domingo, 8 de janeiro de 2012

PREPARAÇÃO E ORGANIZAÇÃO PARA O SERVIÇO NA IGREJA

A salvação em Cristo faz valer a pena todo esforço por parte do cristão para a vivência da comunhão e até mesmo o encoraja a enfrentar o sofrimento para testemunhar no mundo. Steve e Lois Rabey, em seu manual de discipulado Lado a Lado, lembram que “as pessoas que atendem ao chamado de seguir a Cristo não estão se unindo a um clube ou uma empresa; em vez disso, estão sendo incluídos no corpo de Cristo, místico e universal”. A igreja enquanto corpo espiritual de Cristo expressa sua unidade através do amor fraternal, da harmonia e da cooperação voluntária, como afirma nossa Declaração Doutrinária. 

A motivação para o serviço na igreja passa pela vivência saudável da unidade fraterna. É na dinâmica dos relacionamentos que o serviço deixa de ser um peso, uma humilhação, e torna-se oportunidade de desenvolver o Corpo. Na igreja somos ‘servos dos servos de Deus’. O amor fraternal nos une, e não há amor sem serviço. Todos são chamados para herdar a bênção de estar em Cristo, sendo que Cristo está nos mais necessitados (Mt 25,40). 

A sociedade na qual estamos inseridos como igreja é marcada pelo individualismo e pela competição. Se decidirmos pela prática do bem, pela promoção da paz, deveremos estar certos da perseguição que se levantará, até mesmo dentro das famílias. Mas, recebemos uma bênção, nossa ação deve ser de doar, doação, servindo a Deus com todo o esforço e investimento. 

A experiência de comunhão na igreja e a conduta diante da perseguição do mundo servem como preparação constante para o serviço. Nossa preparação para o serviço cristão exige que, através da comunhão, busquemos a motivação para um compromisso com o Reino de Deus. 

O serviço na igreja exige organização e essa tarefa compete prioritariamente à liderança. A orientação do apóstolo Paulo a Tito foi para colocar em ordem o que ainda não estava e para isso era necessário constituir uma liderança que supervisionasse (Tt 1,5). Marcos Monteiro, em seu comentário aos Efésios, da série Em diálogo com a Bíblia, afirma que a liderança “era um presente de Cristo à comunidade para que esta, em sua diversidade de dons, fosse treinada para uma plena maturidade”. 
No entanto, uma igreja local, onde quer que se apresente, será sempre pecadora e militante. Uma manifestação imperfeita da Igreja Universal, Invisível, Santa, Triunfante (Hb 12,22-24). Perfeição nunca será possível a uma igreja local, mas excelência sim, e ser excelente é fazer o melhor possível. Caba à liderança, sob a orientação do Espírito Santo, conduzir a igreja a um aperfeiçoamento contínuo. Para tanto, será necessário equilibrar a herança histórica, como foi feito até aqui, com as demandas do contexto atual, como precisa ser feito a partir de agora. 
A proposta de organização ministerial da igreja local deve ser elaborada em função da sua constituição, das pessoas que a compõem. Deus, nas três pessoas da Trindade Santa, ocupa lugar central. Os membros, congregados e freqüentadores estão dentro, comprometidos com o serviço, embora em níveis diferentes. A comunidade em torno da igreja e no mundo em geral estão fora da estrutura visível, mas incluídos na missão. Pensando assim, os ministérios podem se organizar em três áreas: Adoração, serviço a Deus; Edificação, serviço aos de dentro; e Evangelização, serviço aos de fora. Estas áreas definem o objetivo de cada ministério e facilitam o planejamento das ações. 
Mesmo sabendo que as estruturas ministeriais são falíveis, e por isso, provisórias, devemos usá-las com reflexão e coragem para inovar. Os batistas cremos que todos os crentes foram chamados por Deus para o serviço cristão na medida dos talentos e dos dons concedidos pelo Espírito Santo. Os lideres são providências da Graça para que todos cresçam e sirvam a exemplo de Cristo. Eles devem criar, manter, transformar estruturas para que o serviço funcione. As pessoas são prioridade, para servi-las, a igreja local deve se organizar com excelência.