. A transpiração da função de cura d’almas fez-me compreender porque Paulo e Pedro, admiráveis pastores do início do cristianismo, reservaram espaço privilegiado em seus escritos pastorais para essa temática. E se aqueles homens e mulheres continuam homens e mulheres desde então, apesar das roupas terem mudado e mudado também os olhares, vejamos o que eles escreveram:
I Timóteo 2,9-10
“Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos, Mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras”.
I PEDRO 3,3-6
“O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de joias de ouro, na compostura dos vestidos; Mas o homem encoberto no coração; no incorruptível traje de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus. Porque assim se adornavam também antigamente as santas mulheres que esperavam em Deus, e estavam sujeitas aos seus próprios maridos; Como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor; da qual vós sois filhas, fazendo o bem, e não temendo nenhum espanto”.
Seria interessante analisar aqui essas passagens. Como não o farei, indico o belíssimo trabalho de Elizabeth Portela, em “O adorno da mulher cristã”. Por hora, atenho-me a, apenas, breves considerações.
A beleza humana é um culto ao Criador e a capacidade de apreciá-la é divina. Não há pecado algum na admiração de uma mulher bonita, vestida de modo a valorizar seu perfil corporal. Muito menos constitui abominação para Deus a mulher cuidar do cabelo, maquiar-se, usar acessórios que destaquem sua beleza.
A recomendação bíblica é sobre o equilíbrio entre as belezas interior e exterior no exercício da mordomia da liberdade cristã. Para tanto, deve-se começar comprando um espelho. Ao arrumar-se, ter a coragem de perguntar: Espelho, espelho meu! Estou vestida de modo que agrade a Deus?
Acrescente-se ainda um fato: a ditadura da moda. A indústria da beleza que se serve de rostos e corpos de celebridades para vender um estilo de vida em forma de roupas e cosméticos, impõe a necessidade de escolha: usar ou ser usada. Sendo assim, será que já podemos comemorar o crescimento do mercado de “beleza gospel”? No mínimo, sabemos que existem estilistas e empresários pensando em mulheres dispostas recusar um padrão único ditado pelos meios de comunicação.
A mulher cristã precisa ter bom senso para adequar a roupa ao contexto. Ou será que não podemos perguntar: Como uma freira deve se vestir? Como uma prostituta se veste? E uma executiva? Como se vestir para comparecer a uma audiência? E numa entrevista de emprego? Como uma mulher cristã deve vestir-se? Como se vestir para ir a um templo? Infelizmente o problema maior está numa educação para a vida que desconsidera a etiqueta.
A igreja intervém (ou melhor, quase sempre o pastor) para compensar a negligência familiar. A igreja agrega valor à família, procura fortalece-la em meio ao caos moral. Mas, sinceramente, aprendemos a nos vestir em casa. Por isso, deve-se adotar uma orientação sobre o uso da roupa de quem representa publicamente a comunidade, apresenta-se diante da congregação. Isso, ao menos, sinaliza para a necessidade de um zelo maior em família.

A essa altura os leitores já devem ter feito a pergunta: e os homens. Bem, guardadas as devidas proporções, ipsis litteris.